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04 fevereiro 2026

Gigantes no campo da memória: A equipa dos "Casados" do Cubal (Anos 50) – O Restauro de uma Época


 Há imagens que cheiram a terra batida, a cânfora e a tardes de domingo onde o futebol era muito mais do que um jogo: era um ritual de honra. Esta fotografia extraordinária, partilhada inicialmente pela Fernanda Valadas Vieira, leva-nos diretamente para o Cubal dos anos 50, para junto de uma equipa de "Casados" que impunha respeito só pela postura.

O tempo, contudo, foi implacável com o papel fotográfico. Sentindo a importância deste registo histórico, o blogue CUBAL ANGOLA TERRA AMADA procedeu a um cuidadoso trabalho de restauro para recuperar esta memória.

Apresentamos abaixo a evolução deste registo em três momentos:

1. Estado original da fotografia.

2. Versão restaurada a preto e branco (recuperação de nitidez).


3. Versão colorizada pelo Blogue.

Eram tempos em que as chuteiras eram pesadas e o amor à camisola valia mais do que qualquer troféu. Alinhados para a posteridade, estes homens representam uma geração de força e trabalho. Hoje, a legenda desta foto carrega um peso nostálgico e solene: "Todos já partiram". Mas se fisicamente já não estão entre nós, a sua memória permanece intacta neste "onze" (ou quase) agora recuperado.

Graças à memória coletiva, preservada nos comentários pela Fernanda e pelo Zé Carlos Ferreira, conseguimos resgatar os nomes destes craques de outros tempos.

Em cima, de pé e com o olhar focado, identificamos o Silva (que jogava a ponta esquerda), o João Gonçalves, o Sr. Guerra, o imponente Inspector Vicente (o "homem grande" que segura a bola com autoridade, como bem notou o Zé Carlos) e o Aguiar.

Em baixo, agachados e prontos para a ação, encontramos figuras como o Cabral, o Valentim, o Brito, o Queirós e o Aspirante Galambas. Há ainda uma dúvida saudável entre o Amaral ou o Esteves, e faltam identificar o massagista e o senhor à esquerda — lacunas que o tempo criou, mas que a partilha destas imagens tenta preencher.

Olhar para esta equipa, agora com nova nitidez, é ver o Cubal de antigamente: unido, orgulhoso e eterno. Que esta publicação sirva como um apito final de aplauso para todos eles.


-ruca

Créditos:
Foto original cedida por: Fernanda Valadas Vieira
Colaboração na identificação: Zé Carlos Ferreira
Restauro e colorização de imagem: ruca -Blogue CUBAL ANGOLA TERRA AMADA


02 fevereiro 2026

O palco da infância: Elsa Pais e Álvaro Ferreira numa récita dos anos 50

Elsa Pais e Álvaro Ferreira. 
Foto: Zé Carlos Ferreira

Recuamos hoje aos dourados anos 50, a um tempo em que o Cubal também se vestia a rigor para a cultura e para a festa. Esta fotografia, uma relíquia cedida pelo Zé Carlos Ferreira, transporta-nos para o cenário de uma récita infantil, onde duas crianças posam com a seriedade solene que o momento exigia.

Eles são a Elsa Pais e o Álvaro Ferreira. Ela, num vestido de folhos impecável, com o cabelo arranjado ao pormenor; ele, aprumado com o seu lenço ao pescoço, talvez encarnando um camponês ou uma figura folclórica numa peça de teatro escolar.

A imagem, contudo, traz consigo um misto de beleza e de saudade profunda. Nos comentários que acompanham esta memória, o Zé Carlos Ferreira recorda com emoção o seu "querido e saudoso irmão Álvaro", evocando também a beleza da Elsa, uma "miúda lindíssima" que marcou a sua geração.

A caixa de comentários acabou por se tornar, também ela, um lugar de homenagem e despedida. A Fernanda Valadas Vieira trouxe a notícia que o tempo, implacável, se encarregou de escrever: a Elsa, tal como a restante família Pais (incluindo o Alexandrino, a Lila e o Zeca), já partiu há muitos anos. Foi um momento de revelação dolorosa para a Tucha Garcia, que finalmente compreendeu o silêncio das cartas que deixaram de ter resposta: "Paz à tua alma, Elsa".

Esta fotografia deixa de ser apenas um registo de uma festa escolar para se tornar um monumento à memória deles. Ficam os fatos de gala, o brilho nos olhos e a certeza de que, no álbum do Cubal, eles serão sempre aquelas crianças prontas para entrar em palco, sob os aplausos de uma terra que não os esquece.

-ruca

Créditos:
Foto cedida por: Zé Carlos Ferreira
Informação histórica: Fernanda Valadas Vieira

01 fevereiro 2026

Parece que foi ontem: A juventude do Cubal num retrato eterno

 


Jovens do Cubal

Há frases que resumem tudo, e o comentário da Ana Bela Faustino nesta fotografia diz o essencial: "Parece que foi ontem". Ao olharmos para este grupo de jovens do Cubal, congelado no tempo pela objetiva de uma máquina fotográfica, é impossível não sentir a energia vibrante de uma geração que cresceu entre a liberdade da terra e a força das amizades que duram uma vida inteira.

A imagem, mais uma partilha preciosa da Fernanda Valadas, funciona como um puzzle de afetos. Nos comentários, os amigos reuniram-se para devolver a identidade a cada rosto, num exercício coletivo de memória que é tão bonito quanto a própria foto.

Lá estão eles, alinhados com a moda da época e o sorriso pronto. De pé, reconhecemos figuras como o João Proença e a Milena, a Mibel (que a Fernanda fez questão de retificar, para que a memória não falhe), a Celeste, a Lília, a Betinha e a própria Ana Bela Faustino.

Em baixo, com a descontração típica de quem se sente em casa, o grupo completa-se com o Álvaro, o Pires, o Sampaio, o João Silva e o Nando Vaz. A pose do rapaz em primeiro plano, de braços abertos, parece querer abraçar o momento, segurando aquela alegria para que não fugisse.

O João Mário Campanha resume o sentimento geral com uma única palavra: "Saudades". E é verdade. A saudade não é apenas das pessoas, mas daquele Cubal onde estes laços se formaram. Onde cada festa, cada encontro e cada fotografia eram vividos com uma intensidade que hoje, à distância de décadas, ainda nos aquece o coração.

Que esta imagem sirva para recordar não apenas os nomes, mas o espírito de uma juventude que o tempo não conseguiu apagar.

-ruca

Créditos:
Foto cedida por: Fernanda Valadas Vieira
Colaboração na identificação: Ana Bela Faustino, António Lopes Mendes


As ondas do rádio e as árvores de macarrão: O inesquecível Alexandrino Pais


 

Alexandrino Pais.

Há figuras que, mais do que habitar um lugar, tornam-se parte da sua própria alma. No Cubal, terra de gente com memória forte, o Alexandrino Pais foi um desses rostos que dispensam apresentações. A fotografia, gentilmente cedida pela Nanda Valadas, devolve-nos um desses instantes perfeitos: o Alexandrino, de camisa aberta e ar descontraído, segurando aquele rádio portátil como quem segura o mundo nas mãos.

Era uma "figura caricata", como dizem com carinho os amigos, mas acima de tudo era um mestre do improviso e da boa disposição. O rádio que exibe na imagem não era apenas um aparelho; era talvez a extensão da sua própria vontade de comunicar, de trazer as "notícias frescas" que a Tucha Garcia recorda com tanta saudade. Ele tinha o dom de arrancar gargalhadas, transformando o quotidiano numa comédia viva.

Mas o que seria do Cubal sem as suas lendas urbanas (ou rurais)? A Maria Helena Carvalho recordou, e bem, a faceta mais fantasiosa do Alexandrino: a célebre plantação de macarrão. Com a maior seriedade do mundo, era capaz de convencer os mais incautos de que possuía árvores de macarrão com cinco metros de altura. Era preciso ter arte para contar estas histórias sem se desmanchar a rir, mantendo a plateia suspensa na dúvida entre a verdade e a galhofa.

O Celestino Alves Geral, seu "sócio" nestas andanças, lembra-se bem dessa postura. Quando apareciam forasteiros ou pessoas que não conheciam as manhas da terra, o Alexandrino não gaguejava. Vestia a pele de grande fazendeiro e discorria sobre os assuntos da lavoura imaginária com uma convicção tal que a ficção se tornava, por momentos, realidade.

Esta imagem a preto e branco é um bilhete de regresso a esse tempo. Um tempo em que a rádio tocava as músicas da moda, em que se conversava nas esplanadas e em que figuras como o Alexandrino Pais davam cor aos dias do Cubal, provando que a vida se deve levar com leveza e, sempre que possível, com um sorriso nos lábios.

-ruca

Créditos:
Foto cedida por: Nanda Valadas