Junho de 1964: os livros na mão e o carreiro que todos pisámos
No centro da cena, vemos a Cidália e a Nanda regressando das aulas. Naqueles dias, não havia o conforto das mochilas ou das sacolas modernas; os livros eram transportados assim, com a firmeza de quem carrega o próprio futuro na mão. Vinham do Instituto Liceal, que se vislumbra lá ao fundo, marcando o horizonte da educação de tantos cubalenses.
"O olhar atento da Fernanda devolve-nos a vizinhança de então..."
O olhar atento da Fernanda devolve-nos a vizinhança de então: à esquerda, a casa da família Lousa; à direita, a morada da família Coelho, onde cresceram a Alexandrina e a Esmeralda. À nossa frente, no carreiro onde quase todos os cubalenses passaram, caminha de costas o rapazinho Henrique Faria, alheio ao clique que o tornaria eterno nesta memória.
Este terreno, que na foto parece apenas um espaço baldio, carrega uma importância histórica profunda para o Cubal. Era aqui que se ergueria, mais tarde, a nova igreja. À esquerda, ficava a igreja velhinha, que acabou por ser demolida, mas que permanece viva na lembrança de quem lá viveu os seus primeiros sacramentos.
Mais do que um simples registo de duas amigas num caminho de terra, esta fotografia é o testemunho de uma comunidade que se construía no dia a dia, entre as idas à escola e os encontros casuais na rua. É o Cubal na sua essência: feito de gente, de afetos e de memórias que, graças à generosidade da Nanda, continuam a iluminar o presente.
— Ruca
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