1 de Dezembro de 1972 — Cubal
“Os Terríveis” do Cubal: onde a amizade não escolhia cores
“Os Terríveis” — equipa de desporto escolar do Cubal, 1 de Dezembro de 1972 .
Na fila de cima, da esquerda para a direita:
Olga, treinadora, Emanuel, eu (Ruca) e Henriques.
Em baixo:
António Pinto, Fernando — ou será Victor? Fica o apelo aos amigos para ajudarem a completar esta memória —, Luís Carlos Contreiras Campos, o nosso conhecido Belito Campos e Luciano.
Esta é, sem dúvida, uma das imagens mais poderosas e significativas que hoje posso partilhar. Não encerra apenas a memória de uma vitória desportiva. Guarda, acima de tudo, a essência de uma Angola que vivíamos com a naturalidade e a pureza de quem ainda não conhecia barreiras.
Há fotografias que não envelhecem. Ficam connosco, guardadas no arquivo do coração, como um retrato fiel de quem fomos — e, de certa forma, de quem ainda somos.
Esta, datada de 1 de Dezembro de 1972, é uma das minhas preferidas.
Olho para ela e vejo muito mais do que uma equipa de desporto escolar. Vejo um grupo de miúdos, unidos por algo simples e verdadeiro. Éramos “Os Terríveis”.
Uma equipa vencedora, mas sobretudo uma equipa de amigos.
Sob o olhar atento e dedicado da nossa treinadora, a Prof.ª Olga Santos — a nossa querida “Olguinha” —, formávamos um bloco coeso. Mais do que treinar, ela ensinava-nos valores: disciplina, respeito e espírito de equipa.
Na fila de cima, da esquerda para a direita:
Olga, treinadora, Emanuel, eu (Ruca) e Henriques.
Em baixo:
António Pinto, Fernando — ou será Victor? Fica o apelo aos amigos para ajudarem a completar esta memória —, Luís Carlos Contreiras Campos, o nosso conhecido Belito Campos e Luciano.
Era desporto escolar, sim. Mas era muito mais do que isso.
Esta imagem simboliza o que de melhor vivíamos antes de 1975. Olhávamos uns para os outros de frente, sem distinções. Nos nossos corações de crianças, nada nos separava. Não havia rótulos. Não havia diferenças que contassem. Éramos apenas amigos.
E isso via-se também fora do campo.
Lembro-me bem de tantos destes dias terminarem em nossa casa. A minha mãe, Júlia, recebia todos com a mesma naturalidade. À volta da mesa, não havia cor de pele. Havia pão partilhado, risos soltos e aquela algazarra boa da infância. Havia amizade — simples, inteira, sem esforço.
O esforço desse dia foi recompensado com a medalha que guardo até hoje, gravada com o nome da nossa terra e a data que nos encheu de orgulho: Cubal, 1 de Dezembro de 1972.
Mas não ficámos por aí. A nossa união levou-nos também à conquista de uma medalha de campeões na corrida de estafetas. Cada um de nós fazia a sua parte — e juntos éramos mais fortes.
Mas, olhando hoje para esta imagem, percebo que a maior vitória não está no metal.
Está no que vivemos.
Recordar “Os Terríveis” é mergulhar numa nostalgia saudável, mas é também um exercício de esperança. Mostra-nos que é possível viver com naturalidade, com respeito, com proximidade verdadeira. Que a diversidade não nos afastava — aproximava-nos.
O Cubal desses anos era feito disso.
De encontros. De mistura. De vida genuína.
E talvez seja isso que mais importa guardar:
a certeza de que já soubemos viver assim… e que essa memória ainda nos pode guiar.
Porque, acima de tudo, fomos — e seremos sempre — colegas de infância e amigos para a vida.
Ruca
Cubal Angola Terra Amada!
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