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11 março 2026

O dia em que o Cubal ganhou voz -A inauguração do Emissor Regional do Cubal – 10 de Junho de 1967


 

MEMÓRIAS DO CUBAL • ARQUIVO HISTÓRICO • 1967

O dia em que o Cubal ganhou voz

A inauguração do Emissor Regional do Cubal – 10 de Junho de 1967
Três fotografias restauradas, um testemunho directo e um dia marcante da história radiofónica do Cubal.

A s imagens que hoje partilhamos têm o poder raro de nos transportar imediatamente para uma época em que a rádio era a principal janela para o mundo.

Com a data 10 de Junho de 1967 orgulhosamente inscrita nas fotografias originais, estas três preciosas imagens, gentilmente cedidas por Fernanda (Nanda) Valadas, mostram-nos os primeiros momentos de um marco histórico: a inauguração do Emissor Regional do Cubal.

As fotografias que aqui publicamos foram cuidadosamente recuperadas e tratadas digitalmente, procurando preservar o ambiente e a autenticidade das imagens originais, ao mesmo tempo que se corrigiram os efeitos naturais do tempo.

Nelas vemos o jovem sonoplasta Acácio Vieira, concentrado no trabalho técnico dentro do estúdio recém-estreado. Botões, mostradores analógicos, discos de vinil prontos a entrar em rotação e o silêncio controlado do estúdio formavam o coração técnico de uma emissão que começava ali a dar voz ao Cubal.

Arquivo Fotográfico • Emissor Regional do Cubal • 10 Junho 1967
Acácio Vieira 
ajustando o equipamento técnico no estúdio do Emissor Regional do Cubal no dia da inauguração – 10 de Junho de 1967.
Mas estas fotografias guardam também uma história humana muito bonita.

O que as imagens não mostram, mas que a memória revela, é que foi precisamente neste ambiente da rádio que Acácio Vieira e Fernanda Valadas se conheceram. O técnico e a futura locutora acabariam por unir os seus destinos, transformando aquele estúdio não apenas num espaço de trabalho, mas também no início de uma história de vida.

Fernanda Valadas recorda com orgulho ter sido a primeira locutora do Emissor Regional do Cubal.

O caminho até ao microfone exigiu preparação e rigor. Durante uma estadia em Benguela, onde foi passar férias a casa da irmã, realizou um período de estágio sob a orientação de António Freire, então responsável pelos locutores do Rádio Clube de Benguela.

Os testes eram exigentes. Gravava-se a voz, ouvia-se a gravação e vinham as correções.

“A pessoa a falar normalmente come sílabas, come palavras. No microfone tem de se dizer tudo como deve ser.”

Com essa preparação, Fernanda iniciaria a sua actividade precisamente no dia da inauguração do emissor, tornando-se assim a primeira locutora do Emissor Regional do Cubal.

Uma escola de rádio no coração do Cubal

O Emissor Regional do Cubal funcionava em estreita ligação com o Rádio Clube de Benguela, beneficiando do apoio técnico e da experiência de profissionais que ali se deslocavam com frequência.

Segundo as memórias partilhadas por Fernanda Valadas, pelo Cubal passaram ou colaboraram vários nomes marcantes da rádio da época, entre eles:

  • António Freire
  • Maria Inês
  • Maria Dinah
  • Gustavo Rosa
  • Linda Rosa
  • Maria de Fátima
  • Francisco Marques da Silva (técnico)
  • Mário Marques da Silva (locutor)

 Jaime Marques de Almeida e António Maia pertencem à memória do arranque do emissor que era também considerado um espaço de aprendizagem. Havia jovens curiosos que ali começavam a descobrir o mundo da rádio, aprendendo com técnicos e locutores mais experientes. Assim se transmitiam conhecimentos e se garantia a continuidade das emissões.

Arquivo Fotográfico • Estúdio do Emissor Regional do Cubal

Acácio Vieira 
junto da mesa técnica e dos gira-discos utilizados nas primeiras emissões da rádio no Cubal.

Um detalhe técnico muito curioso

Ao observar atentamente estas três fotografias restauradas, surge um pormenor particularmente interessante: a mesa técnica visível na terceira imagem é claramente diferente da que aparece nas duas primeiras.

Esse detalhe sugere que o estúdio poderia já contar, naquele tempo, com equipamentos distintos para funções diferentes, nomeadamente uma zona mais ligada à reprodução em gira-discos e outra associada ao controlo principal da emissão.

Mais do que simples retratos de época, estas fotografias acabam assim por constituir também um pequeno documento técnico do estúdio do Emissor Regional do Cubal, ajudando-nos a perceber melhor a forma como aquele espaço estava organizado.

Arquivo Fotográfico • Painel Técnico do Estúdio

Acácio Vieira
Painel de controlo do estúdio do Emissor Regional do Cubal, verdadeiro coração técnico das primeiras emissões radiofónicas da vila.

Ecos da grande rádio angolana

Entre os grandes nomes da rádio angolana dessa época recorda-se também Sebastião Coelho, figura muito popular entre os ouvintes.

Muitos ainda guardam na memória o seu programa nocturno “Café da Noite”, patrocinado pela Casa Campeão. Ficou especialmente gravada na lembrança dos ouvintes a expressão publicitária que lhe era associada e que tantos ainda hoje recordam:

“Aí u é Campeão tem á frutuna na mão.”

Para muitos ouvintes, sobretudo nas noites longas de Angola, aquela voz tornava-se companhia habitual. Esta frase, mantida aqui tal como era dita e recordada, faz parte dessa memória radiofónica popular ligada ao nome de Sebastião Coelho.

Maria Dinah, recordada nestas memórias, viria também a trabalhar com Sebastião Coelho e continuaria mais tarde a sua vida profissional na Venezuela, onde acabou por falecer há alguns anos.

Memórias que continuam a ecoar

Ao longo dos anos, o Emissor Regional do Cubal tem sido um tema recorrente neste espaço. As histórias, testemunhos e fotografias que vão surgindo ajudam a reconstruir a importância que a rádio teve na vida da comunidade.

Para quem quiser continuar a explorar estas memórias, vale a pena revisitar alguns artigos já publicados no blogue:

Estas três fotografias são, por isso, muito mais do que simples imagens antigas. São testemunhos de um dia em que o Cubal ganhou voz nas ondas da rádio.

Fica aqui o nosso agradecimento a Fernanda Valadas, por abrir o seu álbum de fotografias e a sua memória, permitindo-nos partilhar com todos mais este fragmento precioso da história do Cubal.

Que o som destas memórias continue a ecoar.

Nota para os leitores

A memória colectiva constrói-se com muitas vozes. Se algum leitor  desejar corrigir, complementar ou acrescentar informações, nomes, datas, episódios ou pormenores relacionados com o Emissor Regional do Cubal, ficaremos muito gratos pela sua partilha.

Cada contributo ajuda a enriquecer e preservar esta história que pertence a todos.

Se preferir, pode também enviar informação através da página do blogue no Facebook.

DOCUMENTO DE MEMÓRIA • CUBAL ANGOLA TERRA AMADA

Atualização — Memórias acrescentadas pelos leitores

Após a publicação deste artigo no blogue e a sua partilha na página do Cubal Angola Terra Amada no Facebook, chegaram novos comentários e testemunhos que ajudam a enriquecer a memória do Emissor Regional do Cubal.

Entre essas partilhas, a nossa amiga Tucha Garcia, que trabalhou na rádio, recorda com emoção alguns dos nomes que marcaram aquela época e que foram para ela verdadeiros mestres:

  • Acácio Vieira
  • Marques da Silva
  • Fernando Henrique Pires
  • Liliana Sousa

Mais tarde, recorda também a presença de Jaime Marques de Almeida, que participava nas emissões noturnas, nomeadamente no programa “Boa Noite”.

Aos domingos era transmitido o programa “Um Domingo em São Francisco”, apresentado por Fernando Henrique Pires.

Segundo os testemunhos agora reunidos, passaram também pelo emissor ou colaboraram nas suas emissões nomes como:

  • Fernanda Valadas
  • Lurdes Morais
  • Anabela Espinha
  • Arlindo Faial
  • Liliana Sousa

Outro dado importante foi acrescentado pelo nosso amigo Fernando Henrique Pires, que recorda que, após a saída de Marques da Silva, a direção do emissor foi assumida por Rodrigo Guerra, conhecido entre amigos como “Bibito Guerra”.

Segundo as memórias partilhadas, Bibito Guerra era uma presença muito atenta no funcionamento da rádio, acompanhando de perto o trabalho dos colaboradores e ajudando a manter o rigor das emissões.

Entre os comentários recebidos, surgiram também referências a outros episódios e pessoas ligadas à vida cultural do Cubal, como recorda Maria De Abreu, mencionando familiares seus ligados ao meio musical do Clube Ferrovia.

Outro contributo importante surge ligado a um artigo anterior do blogue, O Baú de Memórias do António Pereira.

Nesse testemunho, foi esclarecido que António Pereira não trabalhou diretamente no Rádio Clube, tendo sido apenas um orgulhoso sócio da instituição. Quem de facto deu voz à estação foi o seu cunhado, Rui Serpa, que exerceu funções como locutor.

Fica igualmente registado que Rui Serpa e o seu irmão Alcino Serpa vivem atualmente no Cubal, mantendo assim uma ligação viva à terra onde esta história se desenrolou.

Cada comentário recebido acrescenta um novo fragmento a esta memória coletiva.

É precisamente assim que a história do Cubal continua a ser reconstruída: através das lembranças de todos aqueles que viveram estes tempos.

Um arquivo vivo de memórias

O objetivo do Cubal Angola Terra Amada é preservar e reunir as memórias de todos aqueles que viveram, trabalharam ou passaram pelo Cubal.

Se algum leitor desejar corrigir, complementar ou acrescentar informações, nomes, datas ou episódios relacionados com o Emissor Regional do Cubal, ficaremos muito gratos pela sua partilha.

Cada contributo ajuda a enriquecer e a preservar esta história que pertence a todos.


Ruca
Cubal Angola Terra Amada!
https://cubal-angola.blogspot.com

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14 fevereiro 2026

Ecos de folia e saudade: O inesquecível Carnaval cubalense

 O Baú da Folia: Recordar o Carnaval no Cubal 

É tempo de Carnaval e, como manda a tradição neste nosso cantinho de memórias, o passado volta a ganhar cor e vida. Desta vez,  a nossa querida amiga Fernanda Valadas (Nanda) que, não querendo deixar passar esta época festiva em branco, abriu o seu álbum pessoal para nos brindar com excelentes testemunhos que engrandecem a história cubalense.

São imagens que nos transportam para dias de riso fácil, de mascaradas criativas e daquela alegria genuína que se vivia no Cubal. Vamos fazer uma viagem
no tempo, guiados por estas relíquias fotográficas.


Fernanda e Margarete - 1958]
Recuamos até ao dia 18 de Fevereiro de 1958. A fotografia, com aquela patine do tempo que tanto gostamos, mostra-nos a Fernanda Valadas, então com 9 anos, e a pequena Margarete (Letinha), com apenas 3 aninhos. Havia um encanto especial na forma como as crianças viviam o Entrudo, vestidas a rigor, num tempo em que a brincadeira era a coisa mais séria do mundo.
Cidália e Fernanda - 1966]



Fernanda Valadas - 1966


Damos um salto para a década seguinte, a vibrante década de 60. Estamos no dia 5 de Fevereiro de 1966, num dos famosos "assaltos carnavalescos" — aquelas festas espontâneas que animavam as noites da nossa terra. Desta vez, o palco foi a casa do Inspetor Marques Monteiro. Nas imagens, vemos a Cidália e a Fernanda, e num outro registo, a Fernanda a posar a solo, encarnando o espírito folião da juventude da época.

Grupo Musical Improvisado - 1966

A festa continuou no dia seguinte, 6 de Fevereiro de 1966, no mesmo local. A animação era tal que se formou um verdadeiro conjunto musical improvisado! Nesta magnífica foto de grupo, reconhecemos a Cidália, a Dolly, a Nanda Valadas, a Fernanda Silva, a Teresa Almeida e a Fátima Proença. E, a completar o quadro com um ar doce, a pequenita Auzenda Silva. Momentos de pura camaradagem que ficaram eternizados.

Futebol de Salão e troca de 'galhardetes' - 1966

Ainda em Fevereiro de 1966, especificamente no dia 22, o desporto juntou-se à brincadeira. O Cubal assistiu a um jogo de Futebol de Salão Feminino entre o Instituto Liceal e o Académico. A imagem capta o momento hilariante da "troca de galhardetes" (que, como se vê, eram bem originais!). Vemos a Nanda Valadas, o Sr. Correia e a Locas, com a Fátima Proença em segundo plano.


Grupo misto  - 1967

Um ano depois, a 7 de Fevereiro de 1967, o Carnaval continuava a unir as gentes. Esta bela imagem, gentilmente ofertada pelo Necas, mostra-nos o Maia, a Nanda Valadas, o Carlos Canais,  Cidália  e Necas.

Margarete e Beto - 1972

Avançamos para a década de 70. Nesta imagem de 1972, vemos a Margarete (Letinha) Valadas e o Beto, de saudosa memória. Os trajes mudam, a moda evolui, mas o olhar cúmplice e a alegria da festa permanecem intocáveis.



Família Valadas no Clube - 1973

Terminamos esta viagem no Carnaval de 1973, no coração social da nossa terra: o Clube Recreativo. Vemos a Família António Valadas no salão de festas, aquele espaço que foi palco de tantos romances, amizades e noites inesquecíveis.

Um agradecimento muito especial à Fernanda Valadas por partilhar connosco este tesouro. É através destas imagens que o Cubal continua vivo nos nossos corações. - ruca

💬 Comentários e Memórias

02 fevereiro 2026

O palco da infância: Elsa Pais e Álvaro Ferreira numa récita dos anos 50

Elsa Pais e Álvaro Ferreira. 
Foto: Zé Carlos Ferreira

Recuamos hoje aos dourados anos 50, a um tempo em que o Cubal também se vestia a rigor para a cultura e para a festa. Esta fotografia, uma relíquia cedida pelo Zé Carlos Ferreira, transporta-nos para o cenário de uma récita infantil, onde duas crianças posam com a seriedade solene que o momento exigia.

Eles são a Elsa Pais e o Álvaro Ferreira. Ela, num vestido de folhos impecável, com o cabelo arranjado ao pormenor; ele, aprumado com o seu lenço ao pescoço, talvez encarnando um camponês ou uma figura folclórica numa peça de teatro escolar.

A imagem, contudo, traz consigo um misto de beleza e de saudade profunda. Nos comentários que acompanham esta memória, o Zé Carlos Ferreira recorda com emoção o seu "querido e saudoso irmão Álvaro", evocando também a beleza da Elsa, uma "miúda lindíssima" que marcou a sua geração.

A caixa de comentários acabou por se tornar, também ela, um lugar de homenagem e despedida. A Fernanda Valadas Vieira trouxe a notícia que o tempo, implacável, se encarregou de escrever: a Elsa, tal como a restante família Pais (incluindo o Alexandrino, a Lila e o Zeca), já partiu há muitos anos. Foi um momento de revelação dolorosa para a Tucha Garcia, que finalmente compreendeu o silêncio das cartas que deixaram de ter resposta: "Paz à tua alma, Elsa".

Esta fotografia deixa de ser apenas um registo de uma festa escolar para se tornar um monumento à memória deles. Ficam os fatos de gala, o brilho nos olhos e a certeza de que, no álbum do Cubal, eles serão sempre aquelas crianças prontas para entrar em palco, sob os aplausos de uma terra que não os esquece.

-ruca

Créditos:
Foto cedida por: Zé Carlos Ferreira
Informação histórica: Fernanda Valadas Vieira

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01 fevereiro 2026

Parece que foi ontem: A juventude do Cubal num retrato eterno

 


Jovens do Cubal

Há frases que resumem tudo, e o comentário da Ana Bela Faustino nesta fotografia diz o essencial: "Parece que foi ontem". Ao olharmos para este grupo de jovens do Cubal, congelado no tempo pela objetiva de uma máquina fotográfica, é impossível não sentir a energia vibrante de uma geração que cresceu entre a liberdade da terra e a força das amizades que duram uma vida inteira.

A imagem, mais uma partilha preciosa da Fernanda Valadas, funciona como um puzzle de afetos. Nos comentários, os amigos reuniram-se para devolver a identidade a cada rosto, num exercício coletivo de memória que é tão bonito quanto a própria foto.

Lá estão eles, alinhados com a moda da época e o sorriso pronto. De pé, reconhecemos figuras como o João Proença e a Milena, a Mibel (que a Fernanda fez questão de retificar, para que a memória não falhe), a Celeste, a Lília, a Betinha e a própria Ana Bela Faustino.

Em baixo, com a descontração típica de quem se sente em casa, o grupo completa-se com o Álvaro, o Pires, o Sampaio, o João Silva e o Nando Vaz. A pose do rapaz em primeiro plano, de braços abertos, parece querer abraçar o momento, segurando aquela alegria para que não fugisse.

O João Mário Campanha resume o sentimento geral com uma única palavra: "Saudades". E é verdade. A saudade não é apenas das pessoas, mas daquele Cubal onde estes laços se formaram. Onde cada festa, cada encontro e cada fotografia eram vividos com uma intensidade que hoje, à distância de décadas, ainda nos aquece o coração.

Que esta imagem sirva para recordar não apenas os nomes, mas o espírito de uma juventude que o tempo não conseguiu apagar.

-ruca

Créditos:
Foto cedida por: Fernanda Valadas Vieira
Colaboração na identificação: Ana Bela Faustino, António Lopes Mendes


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As ondas do rádio e as árvores de macarrão: O inesquecível Alexandrino Pais


 

Alexandrino Pais.

Há figuras que, mais do que habitar um lugar, tornam-se parte da sua própria alma. No Cubal, terra de gente com memória forte, o Alexandrino Pais foi um desses rostos que dispensam apresentações. A fotografia, gentilmente cedida pela Nanda Valadas, devolve-nos um desses instantes perfeitos: o Alexandrino, de camisa aberta e ar descontraído, segurando aquele rádio portátil como quem segura o mundo nas mãos.

Era uma "figura caricata", como dizem com carinho os amigos, mas acima de tudo era um mestre do improviso e da boa disposição. O rádio que exibe na imagem não era apenas um aparelho; era talvez a extensão da sua própria vontade de comunicar, de trazer as "notícias frescas" que a Tucha Garcia recorda com tanta saudade. Ele tinha o dom de arrancar gargalhadas, transformando o quotidiano numa comédia viva.

Mas o que seria do Cubal sem as suas lendas urbanas (ou rurais)? A Maria Helena Carvalho recordou, e bem, a faceta mais fantasiosa do Alexandrino: a célebre plantação de macarrão. Com a maior seriedade do mundo, era capaz de convencer os mais incautos de que possuía árvores de macarrão com cinco metros de altura. Era preciso ter arte para contar estas histórias sem se desmanchar a rir, mantendo a plateia suspensa na dúvida entre a verdade e a galhofa.

O Celestino Alves Geral, seu "sócio" nestas andanças, lembra-se bem dessa postura. Quando apareciam forasteiros ou pessoas que não conheciam as manhas da terra, o Alexandrino não gaguejava. Vestia a pele de grande fazendeiro e discorria sobre os assuntos da lavoura imaginária com uma convicção tal que a ficção se tornava, por momentos, realidade.

Esta imagem a preto e branco é um bilhete de regresso a esse tempo. Um tempo em que a rádio tocava as músicas da moda, em que se conversava nas esplanadas e em que figuras como o Alexandrino Pais davam cor aos dias do Cubal, provando que a vida se deve levar com leveza e, sempre que possível, com um sorriso nos lábios.

-ruca

Créditos:
Foto cedida por: Nanda Valadas


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15 janeiro 2026

Junho de 1964: os livros na mão e o carreiro que todos pisámos


Junho de 1964: os livros na mão e o carreiro que todos pisámos

Cidália e Fernanda Valadas
 Junho de 1964. Foto captada por Canais.

Esta imagem de Junho de 1964 é um mapa vivo de uma juventude passada no Cubal, revelando um cenário que muitos, hoje, já não conseguem reconhecer. Através da lente do saudoso Canais, recuamos seis décadas para encontrar um tempo de simplicidade e de caminhos partilhados.

No centro da cena, vemos a Cidália e a Nanda regressando das aulas. Naqueles dias, não havia o conforto das mochilas ou das sacolas modernas; os livros eram transportados assim, com a firmeza de quem carrega o próprio futuro na mão. Vinham do Instituto Liceal, que se vislumbra lá ao fundo, marcando o horizonte da educação de tantos cubalenses.

"O olhar atento da Fernanda devolve-nos a vizinhança de então..."

O olhar atento da Fernanda devolve-nos a vizinhança de então: à esquerda, a casa da família Lousa; à direita, a morada da família Coelho, onde cresceram a Alexandrina e a Esmeralda. À nossa frente, no carreiro onde quase todos os cubalenses passaram, caminha de costas o rapazinho Henrique Faria, alheio ao clique que o tornaria eterno nesta memória.

Este terreno, que na foto parece apenas um espaço baldio, carrega uma importância histórica profunda para o Cubal. Era aqui que se ergueria, mais tarde, a nova igreja. À esquerda, ficava a igreja velhinha, que acabou por ser demolida, mas que permanece viva na lembrança de quem lá viveu os seus primeiros sacramentos.

Mais do que um simples registo de duas amigas num caminho de terra, esta fotografia é o testemunho de uma comunidade que se construía no dia a dia, entre as idas à escola e os encontros casuais na rua. É o Cubal na sua essência: feito de gente, de afetos e de memórias que, graças à generosidade da Nanda, continuam a iluminar o presente.

— Ruca

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10 janeiro 2026

1965. Três amigas. Três cubalenses. Um tempo suspenso.

 

1965: Um tempo suspenso no Cubal


Marília Moreira, Fernanda Silva e Fernanda Valadas. 

Cubal, 1965

Há fotografias que não envelhecem; apenas aguardam, pacientemente, que alguém as volte a olhar com a devida atenção. Esta é, sem dúvida, uma delas.

Em 1965, no nosso Cubal, três jovens mulheres posam juntas, envolvidas pela simplicidade de um cenário natural e pela cumplicidade silenciosa que só a amizade verdadeira sabe tecer. São Marília Moreira, Fernanda Silva e Fernanda Valadas, capturadas no pleno vigor da idade, num tempo em que a vida parecia larga, aberta e quase infinita.

"O olhar de cada uma segreda algo distinto. Há serenidade, há confiança e há aquela expectativa doce de quem tem o futuro pela frente."

Naquele instante, não podiam prever o que o tempo lhes traria, nem os caminhos que a história reservava a cada uma. Sabiam apenas que estavam ali, juntas, num momento que lhes parecia comum, mas que hoje se revela um tesouro precioso da nossa memória coletiva.

A imagem dispensa gestos grandiosos. Basta a proximidade, a naturalidade das expressões e a forma como a juventude se manifesta sem poses ensaiadas. É o Cubal vivido por dentro — um Cubal feito de relações humanas, de afetos genuínos e de dias partilhados sem pressa, sob o céu de Angola.

A Nanda Valadas, ao partilhar connosco esta memória, oferece muito mais do que uma imagem: devolve-nos um pedaço da alma cubalense. São estes fragmentos de vida, que raramente aparecem nos livros de história, que constroem a verdadeira identidade de uma terra.

Que este retrato fique aqui guardado, neste nosso cantinho de saudade, como prova de que o Cubal também se fez assim: de amizades sólidas, de juventude vibrante e de momentos breves que o tempo, por mais que passe, nunca conseguirá apagar.

Obrigado, Nanda, por nos lembrares que a memória, quando é partilhada, permanece sempre viva.

— Ruca

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31 dezembro 2025

Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1959

 

Dora Vilar, Lisete, Sebastiana, Chico e Olga Valadas.

Chegamos ao último capítulo desta série de memórias partilhadas pela nossa querida Fernanda Valadas. Após os registos de 1956, 1957 e 1958, fechamos a década com esta imagem de 1959, ainda no ambiente festivo do Antigo Recreativo do Cubal, quando o Ferrovia ainda não existia e as passagens de ano se viviam com simplicidade e encanto.

Nesta fotografia identificam-se, conforme indicação da Fernanda:
Dora Vilar, Lisete, Sebastiana, Chico e Olga Valadas.

Os vestidos claros, o sorriso tímido, o ar descontraído do Chico — são detalhes que nos transportam para um Cubal de música, de família e de festa. As fotografias desta série não são apenas registos; são fragmentos vivos da nossa memória colectiva.

Com esta publicação, concluímos a sequência oferecida pela Fernanda Valadas (1956-1959), que tão generosamente partilhou estas imagens preciosas. Que fiquem guardadas aqui como testemunho de um tempo que marcou vidas e deixou saudade.

Que o brinde de 1959 ecoe hoje também em nós. 🥂✨

Feliz Ano Novo!!!

Ruca


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno1959 #MemóriasDoCubal #ArquivoHistórico

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Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1958

Damos mais um passo nesta viagem pelas memórias familiares enviadas pela nossa amiga Nanda, que tem sido uma ponte preciosa entre o Cubal que foi e o que preservamos hoje. Depois dos registos de 1956 e 1957, chegamos ao Réveillon de 1958, ainda no Antigo Recreativo do Cubal, numa época em que o Clube Ferrovia ainda não existia.

A cada fotografia sentimos que o tempo regressa. Os vestidos a condizer, as flores ao peito, a alegria discreta e elegante das festas de fim de ano. A infância, a juventude, a família – tudo respira vida.


📷 Imagem 1


Olga, Lisete, ??, António Valadas e ??
Hernâni Cabral, disse: 
Olga, Lisete, Albano (irmão do barbeiro Moura), António Valadas e António Querido (pai da falecida Ondina Querido).

Posada e serena, destaca-se a elegância simples do vestir e o ar orgulhoso de quem marca presença na grande festa de fim de ano. 

📷 Imagem 2


Ilda, Matos, Olga, Garruço (encoberto), Nanda e Chico Valadas

Cenário festivo, copos erguidos e cumplicidade à volta da mesa. As expressões vivas e espontâneas fazem desta imagem um fragmento rico em emoções.

📷 Imagem 3


Olga, Augusta Mota e Lisete

Um retrato feminino que espelha moda, juventude e alegria. As flores nos vestidos e o olhar confiante reforçam o espírito da época.

De seguida, partilharemos o registo de 1959, encerrando este ciclo de memória oferecido pela Fernanda. Que estas imagens continuem a unir quem viveu, quem recorda e quem deseja conhecer a história afectiva do Cubal.

Ao Cubal, ao passado e a quem o mantém vivo. 🥂✨

Ruca


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno1958 #MemóriasDoCubal #ArquivoHistórico

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30 dezembro 2025

Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1957

Caros amigos cubalenses e amigos do Cubal,

Prosseguindo esta viagem pela década de memórias enviada pela nossa sempre presente Fernanda Valadas, chegamos ao ano de 1957, onde a passagem de ano surge em ambiente de festa, sorrisos e brilho juvenil. Depois do registo publicado referente a 1956, hoje partilhamos duas fotografias que nos aproximam ainda mais da vida familiar cubalense daquela época.

É reconfortante observar como o tempo permanece guardado em pequenos gestos: os vestidos engomados, os laços cuidadosamente colocados, o olhar curioso das crianças e o brinde levantado com esperança num novo ciclo. As imagens falam, e o Cubal volta a viver nelas.

No Antigo Recreativo do Cubal, numa época anterior à existência do Clube Ferrovia.

📷 Foto 1 – O Brinde

Na primeira imagem, segundo indicação da Fernanda, reconhecemos:
António Valadas, Idalina Mendes, Lisete Valadas e Maria Sampaio.
Os copos erguem-se, os sorrisos surgem e o ambiente de festa é evidente. Cada olhar é um testemunho silencioso de um tempo em que celebrar significava reunir família e amigos, partilhar mesa, música e alegria simples.

📷 Foto 2 – Em Família


Na segunda imagem identificam-se:

António Valadas, Vitorino, Olga, Anita e o primo Vítor, ainda menino, com o olhar atento de quem absorvia tudo à sua volta. As garrafas e copos distribuídos pela mesa remetem-nos para o ritual festivo tão típico da época — onde os adultos brindavam e as crianças espreitavam o futuro com olhos grandes.

Estas imagens representam mais do que um registo fotográfico. São parte da nossa história coletiva — afetos preservados no tempo pela Fernanda, agora partilhados com todos nós. Assim seguimos, ano após ano, reconstruindo memórias do Cubal.

Em breve partilharemos as fotografias de 1958 — três registos que mostram novos momentos desta mesma família e deste mesmo Cubal que não se apaga.

Que estas memórias continuem a unir quem viveu, quem recorda e quem hoje deseja conhecer a história afetiva desta terra que tanto amamos. 🥂✨


#CubalAngolaTerraAmada #MemóriasDoCubal #PassagemDeAno1957 #ArquivoHistórico

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Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1956

Passagem de Ano no Cubal – 31 de Dezembro de 1956

Caros amigos cubalenses e amigos do Cubal,

Ontem foi dia de tristeza, com a partida do nosso corredor e amigo João Carona. Não é simples escrever sobre festas quando o coração ainda está apertado, mas a memória tem esta forma de consolar – recordando-nos que também houve alegria, música, família e encontros que nos continuam a definir. Honrar quem parte é continuar a cuidar do que permanece.

Hoje iniciamos uma nova viagem ao passado, graças à generosidade da Fernanda Valadas, que, mesmo vivendo longe, nas terras escocesas que agora chama casa, tem sido presença próxima. O seu carinho pelo Cubal e o empenho em preservar recordações fazem dela um apoio essencial para mantermos este blogue vivo e atualizado. Os documentos e fotografias que nos envia não são apenas imagens – são pontes, afetos e tempo recuperado. Por isso, o meu sincero obrigado.

A fotografia que hoje partilhamos é da Passagem de Ano de 1956, e, como refere a Fernanda, realizada no Antigo Recreativo do Cubal, numa época anterior à existência do Clube Ferrovia. Identificam-se na imagem:

António Valadas (pai), Ilda lá atrás,  Mendes, D. Olinda, Olga Valadas, Nanda e Anita.

Um registo que nos devolve um Cubal familiar e sereno: vestidos engomados, laços cuidadosamente colocados, expressões sérias para a câmara e a elegância discreta de quem celebrava com simplicidade e união. Um retrato que atravessou quase sete décadas para chegar até nós intacto na emoção.

Este será o primeiro de quatro anos que iremos partilhar em série, com mais imagens enviadas pela Fernanda:

  • 📌 1956 – 1 fotografia
  • 📌 1957 – 2 fotografias
  • 📌 1958 – 3 fotografias
  • 📌 1959 – 1 fotografia

Cada imagem, uma memória.
Cada memória, uma história.
Cada história, um pedaço do Cubal que não deixamos morrer.

Que este brinde de 1956 seja o início de uma bela viagem através da década que se seguiu.
💛 Ao Cubal que fomos, ao Cubal que guardamos.


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno #MemóriasDoCubal #ArquivoFotográfico

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04 dezembro 2025

Parabéns Toninho Valadas! Recordar os teus 20 anos no Cubal (1957)

 

Hoje, dia 4 de dezembro de 2025, é dia de festa! O nosso amigo Toninho Valadas celebra mais um aniversário. Para assinalar esta data tão especial, a sua irmã, Fernanda Valadas, abriu o álbum de família e presenteou-nos com três testemunhos fotográficos belíssimos.

Estas imagens levam-nos numa viagem direta até 4 de dezembro de 1957. Faz hoje exatamente 68 anos que o Toninho celebrava, rodeado de amigos e família, os seus 20 anos de idade na nossa terra amada, o Cubal.

Foi uma festa animada, "lá em casa", e estas fotos são publicadas hoje com um duplo propósito. Primeiro, para enviar um grande abraço de parabéns ao Toninho, desejando-lhe muita saúde e alegria neste dia.

Segundo, para recordar e homenagear o grupo fantástico que aparece nestas imagens. São registos de um tempo feliz, onde vemos a juventude do Cubal em pleno convívio. Olhar para estes rostos é, também, um ato de saudade e respeito, pois algumas destas raparigas e rapazes já não se encontram entre nós, mas continuam vivos na nossa memória coletiva e na história da nossa terra.

Recordamos quem fez parte deste dia inesquecível:

🪗 A música e a Animação


Nesta foto com o acordeão, vemos a boa disposição do grupo:

Van der Kellen, Telmo, Cassiano, Becas, o aniversariante Toninho Valadas e António Valadas.


🥂 O Brinde aos 20 Anos

À volta da mesa, um grupo numeroso a celebrar o momento:
Becas, Valadas, Lisete, Olga, Isaura, Matilde, Filomena, Júlia, Anita, Arlete, Paula, Augusta e o Toninho.


📸 Família e amigos de todas as idades

Neste registo que junta várias gerações do Cubal:
  • Os Adultos e Jovens:
    Custódia, Lurdes, Dália Botelho, Ilda Fonseca, Isaura Mendes, Olga Valadas, Matilde Mendes, Filomena Cardoso, Graciete Cabral e o Toninho.
  • As Crianças:
    Olguita Valadas (prima), Letinha, Elga, Gena Queiros, Ziza Sampaio, Manuel Sampaio e, em primeiro plano, o Zé Carlos Matos.

Que estas imagens tragam boas recordações a todos os cubalenses e, acima de tudo, que o dia de hoje seja muito feliz para o aniversariante.

Muitos Parabéns, Toninho!

Ruca/Nanda

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14 julho 2025

Um batizado no Cubal: Memórias, fé e a marca do tempo nas nossas tradições - 15-01-1966



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Duas fotografias preciosas, partilhadas pela nossa  Nanda Valadas, que nos transportam para um dia de celebração e convívio no Cubal: um batizado, repleto daquela juventude que tanto animava a nossa vila.

Estas imagens não são apenas registos de um evento religioso; são retratos de pessoas, de laços e de uma cultura. A protagonista deste dia especial, a bebé Maria José, a Zezinha, que fará 60 anos em agosto próximo, tinha apenas quatro meses quando foi batizada. É fascinante ver como o tempo passa e estas fotos nos permitem regressar àquele momento de inocência e alegria.

Na primeira foto, a Nanda ajuda-nos a identificar um grupo de pessoas queridas. Vemos o Fernando Santana ( Santanita), e o António Maia. Ali está também o Fernando Van der Kellen (Cabolas), e claro, a própria Nanda Valadas com a sua afilhada bebé Maria José. Reconhecemos ainda a Locas Almeida e a saudosa Cidália, que infelizmente já nos deixou. O Padre Zé está presente a celebrar o sacramento, e podemos ver o pai da bebé, o Juca Branco, de costas, e também a irmã do Padre Zé, Mariazinha, ali mais atrás. É uma fotografia que irradia a atmosfera familiar e de comunidade.

Depois, na segunda foto, a Nanda continua a trazer-nos os nomes: o Vítor Rodrigues "Algarvio", novamente o Cabolas, a bebé e a Nanda Valadas, a Locas Almeida, a Anabela Faustino, o Padre Zé e o Juca Branco, o pai. Como sublinha a Nanda, "a foto não é somente  o batizado que interessa, mas também,   as pessoas que lá estão". E que pessoas! Um verdadeiro mosaico da nossa comunidade de então.

Há uma particularidade que a Nanda faz questão de realçar e que nos remete para as tradições daquele tempo: a forma como "nós, Mulheres, usávamos o véu, a mantilha". Ela explica que, apesar de o Papa Paulo VI ter abolido o uso do véu em 1965, foi difícil largar esse costume, tanto que a própria Nanda se recorda de usar o véu na Igreja ainda em 1968. Como ela refere, hoje em dia, as gerações mais novas "nem sabem o que isto é, porque é que usam o véu", mas para nós, era um sinal de respeito e fazia parte da nossa cultura. A mulher, ao entrar na igreja, tinha de usar a mantilha.

Todo este batizado se deu numa grande festa na casa do Juca Branco, onde "os jovens estavam lá todos". Dá para sentir a alegria e a energia que emanava daquele convívio.

Um agradecimento enorme à Nanda Valadas por partilhar estas preciosidades e por nos guiar através delas com as suas memórias tão detalhadas. São estas partilhas que nos permitem reviver e compreender melhor o Cubal de antigamente.

Ruca

💬 Comentários e Memórias

13 julho 2025

Uma janela para o nosso passado: O Sisal do Cubal -Angola nos Anos 50

1950 - Fazenda Caviva ou Fazenda Elisa - confirmada que é Fazenda Elisa (vidé adenda infra)

Esta imagem que a Nanda Valadas tão generosamente nos oferece é mais do que uma simples fotografia; para mim, é um portal para a Angola dos anos 50, uma época de intensa atividade agrícola e tantas transformações sociais. Ela captura um momento crucial na plantação de sisal – a fase do corte das folhas –, e o mistério em torno da sua localização exata, seja a Fazenda Caviva ou a Fazenda Elisa, apenas acrescenta um charme instigante a esta peça histórica. Aquele(s) monte(s) ao fundo é um elemento identificador que certamente provocará a memória e o conhecimento de muitos de vocês, despertando um debate rico e participativo.

O sisal, introduzido em Angola no início do século XX, ganhou uma relevância económica enorme, especialmente a partir da década de 1940. A sua fibra, resistente e versátil, era amplamente utilizada na produção de cordas, sacos, tapetes e outros produtos essenciais para a indústria e o comércio mundial. Fazendas como a que vemos aqui eram, sem dúvida, verdadeiros pilares da economia colonial, empregando centenas, por vezes milhares, de trabalhadores e moldando paisagens e comunidades.

Consultando o estudo "A Agricultura Tradicional em Angola nos anos 60 do século XX" da Alexandra Guillemin de Matos e Silva Neves, que encontrei por pesquisa, compreende-se melhor  o contexto desta atividade. Embora o estudo se foque nos anos 60, ele oferece uma visão abrangente da estrutura e da importância da agricultura no período colonial, para além da agricultura tradicional. A monocultura do sisal, embora economicamente pujante, trouxe consigo desafios e complexidades sociais, económicas e ambientais, temas que merecem a nossa reflexão histórica.

Esta imagem, com os seus trabalhadores curvados sobre as plantas, o esforço visível e a paisagem ao fundo, convida-me a uma viagem no tempo. Desperta não só a curiosidade sobre a técnica de corte do sisal – um trabalho árduo e manual – mas também sobre as vidas daqueles que dedicavam os seus dias a esta laboriosa tarefa. Que histórias teriam aquelas pessoas? Que sonhos acalentavam?

Para muitos de nós, tenho a certeza, esta fotografia será um gatilho para a "saudade" – a palavra tão portuguesa que encapsula um misto de nostalgia, afeto e um certo anseio por um tempo que já não existe. Saudade das paisagens, dos cheiros, dos sons das fazendas, da convivência, e de um Cubal/Angola que, embora distante no tempo, permanece viva na nossa memória e nos nossos corações.

Por isso, convido todos vocês, meus amigos leitores cubalenses e não só, a partilhar as vossas memórias, conhecimentos e, quem sabe, a desvendar o mistério da localização desta fazenda. Que este debate enriqueça ainda mais a já tão valiosa missão do nosso blogue, de preservar e divulgar a rica história de Cubal e de Angola.

Muito obrigado, Nanda Valadas, por partilhares mais esta relíquia. E a todos vocês, por fazerem parte desta comunidade tão especial!

Saudações

Ruca

[INÍCIO DA ADENDA/NOTA]

Atualização e Confirmação de Localização: A Fazenda Elisa

É com grande satisfação que podemos agora confirmar e detalhar o local exato desta histórica fotografia! Graças à valiosa contribuição do João Abreu, um dos nossos atentos e conhecedores leitores , ficamos a saber que esta plantação de sisal é, de facto, na Fazenda Elisa.

Para quem conhece a zona, o João Abreu elucida que a fazenda se localiza "antes de chegar à sede quando se desce a reta que vem do Cubal e fica do lado direito." E o tal morro que procurávamos identificar, aquele elemento que pensámos que poderia ser uma boa pista, é precisamente o que "divide a fazenda do Sr. Matos (Membassoko ou Marco de Canaveses) e a Fazenda Elisa", onde o próprio João Abreu nasceu, e onde também viveram o Chico Valadas e muitas outras pessoas. Ficamos a saber que esta foto foi tirada precisamente na época do corte da folha, o que reforça o momento de trabalho intenso que já tínhamos destacado.

A estas palavras juntam-se as memórias do Armando Cardoso, que em 1966 trabalhou algum tempo na Fazenda do Sr. Matos, Membassoko, mostrando como estas terras estavam interligadas pelo labor do sisal.

E a São Prates reforça a dimensão da presença do sisal na região do Cubal, mencionando as fazendas Ramieira, Fazenda Elisa, Caviva e Malongo. As suas palavras ressoam com uma verdade inegável: "O Sisal, era dono e senhor dessas belas terras.... Eram extensões de plantações de Sisal que se perdiam de vista, e que davam emprego a centenas de trabalhadores. O Sisal, era uma das riquezas do País". A sua frase final, "E tudo o vento levou.....", traz um tom melancólico, mas profundamente real, sobre as mudanças que o tempo trouxe a estas paisagens e a esta atividade que foi tão vital.

Com estas achegas, a nossa imagem ganha ainda mais profundidade e contexto, permitindo-nos "visitar" este pedaço de Angola com um mapa mais completo nas mãos. A todos os que contribuíram, o meu mais sincero obrigado! A vossa participação é o que torna o nosso blogue um verdadeiro arquivo vivo de memórias.

[FIM DA ADENDA/NOTA]

Ruca

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10 julho 2025

Cubal em festa e emoção – Um retrato da nossa gente - 6 de Fevereiro de 1966

vamos identificar?

 

No dia 6 de Fevereiro de 1966, o Cubal foi palco de uma verdadeira celebração – um dia em que o coração da nossa terra se uniu para se despedir de um homem que representava a ordem e a tradição militar do Cubal, o Alferes Barros. Esta imagem que hoje partilhamos no blogue “Cubal Angola Terra Amada” vai muito além de um simples registo fotográfico; é um testemunho vivo de um capítulo marcante na história da nossa comunidade.

A fotografia, conforme a mensagem carinhosa recebida da Fernanda Valadas, eterniza um momento de emoção e festa no Clube Ferrovia do Cubal. Ali reuniram-se dezenas de cubalenses, pessoas que ao longo dos anos se tornaram família, amigos e vizinhos. Entre os que se destacam estão nomes que hoje permanecem na memória colectiva e que fazem parte do nosso quotidiano, demonstrando a forte identidade e coesão dos nossos valores.

Naquele dia, a despedida não foi apenas do Alferes Barros, o comandante do destacamento militar, mas também de outros militares que, cumprindo a sua missão, se preparavam para regressar ao continente Português. O ambiente no Clube Ferrovia era de uma energia inconfundível – uma mistura de orgulho, nostalgia e esperança, onde cada rosto contava uma história e cada sorriso era uma promessa de recomeço.

Os ecos dessa festa permanecem vivos na memória dos que estiveram presentes e nos relatos de quem, como a Fernanda, guarda com carinho os detalhes de cada instante. A imagem capta o movimento de um grupo tão numeroso e diverso que os nomes se perdem na multidão, mas a essência desta despedida permanece gravada na alma do Cubal: a certeza de que cada adeus é também um novo começo, e que a nossa terra amada está sempre em movimento, rumo ao futuro.

Partilhamos esta narrativa com o propósito de preservar a história e a identidade do Cubal, num tributo à memória daqueles que construíram, com coragem e determinação, os alicerces da nossa comunidade. Que esta recordação seja uma ponte entre o passado e o presente, inspirando-nos a continuar a trilhar o mesmo caminho de fé, união e progresso que sempre caracterizou o nosso Cubal.


NB: tantos amigos /conhecidos. Quem identifica? Vamos lá puxar por essa memória coletiva


Ruca


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Sabores do Cubal: Uma manga, dois sorrisos, 1968

Nanda e Vítor Rodrigues ( algarvio )

 🍃 Uma manhã como poucas, daquelas que parecem parar o tempo. Em pleno Cubal, a 4 de agosto de 1968, Nanda Valadas partilha este instante especial — colhido direto da árvore, uma manga que diz tudo sem precisar de palavras. Ao lado, o Vítor Rodrigues (algarvio), cúmplice de sorrisos e memórias que o tempo não apaga.

👒 Vestidos de leveza e alegria, os dois parecem saborear  o fruto tropical, envoltos na paisagem que marcou gerações. 

📸 Mais que uma foto, este registo é um tributo à simplicidade e à beleza dos momentos vividos em Cubal — uma terra amada, onde cada manhã tem sabor próprio e cada rosto conta um pedaço da nossa história.

Ruca

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04 julho 2025

14 de agosto de 1966: Amizade e despedida na Barragem do John, Cubal

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As imagens que hoje a Nanda Valadas nos traz são um testemunho vibrante de um dia inesquecível na Barragem do John, no Cubal, a 14 de agosto de 1966. Mais do que simples fotografias, são fragmentos de um tempo onde a amizade e o convívio se entrelaçavam com a imponência da paisagem local.

Na primeira fotografia, somos brindados com a presença carismática da Teresa, da própria Nanda ,  Locas Almeida e o Coelho, irmão das  Alexandrina e Esmeralda Coelho. Posam junto a um enigmático painel, cujas inscrições, embora desgastadas pelo tempo, nos dão uma ideia de avisos ou diretrizes daquele local – provavelmente algo relacionado com as "instalações hidroelétricas" e a "autorização da gerência". Há um ar de cumplicidade entre eles, um sorriso que nos diz que estavam a viver um momento especial. A Barragem do John era um ponto de encontro, um local emblemático para passeios e convívio, e esta imagem capta essa atmosfera.

A segunda imagem complementa na perfeição a primeira, focando-se na Nanda Valadas. Sentada descontraidamente sobre uma rocha, com a grandiosidade da Barragem do John como pano de fundo. A água a cair em cascata, a força da natureza em contraste com a tranquilidade da pose da Nanda. É uma fotografia que respira a leveza e a beleza da juventude, e que ao mesmo tempo nos recorda a beleza natural do Cubal.

Sabemos que este dia marcou a despedida do Inspetor Marques Monteiro, o que adiciona uma camada de emoção a estes registos. Momentos como estes, de convívio e adeus, ficam gravados na memória e, felizmente, nestas preciosas fotografias. São mais do que apenas rostos e lugares; são memórias que nos ligam a um passado partilhado, a uma "Terra Amada" que nunca esquecemos.

Muito obrigado, Nanda, por continuares a partilhar estas pérolas que tanto enriquecem o nosso blogue e as nossas recordações!

Ruca

1.1 pormenores


1.2 pormenores


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