
1.
"Momentos que o tempo não apaga, gravados na alma de quem os viveu. Revive a história do Cubal através de fotografias e memórias partilhadas. Junta-te a nós nesta viagem ao passado!" Remete para: cubal.ruca@gmail.com Nota: Respeito pelas memórias: Se alguém da foto, ou familiar, preferir a remoção, por favor, entre em contato. Preservar a história e o respeito pelas memórias é o meu compromisso. Ruca
4.O Ex-Presidente do Recreativo, Matos Carrasqueiro, depõe.
«Fui durante o ano findo Presidente da Direcção do Recreativo do Cubal. Ao ter tido conhecimento dos castigos que foram aplicados aos jogadores Valdir, Telmo e Canais, fiquei deveras entristecido pois elees eram por si só uma injustiça. São três homens absolutamente correctos e educados. Estou certo que qualquer árbitro ou elemento da nossa Associação pensa da mesma maneira. A suspensão dos jogadores Montez, Bibe e Porto causaram-me admiração, mas aguardei o desfecho. Veio o resultado. As irradiações de Porto e de Bibezinho são para mim uma completa e grande injustiça e uma enorme traição à moral desportiva. O senhor inquiridor escolheu a dedo as pessoas que quis ouvir para formar o inquérito. Acaso só ouviu directores de clubes neolisboetas sobre autênticas «barracadas» em que apitou o Senhor Duarte de Carvalho? Vi o jogo do Lobito. Se a alguém seria bem aplicada a irradiação, ela teria recaído sobre o árbitro do encontro. Ele, sim. Merecia a irradiação. Falta de conhecimentos t técnicos, falta de personalidade nos julgamentos patenteando um complexo nevrálgico e por fim, e ainda por cima dotado de uma falta de honestidade, flagrantíssima. Mas não fica por aqui! Num desafio em que a equipa do Cubal participou, esse senhor árbitro (perdão) esse árbitro, foi, não sei porquê, apupado por uma parte da assistência,tendo no final afirmado que o Cubal haveria de pagar. E a vingança surgiu, como se vê nesse jogo contra, o Sporting de Benguela. Os meus agradecimentos ao Quim Costa, ex-jogador treinador dos «leões» de Benguela pelo desassombro das declarações que prestou ao Rádio Clube de Benguela afirmando total repulsa pela decisão final tomada. Mas este senhor, testemunha ocular de tudo o que se passou no campo, não teve interesse em ser incluído no tal inquérito fantasma! E ao «Sul», os meus agradecimentos por me ter facultado estas declarações».
Depois, Rodrigo Guerra, Director do Emissor Regional do Cubal e nosso camarada de Imprensa foi também abordado.
7.O guarda-redes Bibesinho, espera apenas que seja feita justiça.
O número um e o número onze de uma equipa de futebol. O guarda-redes e o extremo esquerdo.
João Carlos Manuel (Bibesinho) começou por nos dizer que se iniciou nos juniores do Portugal. Em 1971, mudou de ares e veio para o Cubal, onde foi campeão distrital.
Perguntámos-lhe como estava a sua ficha na Associação. Respondeu--nos: «Completamente limpa, até este caso. Nunca fui castigado».
Sobre o jogo que deu origem aos castigos, disse-nos que no final dos noventa minutos regulamentares foi dos últimos jogadores a dirigir-se às cabines, por ser até o que estava mais distanciado, no seu posto, na baliza. Ao passar a vedação e ao dirigir-se para as cabines, viu público a discutir com o árbitro e talvez até a agredi-lo. Mas, cônscio das suas responsabilidades seguiu o seu caminho, ouvindo entretanto, o fiscal de linha chamar a atenção do árbitro indicando o número um (o número da sua camisola) como um possível agressor. Já nas cabines, e como teria de haver prolongamento, teve conhecimento pelo treinador do Recreativo que não podia continuar em campo, porque havia sido expulso. Admirado, acatou a decisão. Ficou admirado com a suspensão, e agora, absolutamente incrédulo ao ter conhecimento da pena de irradiação que lhe foi aplicada.
Insistimos: Mas a que atribui o motivo porque o árbitro do encontro indicou no Boletim, culpabilidade sua?
Cabisbaixo, respondeu -nos: «Questão de azar! O senhor árbitro não pode reafirmar com verdade qualquer falta da minha parte. A sua consciência não pode estar tranquila. Nada fiz para que me fosse aplicada tal pena ou qualquer outro castigo. Nunca lhe faltei ao respeito. É possível que tenha sido agredido por qualquer elemento da assistência, mas para isso lá estava a PSP para testemunhar, mas por mim ou por qualquer outro colega, não foi concerteza. Para condenar é preciso provas. Pergunto só: se ninguém pode testemunhar qualquer ofensa verbal ou corporal é possível que pessoas responsáveis me tenham castigado? Com o devido respeito, por isso continuo calmamente a confiar na consciência dos homens que nas altas esferas dirigem o desporto.
Porto, estava com pressa. A hora do treino aproximava-se, e ele confiante, lá está sempre. Confirmou as palavras do seu colega e disse: «A minha irradiação, foi uma decisão totalmente absurda. Durante todo o jogo acatei disciplinadamente todas as resoluções tomadas pelo Senhor árbitro. Até ajudei a que os meus colegas as acatassem também. Fiquei admiradíssimo quando soube que ia ser sujeito a um inquérito e mais ainda perplexo até, ao ter conhecimento da pena que me foi aplicada. Estou convencido que o próprio senhor árbitro não soube bem o que escreveu. Havia muitos nervos, o público muito «quente» e o senhor árbitro estava desorientado. E eu fui a vítima». Lamentando-se, e a terminar disse-nos:
« Espero e confio na justiça dos Homens.
Depois já quase noite, no Estádio Municipal, ouvimos o velho Zé Manel um nome que todo o Distrito de Benguela conhece e que actualmente é o responsável pelo team cubalense. A queima roupa, perguntámos-lhe: Que pensa das penas de irradiação aplicadas aos jogadores Porto e Bibesinho?
8. Zé Manel, o treinador confia
Respondeu-nos:
«Vi o jogo e apesar de depois deste terminado ter conhecimento das declarações feitas pelo árbitro no boletim, nunca me passou pela cabeça que pessoas responsáveis pudessem ter a leviandade de aplicar a duas penas de irradiação que estão em causa aos jogadores Porto e Bibesinho (Carlos Manuel).
«O senhor árbitro Duarte de Carvalho patenteou plenamente não possuir as mínimas condições para dirigir um encontro desportivo. Ele próprio levou os jogadores de ambas equipas a cometerem actos de indisciplina, quer admitindo entradas às margens das leis, quer em não acatar as suas decisões. Ele estragou o jogo e no final foi vítima do público exaltado. Os jogadores depois foram as vítimas. Estive sempre perto dos jogadores do Cubal, portanto também dos dois jogadores agora injustamente irradiados e posso afirmar que nenhum deles agrediu o árbitro. Considero este facto, as irradiações, PURA INJUSTIÇA.
Perguntámos depois: Que pensa das possibilidades da equipa cubalense na presente época?
«Lutaremos pela conquista de um lugar cimeiro que nos faculta a entrada na primeira divisão.
8.O Presidente do Conselho Fiscal, Jorge Paulista, usando da palavra em resposta a centenas de cubalenses presentes na manifestação.
Mas na cidade cheirava a esturro! Uma enorme manifestação estava preparada. E efectivamente, no domingo pela manhã, muitas centenas de pessoas, muitas delas empunhando dísticos alusivos ao assunto tais como
CUBAL CAMPEÃO DISTRITAL PEDE JUSTIÇA — REPUDIAMOS A DECISÃO DA ASSOCIAÇÃO PROVINCIAL DE FUTEBOL — PORTO E BIBESINHO VITIMAS DE INJUSTIÇA etc., se agruparam em frente da varanda do Clube Beneficente e Recreativo do Cubal, manifestando o seu desagrado pela injustiça feita aos dois atletas e pedindo à Direcção do Clube que não se conforme e que insista até onde for necessário até que consiga que a decisão seja alterada e que justiça seja feita.
Nós vimos isto tudo! E sinceramente, raciocinando que onde há culpa não há força, somos cultos a pensar que as centenas de pessoas ali presentes das quais muitas dezenas assistiram ao jogo do Lobito, têm a razão por «seu lado. E esta gente, onde o suor e o sol queima as faces, não se conforma com injustiças.
RENATO JÁ COM A CAMISOLA DO CUBAL
DIAS UMA BOA AQUISIÇÃO DO RECREATIVO
O «porteiro» DIAS, até aqui também radicado em Benguela. Elemento de valor e que veio preencher uma lacuna em aberto na equipa do Recreativo cubalense. Disse-nos da sua satisfação por vir para o Cubal e augura à equipa um positivo «brilharete» na época que se avizinha.
E nós acrescentaremos mais um: Um craque vindo de um Clube da primeira Divisão metropolitana será mais um magnífico reforço para os campeões Distritais. Oportunamente, dele falaremos.
JUGIBA - Júlio Gil Barros
in "Semanário Sul" - Março de 1972