Mostrar mensagens com a etiqueta Ced. Ruca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ced. Ruca. Mostrar todas as mensagens

09 maio 2026

O Simão, uma banana e uma infância no Cubal

 


Memórias do Cubal

O Simão, uma banana e uma infância no Cubal

(Ruca )

Fotografia gentilmente captada pelo saudoso Augusto Pessoa, provavelmente em 1967/68, no Cubal.

Há fotografias que nos chegam como pequenas cápsulas do tempo. Esta é uma delas.

Foi gentilmente captada pelo saudoso Augusto Pessoa , marido da Maria Socorro e pai do meu amigo de infância Sergito (Ivo Sérgio), provavelmente em 1967 ou 1968, no quintal de uma casa que os meus pais arrendaram ao casal Augusto e Socorro, no Cubal.

Esta mesma casa e outras memórias do Cubal de ontem podem ser revisitadas numa publicação antiga do blogue: “Cubal de ontem, por Augusto Pessoa” .

Na imagem estou eu, ainda menino, diante de um desafio que, naquele tempo, me parecia enorme: dar “pessoalmente” uma banana ao Simão, o macaco que havia lá em casa.

Hoje, olhando para esta fotografia com os olhos de agora, é impossível não fazer uma ressalva. A nossa sensibilidade mudou, felizmente. Sabemos hoje que animais como este não devem viver como animais de estimação, presos a quintais ou afastados do seu ambiente natural.

O que então era visto com naturalidade, hoje causa-nos desconforto, e ainda bem. A evolução também se mede por essa capacidade de olharmos para trás com ternura, mas sem deixarmos de aprender.

Esta fotografia deve, por isso, ser vista como aquilo que é: um documento de época. Um retrato de um tempo, de uma infância e de uma forma de viver que já não existe.

Naquele Cubal dos anos 60, não havia smartphones, não havia televisão ao alcance de todos, não havia este mundo de estímulos, ecrãs e ofertas permanentes que hoje rodeiam os mais novos. Havia quintais, terra, árvores, pequenos perigos, grandes aventuras e uma liberdade que se vivia com o corpo inteiro.

E havia também desafios. Como este.

Recordo-me de que o Simão não estava propriamente interessado em cerimónias. Queria a banana, e queria-a depressa. Eu, cheio de coragem e alguma inconsciência própria da idade, lá me aproximei.

O resultado foi o esperado: arranhões, susto, risos e, provavelmente, mais uma generosa dose de mercurocromo e pensos rápidos. Naqueles tempos, éramos todos bons clientes desses pequenos socorros domésticos.

Imagino o Augusto Pessoa, com a sua máquina fotográfica, talvez uma Agfa, a tentar encontrar o melhor enquadramento enquanto tudo acontecia depressa demais. E ainda bem que o fez. Porque, sem ele, este pequeno episódio ter-se-ia talvez perdido na poeira da memória.

Hoje, ao olhar para esta imagem, não vejo apenas um menino e um macaco. Vejo uma infância vivida ao ar livre. Vejo o Cubal da minha meninice. Vejo a terra nos pés, os arranhões nos joelhos, a coragem ingénua, os amigos por perto, os adultos atentos e aquela felicidade simples que não precisava de grande explicação.

É verdade que nem tudo nesse tempo era perfeito. Nenhum tempo o é. Mas havia momentos em que quase todos parecíamos felizes. Ou, pelo menos, sabíamos ser felizes com muito pouco.

E talvez seja isso que esta fotografia me trouxe hoje: a lembrança de um Cubal onde se vivia mais devagar, onde cada pequeno acontecimento podia transformar-se numa história, e onde até uma banana dada ao Simão ficava guardada para sempre no coração de um miúdo.

Hoje deu-me para isto: mais uma nostalgia cubalense.

Com saudade, respeito pela memória e também com a consciência do que aprendemos entretanto.

Ruca

Nota para os leitores: estas memórias são partilhadas com o carinho próprio de quem recorda uma infância vivida no Cubal. Se algum leitor reconhecer pessoas, lugares ou detalhes que possam ajudar a completar esta história, terei muito gosto em receber o seu contributo.

Cubal Angola Terra Amada!
https://cubal-angola.blogspot.com

💬 Comentários e Memórias

07 maio 2026

O Cubal e a arte de guardar afetos

 O Cubal e a arte de guardar afetos 

Há fotografias que valem mais do que mil palavras. E depois há aquelas que conseguem guardar dentro delas o ambiente inteiro de uma época. Esta é, sem dúvida, uma dessas imagens.

Filomena Maria com o seu vestido de papel

No Cubal dos anos 60, ou talvez já dos primeiros anos 70, vivia-se com uma intensidade muito própria. Havia bailes, festas, concursos, noites de convívio e uma criatividade genuína que hoje quase parece impossível imaginar. Tudo era feito com entusiasmo, dedicação e aquele espírito comunitário que transformava qualquer iniciativa num acontecimento memorável.

Nesta fotografia vemos a jovem Filomena Maria, elegantemente apresentada num vestido artesanal feito exclusivamente com recortes da revista Notícia, uma publicação incontornável na época. O resultado, para aqueles anos, era extraordinário: criatividade, paciência e imaginação transformadas numa verdadeira peça de espetáculo.

O cenário noturno, o cuidado do penteado, o ramo decorativo e a pose tímida, mas orgulhosa, transportam-nos imediatamente para os salões do antigo Clube Ferrovia ou, talvez, do Clube Recreativo do Cubal. Quem sabe se algum dos nossos leitores conseguirá identificar com precisão o evento, o ano ou até outras pessoas presentes nessa noite?

“Com amizade ofereço esta fotografia para que recorde sempre a sua amiguinha Filomena Maria”

E é precisamente aqui que a imagem ganha ainda mais alma. Esta fotografia foi oferecida à minha querida mãe, Júlia, e guardada ao longo de décadas, como tantas memórias que atravessaram continentes, mudanças de vida e o próprio tempo.

Tenho a sensação, embora sem total certeza, de que a minha mãe poderá ter ajudado a Filomena a preparar-se para essa noite, talvez no penteado ou nos últimos retoques de beleza. No Cubal, as amizades construíam-se também nestes pequenos gestos de proximidade e entreajuda.

O mais bonito nestas imagens antigas não é apenas aquilo que mostram; é aquilo que nos fazem sentir. Olhar para esta fotografia é recordar um Cubal vivo, elegante, criativo e profundamente humano. Um lugar onde a amizade tinha valor, onde as pessoas se conheciam pelo nome e onde uma simples fotografia oferecida “com amizade” podia sobreviver mais de cinquenta anos e continuar hoje a emocionar-nos.

Talvez alguém se lembre deste concurso, desta noite especial ou destes vestidos feitos a partir da revista Notícia, que durante tantos anos entrou nas casas de tantos de nós. E talvez seja precisamente isso que torna o nosso blogue tão importante: impedir que estas pequenas grandes memórias desapareçam em silêncio.

Ruca

Cubal Angola Terra Amada!

cubal-angola.blogspot.com

Se reconhecer esta imagem, o evento ou as pessoas nela retratadas, partilhe connosco nos comentários. A memória do Cubal continua a construir-se entre todos.

Atualização: A memória completa-se

Após a partilha desta crónica, a Mena Costa trouxe-nos as peças que faltavam para este puzzle de afetos. Confirmou-se o cenário: este momento mágico aconteceu no Clube Recreativo do Cubal, por ocasião de um Carnaval.

"Foi a tua mãe que me penteou, sim. Fiquei comovida com a descrição da foto. Até a ser gratas e gentis nos ensinavam a ser, as mães, pois possivelmente foi uma forma de agradecer à tua mãe ter posto a sua princesa tão bonita." — Mena Costa

Esta confirmação transforma a suposição em certeza histórica e emocional. Fica o registo daquela que é a maior verdade destas imagens: as nossas mães eram as verdadeiras artistas. Com mãos de fada e uma generosidade sem limites, não só criavam beleza, como nos ensinavam o valor da gratidão e da amizade — valores que, como vemos nesta dedicatória, resistiram a mais de meio século.

💬 Comentários e Memórias

05 maio 2026

1 de Dezembro de 1972 — “Os Terríveis” do Cubal: onde a amizade não escolhia cores

1 de Dezembro de 1972 — Cubal

“Os Terríveis” do Cubal: onde a amizade não escolhia cores

“Os Terríveis” — equipa de desporto escolar do Cubal, 1 de Dezembro de 1972 .

Na fila de cima, da esquerda para a direita:
Olga, treinadora, Emanuel, eu (Ruca)  e Henriques.

Em baixo:
António Pinto, Fernando — ou será Victor? Fica o apelo aos amigos para ajudarem a completar esta memória —, Luís Carlos Contreiras Campos, o nosso conhecido Belito Campos e Luciano.


Esta é, sem dúvida, uma das imagens mais poderosas e significativas que hoje posso partilhar. Não encerra apenas a memória de uma vitória desportiva. Guarda, acima de tudo, a essência de uma Angola que vivíamos com a naturalidade e a pureza de quem ainda não conhecia barreiras.

Há fotografias que não envelhecem. Ficam connosco, guardadas no arquivo do coração, como um retrato fiel de quem fomos — e, de certa forma, de quem ainda somos.

Esta, datada de 1 de Dezembro de 1972, é uma das minhas preferidas.

Olho para ela e vejo muito mais do que uma equipa de desporto escolar. Vejo um grupo de miúdos, unidos por algo simples e verdadeiro. Éramos “Os Terríveis”.

Uma equipa vencedora, mas sobretudo uma equipa de amigos.

Sob o olhar atento e dedicado da nossa treinadora, a Prof.ª Olga Santos — a nossa querida “Olguinha” —, formávamos um bloco coeso. Mais do que treinar, ela ensinava-nos valores: disciplina, respeito e espírito de equipa.

Na fila de cima, da esquerda para a direita:
Olga, treinadora, Emanuel, eu (Ruca)  e Henriques.

Em baixo:
António Pinto, Fernando — ou será Victor? Fica o apelo aos amigos para ajudarem a completar esta memória —, Luís Carlos Contreiras Campos, o nosso conhecido Belito Campos e Luciano.

Era desporto escolar, sim. Mas era muito mais do que isso.

Esta imagem simboliza o que de melhor vivíamos antes de 1975. Olhávamos uns para os outros de frente, sem distinções. Nos nossos corações de crianças, nada nos separava. Não havia rótulos. Não havia diferenças que contassem. Éramos apenas amigos.

E isso via-se também fora do campo.

Lembro-me bem de tantos destes dias terminarem em nossa casa. A minha mãe, Júlia, recebia todos com a mesma naturalidade. À volta da mesa, não havia cor de pele. Havia pão partilhado, risos soltos e aquela algazarra boa da infância. Havia amizade — simples, inteira, sem esforço.


A medalha do torneio: Cubal, 1 de Dezembro de 1972.

O esforço desse dia foi recompensado com a medalha que guardo até hoje, gravada com o nome da nossa terra e a data que nos encheu de orgulho: Cubal, 1 de Dezembro de 1972.

Mas não ficámos por aí. A nossa união levou-nos também à conquista de uma medalha de campeões na corrida de estafetas. Cada um de nós fazia a sua parte — e juntos éramos mais fortes.

Mas, olhando hoje para esta imagem, percebo que a maior vitória não está no metal.

Está no que vivemos.

Recordar “Os Terríveis” é mergulhar numa nostalgia saudável, mas é também um exercício de esperança. Mostra-nos que é possível viver com naturalidade, com respeito, com proximidade verdadeira. Que a diversidade não nos afastava — aproximava-nos.

O Cubal desses anos era feito disso.
De encontros. De mistura. De vida genuína.

E talvez seja isso que mais importa guardar:
a certeza de que já soubemos viver assim… e que essa memória ainda nos pode guiar.

Porque, acima de tudo, fomos — e seremos sempre — colegas de infância e amigos para a vida.


Ruca
Cubal Angola Terra Amada!
https://cubal-angola.blogspot.com

```

💬 Comentários e Memórias

Um domingo no campo da aviação do Cubal


 

Um domingo no campo da aviação…

onde o céu começava ali ao lado


O nosso Mini Moke, num domingo de passeio pelo Cubal.

Há memórias que o tempo não apaga. Ficam guardadas em tons de sépia, no recorte nítido de fotografias que contam, em silêncio, a história de uma vida cheia.

Estas levam-nos ao final da década de 60, talvez já à porta dos anos 70, num Cubal que fervilhava de cor e de trabalho, mas que sabia guardar o domingo para a pacatez dos afetos.

O ritual começava quase sempre da mesma forma: o motor do nosso fiel Mini Moke a despertar. Um carro simples, aberto ao vento e à paisagem, perfeito para aqueles dias sem pressas. Ao volante, a minha mãe, Júlia, recentemente encartada, com aquele misto de concentração e orgulho de quem começava a conquistar o volante… e mais um pedaço do mundo.

A caminho do campo de aviação, num tempo em que o domingo parecia mais comprido.

É fácil imaginar que, nesse trajecto, o rádio nos fizesse companhia. O Emissor Regional do Cubal, sempre presente, e talvez a rubrica dos discos pedidos a encher o ar. E, quem sabe, a voz de Nelson Ned a cantar baixinho:

“O que é que você vai fazer no domingo à tarde… passear por aí…”

Como se aquela canção tivesse sido feita para nós.

A bordo, a alegria era simples e verdadeira. O meu pai, Raul, presença firme e tranquila, pilar de todas as jornadas. Eu, ainda miúdo, entre a curiosidade e o encanto de tudo aquilo. E a senhora Gina, chegada há pouco tempo de Portugal Continental para ajudar a minha mãe, a descobrir connosco aquela terra que também começava a ser sua.

Talvez o meu tio Joaquim estivesse por perto, mesmo não tendo ficado preso no instante das fotografias. Porque nestes dias, quase sempre, ninguém ficava de fora.





O campo de aviação do Cubal e a máquina voadora que alimentava a nossa curiosidade.

O destino era o mesmo de tantas vezes: o campo de aviação do Cubal.

Durante a semana, ouvíamos ao longe o ronco das “máquinas voadoras” que cruzavam os céus para desinfestar as plantações, sobretudo o algodão, o verdadeiro ouro branco da região. Mas ao domingo, a máquina repousava. E isso permitia-nos chegar perto, olhar sem pressa, quase tocar naquele sonho de voar.

Ali, o mundo mudava de escala.

A terra batida, o cheiro seco do mato, o silêncio cortado apenas pelo vento ou por uma conversa distante. E depois, o avião. Imenso. Quase irreal. Um objeto que parecia deslocado daquela paisagem, mas que fazia parte dela como tudo o resto.

O avião em repouso, depois de durante a semana cruzar os céus do Cubal.

Aproximávamo-nos devagar, com respeito quase instintivo. Havia sempre aquele momento de pausa, de olhar demorado, de perguntas que ficavam no ar. Como voa? Para onde vai? Como consegue desaparecer no horizonte?

E, no meio de tudo isso, estava o essencial: estarmos juntos.

As fotografias mostram gestos simples, olhares curiosos, pequenos instantes. Mas por trás delas está um tempo em que a vida se fazia de coisas aparentemente pequenas, mas profundamente significativas.

O Cubal era, de facto, vida e cor. 

Mesmo quando hoje o vemos em tons de sépia.

Um Cubal eterno, entre o pó da estrada, o brilho do avião e a memória dos afetos.

Ficam estes registos de um Cubal eterno, onde o pó da estrada, o som de um rádio ao longe e o brilho do alumínio de um avião se misturam numa memória que não se apaga.

E talvez seja isso que mais importa:
a certeza de que, num domingo qualquer, entre um Mini Moke, um avião pousado na terra e uma canção no ar… éramos felizes sem precisar de saber.


Ruca
Cubal Angola Terra Amada!
https://cubal-angola.blogspot.com

💬 Comentários e Memórias

25 abril 2026

Quando o Cubal ainda levantava pó nas avenidas


 

Quando o Cubal ainda levantava pó nas avenidas

Esta fotografia leva-nos para o Cubal dos finais dos anos 60, talvez já a tocar os primeiros anos da década de 70. Era um tempo em que a luz parecia ter outra densidade, uma claridade muito própria, intensa e limpa, que fazia vibrar as cores e dava à vila um brilho difícil de esquecer.

Quem percorresse uma das principais avenidas do Cubal encontrava um cenário de transição, desses que hoje ganham ainda mais valor quando os revemos à distância. De um lado, o vulto moderno de edifícios que iam marcando o crescimento da vila. Do outro, a persistência da terra batida, ainda sem o tapete negro do alcatrão, cobrindo de um tom ferrugem as bermas da estrada, as jantes dos carros e, tantas vezes, os nossos próprios sapatos.

À esquerda, a estação da Texaco, com a sua estrela vermelha erguida bem alto, era muito mais do que um simples posto de abastecimento. Era uma referência do Cubal, um marco geográfico, um ponto de passagem e também de encontro. Ali, o cheiro da gasolina misturava-se com o odor seco da poeira levantada pelo vento e pelo movimento dos veículos.

Mais ao fundo, vê-se ainda a indicação da Fina, sinal de um Cubal vivo, em crescimento, com comércio, circulação e sinais bem visíveis de modernidade. Mas há nesta imagem algo que vai para além dos edifícios e das marcas. Há a própria atmosfera da época.

A estrada, ainda não alcatroada, era feita de chão firme, pisado e repisado por mil passagens. O som dos pneus não era o ruído seco do asfalto, mas antes um sussurro granulado e constante, tão familiar para quem ali viveu. E ao longo da avenida, as árvores e as acácias-rubras, com o seu vermelho vivo, pontuavam a paisagem e pareciam disputar protagonismo com o azul largo do céu.

Eram tempos de uma beleza simples. A poeira nos sapatos não era sujidade: era sinal de pertença.

Ao olharmos para esta fotografia, quase conseguimos sentir o calor da tarde. Quase ouvimos, ao longe, o motor de um Land Rover, de uma carrinha de caixa aberta ou de outro veículo que surgia levantando uma nuvem de pó. E, no entanto, por detrás dessa imagem de progresso e movimento, havia uma paz muito própria, uma harmonia serena entre o desenvolvimento que avançava e a terra que continuava a moldar o quotidiano.

O edifício de linhas direitas, ao fundo, falava de um futuro que chegava a passos largos. Mas para quem ali cresceu, o essencial estava talvez noutra parte: naquela familiaridade das avenidas largas, naquele ritmo sem pressa, naquela convivência entre o moderno e o simples, entre a construção do amanhã e a permanência da terra de sempre.

Eram tempos de uma beleza despretensiosa. Tempos em que a poeira nos sapatos não era sujidade. Era a marca natural de quem tinha caminhado pela sua terra, de quem vivia o Cubal por dentro e por fora, na luz, na rua, no comércio, no movimento e na memória.

Esta não é apenas uma fotografia de uma avenida. É um retrato de um tempo. Um tempo em que o Cubal crescia, sonhava e avançava, sem perder a sua alma. E talvez seja por isso que imagens como esta ainda hoje nos tocam tanto: porque nelas reconhecemos não apenas um lugar, mas uma forma de viver.

Fica, como sempre, o convite a quem souber acrescentar memória a esta imagem: identificar melhor o local, corrigir algum detalhe, recordar histórias, nomes ou episódios ligados a esta zona da vila. Cada contributo ajuda a reconstituir, com verdade e carinho, a história do nosso Cubal.

Porque o pó das estradas assentou há muito.
Mas a memória de quem por elas passou continua viva.

Ruca
Cubal Angola Terra Amada!
https://cubal-angola.blogspot.com

💬 Comentários e Memórias

23 janeiro 2026

Cubal : 58 anos de Cidade. A Memória de um tempo que floresceu

Cubal
58 anos de Cidade 
A Memória de um tempo que floresceu

Homenagem aos 58 anos da elevação do Cubal a Cidade

Hoje, 23 de Janeiro de 2026, o calendário marca mais do que uma simples data. Marca o pulsar de uma memória que completa 58 anos. Foi numa terça-feira, a 23 de Janeiro de 1968, que o Boletim Oficial de Angola (I Série, Número 19) trouxe a notícia oficial que a terra já sentia na pele e no trabalho: o Cubal ascendia à categoria de Cidade.

Revisitar a Portaria n.º 15 371 é reler o reconhecimento oficial da pujança da nossa terra. O documento, assinado pelo então Governador-Geral Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz, justificava a elevação "tendo em consideração o grande desenvolvimento atingido no concelho do Cubal". Não foi um título oferecido; foi uma distinção conquistada pelo suor de quem desbravou mato, plantou o sisal e fez do comércio e da agricultura o motor daquela região de Benguela.

Naquele tempo, o apito do comboio do CFB não trazia apenas mercadorias; trazia o progresso que justificava a criação de um "Julgado Municipal de 1.ª classe" e cimentava o futuro de uma comunidade vibrante.

Mais tarde, em Abril desse mesmo ano, a Portaria n.º 23 325 viria eternizar a nossa identidade heráldica, concedendo-nos as armas que hoje, com orgulho, recordamos nas imagens comemorativas: o verde dos nossos campos, o boi passante de prata (símbolo da riqueza pecuária) e, claro, as três plantas de sisal de ouro, o nosso "ouro verde" que alinhava o horizonte.

Celebrar estes 58 anos não é apenas olhar para trás com saudade; é honrar o legado de todos os cubalenses que construíram aquela cidade tijolo a tijolo, memória a memória. Das avenidas poeirentas ou asfaltadas, do cheiro da terra molhada e da vida que fervilhava no mercado e na estação.

Como recordámos já no passado, no 41.º aniversário, a história do Cubal é feita de continuidade e de afeto.

Que esta imagem comemorativa, onde o bronze da medalha se funde com a vivacidade das nossas memórias, sirva de abraço a todos os que trazem o Cubal no coração.

Parabéns, Cidade do Cubal!



Ruca 
Blogue do Cubal Angola Terra Amada!

💬 Comentários e Memórias

11 janeiro 2026

Professores e Mestres do Cubal: Do ensino técnico aos explicadores (Crónica IV)

Professores e Mestres do Cubal: Do ensino técnico aos explicadores (Crónica IV)


Nesta quarta e última crónica, subimos os degraus da nossa juventude. Se na primária aprendemos a ler o mundo, aqui começámos a desenhá-lo. Entre o som das limas nas oficinas e o silêncio respeitoso das aulas de letras, o Cubal preparava-nos para a vida adulta. Era o tempo em que o quadro de ardósia se enchia de fórmulas e sonhos, ritmado pela mesma sineta que nos acompanhava desde pequenos, ecoando nos corredores sob o olhar atento dos funcionários que eram a alma invisível destas casas.

🏫 Escola Industrial e Comercial D. João II

Aqui surgem memórias muito concretas ligadas ao ensino técnico e humano. Para quem deseja mergulhar nas imagens e registos já publicados sobre esta instituição, convidamos a rever estes momentos:

O corpo docente que forjou o futuro técnico da nossa terra, recordado com estima, inclui:

  • Professor Jorge Abreu – Nome incontornável e figura central do nosso ensino técnico e industrial.
  • Professores Largo, Franklin Ivens e Victor Martins – Mestres que impunham o rigor e o saber nesta instituição.
  • Mestre Augusto Mota – Pelos ensinamentos práticos e essenciais nos trabalhos oficinais.
  • Professor Carlos Falcão – A Matemática e o seu Ford Capri, uma imagem viva na memória coletiva.
  • Professor Maia – Figura icónica que atravessa gerações de alunos.
  • Padre José Ribeiro – Professor de Religião e Moral.
  • Professora de Educação Musical – Cujo nome aguarda identificação, mas cuja melodia permanece viva.

🏫 Escola Preparatória Trindade Coelho

Um pilar fundamental na transição escolar, onde os gestos humanos faziam toda a diferença:

  • Professora de Francês (1º Ano) – Recordada pelo exemplo de dedicação ao visitar a família de um aluno para incentivar o seu estudo.
  • Professor Barnabé – Responsável pela formação em Trabalhos Manuais.
  • Professora Lurdes Vilares – Recordada com carinho por Graça Queirós Osório.

🏫 Instituto Liceal do Cubal

O Instituto Liceal permanece como o símbolo da nossa formação académica superior na vila. Deixamos este espaço aberto para que novos nomes de mestres e funcionários possam ser aqui imortalizados pelos vossos contributos.

🧑‍🏫 Explicadores e o Saber Partilhado

Não podemos esquecer quem ensinava fora do sistema formal, em quintais e fazendas que eram autênticas extensões da escola:

  • Professora Lourdes Marta – Pelas lições dadas no quintal de sua casa.
  • Maria Laura – Na Fazenda Fernando Alberto.

Honramos a memória do avô e neto que partilharam a sede de aprender nas mesmas explicações — um símbolo do Cubal que nunca parava de crescer.

Nota Final: Estas fotografias que ilustram a nossa série são o espelho de quem fomos. Se detetar alguma incoerência ou quiser incluir novos nomes, por favor indique nos comentários do Facebook ou via e-mail.


Voltar ao Blogue Cubal Angola Terra Amada

💬 Comentários e Memórias

Professores e Mestres do Cubal: O Quadro de Honra das nossas Escolas (Crónica III)

Professores e Mestres do Cubal: O Quadro de Honra das nossas Escolas (Crónica III)


Nesta terceira crónica, abrimos o livro de honra das instituições que foram os verdadeiros alicerces do nosso saber. Mais do que nomes em pautas amareladas, estes mestres foram as figuras centrais que nos guiaram quando o mundo ainda era do tamanho da nossa vila. Graças à vossa participação, estamos a reconstruir este puzzle de memórias onde os nomes se fundem com laços de sangue e percursos que cruzaram o coração do Cubal.

📍 Esclarecimentos sobre os Locais de Ensino: Professor Victor e D. Emília

Segundo o apurado, a história do ensino no Cubal começou em espaços que hoje guardamos na memória afetiva. O Professor Victor Ribeiro da Silva lecionou inicialmente numa sala da sua residência (em frente ao Clube Ferrovia), passando depois para as instalações do próprio Clube, onde também ensinaram o Doutor Santos e a D. Ermelinda.

A primeira sala da Dona Emília situou-se numa propriedade do Sr. Valente (rua acima, em direção ao cemitério), tendo mais tarde ensinado num espaço ao lado da padaria, atrás da antiga igreja.

Importa destacar que o Professor Victor foi o grande impulsionador da construção do Instituto. Após a sua conclusão e a mudança do Professor para Benguela, o Doutor Santos assumiu a direção, sendo o ano letivo de 1962/63 o primeiro a decorrer nas novas instalações, encerrando o ciclo heróico das aulas no Ferrovia e em casas particulares.

🏫 Escola Primária nº 40 – Cubal

A Escola Primária era o solo fértil onde a semente do conhecimento era lançada. Ali, entre o cheiro do giz, o som das batinas e o toque inconfundível da sineta do contínuo António, entre outros, aprendíamos a ser. Convidamos todos a rever estas memórias visuais que são autênticos tesouros:

O quadro de honra da Escola 40, enriquecido pelos vossos comentários e testemunhos — e com a recente e preciosa identificação — é composto por:

  • Dr. Victor e D. Emília – Pioneiros cujos retratos de dedicação nos anos 50 são o alicerce deste blogue.
  • Prof. Leonel Teixeira – Um dos professores mais estimados.
  • Prof.ª Olívia Borges Abreu (Bia) – Nome indissociável da memória coletiva da escola.
  • Prof.ª Olga Santos (Olguinha) – Uma presença que evoca reencontros emocionados.
  • Prof.ª Anizabel Cabral – Referência fundamental.
  • Prof.ª Ana Maria Paulista – Parte integrante do corpo docente dos anos 70.
  • Prof.ª Jacinta Ramos van der Kellen – Recordada com carinho.
  • Prof.ª Lurdes Vilares – Esposa do Presidente da Câmara, figura marcante na sociedade cubalense.
  • Prof.ª Nazaré Miranda
  • Prof.ª M.ª Helena Sousa
  • Prof.ª Filó Carvalho
  • Prof.ª Antonieta Condesso
  • Prof.ª Esmeralda
  • Prof.ª Marta Carmo – Presença marcante nas memórias de Rui FG e Mimi Fraga.
  • Prof.ª D. Carmelina (Década de 1950) – Recordada por Fernando Matoso e São Prates.
  • Prof.ª Sofia – Recordada por Guilherme Oliveira como "uma grande professora e muito boa pessoa".
  • Prof.ª D. Custódia, Alice Sousa e Laidita Carrasqueiro – As primeiras mestras.
  • Prof.ª Maria Amélia – Figura de destaque no corpo docente.
  • Professor Silva (1975) – Referência marcante deixada por Carlos Pedro.

🏫 Colégio Eça de Queirós

Situado em frente ao Clube Recreativo, foi aqui que muitos fizeram a ponte para o futuro:

  • D. Cecília (Denise dos Santos) – Recordada por Zé Fraga, Rui Menino e Fernando Matoso.
  • Dr. Aurelino Faria – Nome de referência citado por inúmeros leitores.
  • Prof.ª Maria Augusta Queirós e Maria de Lourdes Marta – Recordadas com imenso carinho.
  • Prof.ª Alice Sousa – Também referida nesta instituição.
  • Prof.ª Ivone – Lembrada pelos tempos na "Peixaria do Ramalho".
  • Prof.ª Laidinha (Laidita Carrasqueiro) – Professora de 4.ª classe lembrada por Palmira Carvalho.

Nota de colaboração: Esta reconstrução afetiva depende de todos. Para o caso de ser detetada alguma incoerência ou necessidade de inclusão de novos nomes, por favor indiquem via e-mail ou nos comentários do Facebook.

Voltar ao Blogue Cubal Angola Terra Amada

💬 Comentários e Memórias

Professores e Mestres do Cubal: O valor do exemplo e do reconhecimento (Crónica II)

 

Professores e Mestres do Cubal: O Valor do Exemplo e do Reconhecimento (Crónica II)


Dando continuidade à nossa série de homenagem, passamos hoje das memórias coletivas dos anos 40 para vivências que demonstram como o papel do professor no Cubal ia muito além da transmissão de conhecimentos em sala de aula.

📚 O Prémio do Esforço na Escola 40

Muitos de nós guardam em casa pequenos tesouros: livros com dedicatórias que valem mais do que qualquer troféu. É o caso deste exemplar, um prémio ao "Melhor Aluno do 1.º Período" na 3.ª Classe da Escola Primária n.º 40, no ano letivo de 1971-72.


A assinatura é da Professora Marta do Carmo de Carvalho, uma mestre que sabia reconhecer e incentivar as qualidades de cada criança. Juntamente com a Professora Anizabel Cabral, a Professora Olga Santos  e a Professora Olívia Abreu, formavam um grupo de mulheres dedicadas que moldaram o início do nosso percurso escolar.

🛠️ Rigor e Proximidade no Ensino Técnico e Preparatório

Na Escola Industrial e Comercial D. João II e na Escola Preparatória Trindade Coelho, os nomes dos mestres ficaram gravados pelo rigor e pela humanidade. É impossível não recordar o Professor Jorge Abreu, uma referência na Escola Industrial, ou o Mestre Augusto Mota no ensino das artes oficinais. Recordamos ainda o Professor Maia, ícone do ensino cubalense, e o Padre José Ribeiro na formação moral.

Um exemplo vivo desta dedicação foi a Professora de Francês da Trindade Coelho. Ao notar as dificuldades de um aluno, foi pessoalmente a sua casa falar com a família. O resultado desse gesto de carinho está refletido no teste de 5 de maio de 1974, onde o "Bom" prova que um professor atento muda o destino de um estudante.

(Continua na Crónica III)

Nota de colaboração: Estas crónicas são construídas com base na memória viva da nossa comunidade. Para o caso de ser detetada alguma incoerência, necessidade de alteração ou inclusão de outros nomes, por favor indiquem através de e-mail ou comentário no post do Facebook. A vossa ajuda é essencial para a precisão desta homenagem.

Voltar ao Blogue Cubal Angola Terra Amada

💬 Comentários e Memórias

Dia Internacional do Obrigado: Honrar as raízes, agradecer o caminho -11 janeiro 2026

 

Dia Internacional do Obrigado:
Honrar as Raízes, Agradecer o Caminho 

11 janeiro 2026

"A gratidão é a memória do coração."


Hoje é um dia simples no nome, mas profundo no significado. É o Dia Internacional do Obrigado. E dizer obrigado não é pouco: é reconhecer, é lembrar e, acima de tudo, é honrar. No nosso CUBAL ANGOLA TERRA AMADA, esta palavra ganha um eco ainda mais forte, pois atravessa oceanos e décadas de história partilhada.

Aos que nos deram o Norte

Obrigado aos nossos pais. Aos que nos deram a vida e aos que, com esforço e amor incomensuráveis, nos ensinaram a caminhar nela. Seja sob o sol do Cubal de antes de 1975, na adaptação em Portugal ou na dispersão pela diáspora, foram eles que — muitas vezes sem o saberem — nos deram as bases para enfrentar o mundo, mesmo quando esse mundo mudou de forma brusca e irreversível. Sem a sua resiliência, esta nossa "aventura de vida" teria sido um caminho sem mapa.

Aos Mestres da nossa Infância

Obrigado aos educadores e professores. Aos que nos ensinaram as primeiras letras e os primeiros números, mas também os valores que não vêm nos livros: o respeito, a responsabilidade e a dignidade. Nas salas de aula do Cubal ou noutros cantos do mundo onde a vida nos empurrou, estes mestres deixaram marcas que o tempo não apagou. Nada do que somos hoje teria sido possível sem essas mãos estendidas e sem esses exemplos silenciosos que nos moldaram o caráter.

À nossa Comunidade de Saudade

Um obrigado sentido aos amigos, às companheiras e companheiros de caminho. A todos vós que partilham memórias, fotografias ganhas ao tempo, histórias e palavras de incentivo. Aos que ajudam a manter vivo este nosso cantinho de saudade Cubalense.

Este blogue não é apenas um espaço digital; é um lugar de encontro. É um baú aberto onde cabem vidas, afetos e lembranças — umas boas, outras duras — mas todas elas partes vitais da mesma história. A vossa participação garante que estas memórias não se percam, ficando construídas com respeito e verdade para o presente e para o futuro.

Aos que nos criaram, aos que nos ensinaram e aos que caminham connosco: hoje, mais do que nunca, fica o meu obrigado. Simples, direto e profundo.


-Ruca

💬 Comentários e Memórias

08 janeiro 2026

🌍 O Cubal vive das memórias que guardamos. E das que partilhamos.

 

🌍 O Cubal vive das memórias que guardamos. E das que partilhamos.

Todos nós temos um baú invisível onde guardamos pedaços do Cubal. Uma fotografia antiga já amarelada pelo tempo. Um recorte de jornal ou revista esquecidos numa gaveta. Uma história contada vezes sem conta à mesa, que nunca se perde. Um poema simples, escrito talvez sem intenção de ficar para a História… mas que ficou.

Unidos pelo mesmo gesto: recordar.

As imagens que acompanham este texto mostram famílias diferentes, de idades e origens diversas, unidas pelo mesmo propósito: recordar. Avós, pais, filhos e netos reunidos em torno de memórias que não são apenas familiares. São memórias do nosso Cubal.

Este blogue nasceu com esse propósito:

  • 👉 Não deixar desaparecer o que fomos;
  • 👉 Honrar quem viveu, trabalhou e construiu o Cubal;
  • 👉 Guardar num só lugar aquilo que muitos guardam em silêncio.

Apelo, de forma muito simples e sincera, sobretudo às gerações que hoje têm 50 anos ou mais, e que viveram o Cubal antes de 1975: partilhem connosco o que têm. Tudo serve. Tudo conta.

📦 O que procurar no seu baú?

  • 📸 Fotografias antigas: Rostos, ruas, o trabalho e o lazer.
  • 📰 Recortes de jornais: Notícias que o tempo não apagou.
  • ✍️ Histórias vividas ou ouvidas: Relatos que merecem ser lidos.
  • 📖 Textos e Poesia: A alma do Cubal em palavras.
  • 📂 Pequenos detalhes que fazem a grande História.

🚀 Como participar agora mesmo?

Facilitámos o processo. No canto superior direito do blogue, clique no botão "Enviar Testemunho". Irá abrir-se um e-mail com texto automático pronto para preencher:

Olá Ruca,

Envio em anexo recordações/fotos para o arquivo do Cubal.

🖼️Pessoas na foto:
📅 Ano/época aproximada:
📍 Local:
📖 História relacionada:

Um abraço e viva o Cubal!

Este não é apenas um exercício de nostalgia. É um ato de responsabilidade histórica. O que hoje partilhamos será amanhã memória visível para que os nossos descendentes saibam de onde vieram e porque o nome Cubal continua a ser pronunciado com tanto orgulho.

Este é o nosso cantinho. Feito por todos. Para todos.



Um abraço ! 
Ruca

💬 Comentários e Memórias

01 janeiro 2026

📚 Homenagem aos Professores do Cubal (até 1975)

 

📚 Homenagem aos Professores do Cubal (até 1975)

Escola Primária 40, Colégio Eça de Queiróz, Escola Industrial e Comercial D. João II e Instituto Liceal do Cubal

Começamos o ano com o coração virado ao passado. Ao Cubal que fomos. À infância que nos construiu. À escola que nos ensinou a ser gente.

Nos últimos dias vivi algo bonito, que merece ficar escrito — reencontrei duas professoras que marcaram a minha vida: Anizabel Cabral, que me ensinou aos 6 anos, e Marta Carmo, minha professora mais tarde. Palavras trocadas após tantos anos reacenderam memórias guardadas. O tempo passou, mas o afecto ficou.

E porque a memória não é só minha, mas de todos nós, nasce este espaço.


🏫 As nossas escolas — onde muitos deram os primeiros passos

📍 Escola Primária nº 40
Lugar das primeiras letras, tabuada e Hino Nacional.
Onde começavam histórias que ainda hoje nos acompanham.

📍 Colégio Eça de Queiróz
Caminho entre a infância e o futuro.

📍 Escola Industrial e Comercial D. João II
Porta de entrada para o ofício. Formação técnica e comercial.

📍 Instituto Liceal do Cubal
O salto para o mundo. Estudos liceais que moldaram gerações.

📍 Explicadoras/es
Também eles tiveram um papel essencial, ajudando-nos quando as dificuldades cresciam e a matéria pedia reforço. Quantos de nós devem notas, confiança e disciplina a essas tardes extra?

Foram centenas de alunos. Foram dezenas de professores, educadores e explicadores.


👩‍🏫 Professores que guardamos na memória

(lista viva e em construção — acrescentaremos com a vossa ajuda)

  • Anizabel Cabral
  • Marta Carmo
  • Olga Santos
  • Olívia Abreu
  • Leonel Neves
  • Maria Joaquina Melo Martins (anos 40 – foto e memória cedida por António Pedro)
  • Acrescentaremos todos os que forem lembrados

📸 Memória já partilhada

Nesta imagem antiga aparecem alunos da Escola Primária do Cubal nos anos 40 (c. 1940), orientados pela professora Maria Joaquina de Melo Martins. São rostos que carregam história — crianças que cresceram, partiram, criaram famílias e que hoje revivem nesta fotografia manuscrita.

Turma antiga do Cubal (anos 40). Foto cedida por António Pedro.



Se reconheceres alguém — um colega, um professor(a) ou souber o ano exacto — deixe nos comentários.

Cada informação ajuda a reconstruir o passado.

📝 Nomes identificados até agora

Professora:
• Maria Joaquina de Melo Martins

Alunos identificados (zona superior da foto):
• Tetinha Querido
• João Abel
• Irmã da Edite
• Tóneca P. Lemos
• Ratinho
• Zeca P. Lemos

Alunos identificados (zona inferior):
• Mª (Maria) Adelaide
• Mª (Maria) Helena
• Hortência
• Natália
• Maria José
• Edite
• Mª Adelaide Querido

Lista em atualização contínua com a ajuda dos leitores.

🔗 Memória relacionada:
➡ Memórias de Família — Linhagem do Cubal (post anterior)


🤝 Contribuição dos Leitores

Queremos reunir neste espaço o máximo de memórias possível.
Se tiver fotografias, histórias, nomes de professores, datas ou simples recordações — partilhe connosco.

📩 Enviar memória / fotografia para o arquivo

📬 Tens recordações, fotos ou nomes para acrescentar?
👉 Partilha — este arquivo vive das vossas memórias!

Há memórias que não envelhecem. Envelhecemos nós — elas não.
Um professor é para sempre o primeiro farol.

Ruca
CUBAL Angola – Terra Amada


🧩 Memórias dos leitores (atualização contínua)

Contributos recolhidos através dos comentários do Facebook:

📍 Escola Primária Nº 40
• Professora Olga / Olguita — recordada com carinho (Constança Moniz)
• Professor Leonel Teixeira — referido por Rui Menino
• Professora D. Carmelina — década de 1950 (Fernando Matoso)
• Professora Sofia — “uma grande professora, muito boa pessoa” (Guilherme Oliveira)
• Professora D. Custódia (José Manuel Laranjeira)
• Professora Alice Sousa (José Manuel Laranjeira)
• Professora Laidita Carrasqueiro (José Manuel Laranjeira)

📍 Colégio Eça de Queiroz
• Professora Olga / Olguita (Constança Moniz)
• D. Cecília (Zé Fraga / Rui Menino / Fernando Matoso)
• Dr. Faria / Dr. Aurelino Faria (Zé Fraga / Fernando Matoso)
• Professora Maria Augusta Queirós (Carla Marta Neves)
• Professora Maria de Lourdes Marta (Carla Marta Neves)
• Rui Menino estudou aqui o início do percurso escolar
• Amélia Barbêdo estudou até 1965 antes de ir para Sá da Bandeira

📍 Outros professores recordados / explicadores
• Prof. Maia (Mimi Fraga)
• Prof. Marta — já presente no texto (Rui e Mimi Fraga)
• D. Cecília — muito marcada na memória colectiva
• Olga (Olguita) — presença que gerou emoção e reencontros

Se tiveres mais nomes, conta nos comentários ou envia por email. A lista continuará a crescer.

💬 Comentários e Memórias

30 dezembro 2025

📜 Mensagem de Ano Novo - Para todos os Cubalenses espalhados pelo mundo

 


📜 Mensagem de Ano Novo

Para todos os Cubalenses espalhados pelo mundo

Chega o fim do ano e, como sempre, o coração volta ao Cubal. Basta uma fotografia antiga, o cheiro da terra depois da primeira chuva, o som da desfibra do sisal ou o brilho dourado das tardes quentes para que tudo regresse – como se nunca tivéssemos partido.

Depois de 1975, muitos seguiram caminhos diferentes. Uns ficaram em Angola, outros partiram para Portugal, Brasil, Estados Unidos, Holanda, Canadá, Alemanha, França e muitos mais destinos. Espalhámo-nos pelo mundo, mas continuamos unidos pela saudade e pela memória.

Hoje o blogue recebe visitas dos quatro cantos do planeta. Onde há um cubalense, há um pedaço da nossa história.

Este espaço existe para que o Cubal não desapareça nos baús do tempo. Para que fotografias, cartas, bilhetes e histórias não permaneçam escondidas, mas regressem à luz através de quem as viveu.

Se tens memórias do Cubal, ajuda-nos a preservá-las:

  • 📌 Procura fotografias antigas guardadas em casa;
  • 📌 Fala com familiares mais velhos enquanto podemos ouvi-los;
  • 📌 Envia-nos fotos, datas, relatos e nomes — tudo importa.
Envia as tuas memórias para o nosso arquivo histórico do Cubal!
Com um simples clique podes partilhar fotografias, documentos ou histórias.

📩 Enviar Memória / Fotografia

💬 Comentários e Memórias

22 dezembro 2025

Memórias de um tempo partilhado ... no Cubal ou noutro qualquer lugar .

 

(Memórias de um tempo partilhado)

Para este Natal, já tenho a minha mensagem tradicional pronta para vocês. Mas, de repente, tropecei nesta fotografia.

Não sei se foi tirada no Cubal, mas sei que podia ter sido. Ela retrata perfeitamente um pedaço da nossa história e das nossas memórias. Ao olhá-la, sou invadido por uma nostalgia imensa da felicidade simples que tínhamos nas nossas brincadeiras, naquela multiculturalidade que, para nós crianças, era natural.

Sabemos hoje, com olhos de adulto, que nem tudo era perfeito naquele tempo. O mundo ainda não o é hoje e provavelmente nunca será. Mas esta imagem faz-me bem à alma e relembra-me que a alegria genuína existiu.

Deixo-vos este pequeno poema que a foto me inspirou:

Retrato sépia de um sol antigo,
Onde a cor da pele não era perigo.
Pés na terra, na poeira quente,
Um passado que hoje se faz presente.

Sabemos que o mundo não era perfeito,
Mas guardamos no peito, com jeito,
A memória daquela brincadeira
Que parecia, então, a vida inteira.

Neste Natal, que a imagem nos traga,
Uma luz de esperança que não se apaga.

Feliz Natal a todos os amigos do Cubal!

Ruca

💬 Comentários e Memórias

01 dezembro 2025

Natal de Luz e Memória: Aos que ficam e aos que construíram a nossa história.

 

Nesta época festiva, o nosso olhar percorre o mundo, procurando os amigos e familiares espalhados pela diáspora nestes últimos cinquenta anos. Mas o nosso coração procura também, com profunda reverência, aqueles que já não estão fisicamente ao nosso lado.

Este Natal é dedicado a todos os cubalenses que hoje residem em Portugal e nos quatro cantos do mundo, mas é, acima de tudo, uma homenagem sentida. Uma homenagem aos pais e avós que, com o seu suor, ergueram a cidade do Cubal; e aos amigos deste nosso blogue, companheiros de jornada que ajudaram a construir este espaço de união e que, entretanto, partiram. A saudade é imensa, mas o legado deles permanece vivo em cada palavra que aqui escrevemos.


Eternamente Cubal: Um Natal entre o Céu e a Terra

Cinquenta anos passaram, o tempo não abranda,
Espalhámos sementes por tanta varanda.
Da nossa Terra Amada a Portugal e ao mundo,
Carregamos a herança de um amor profundo.

Mas neste Natal, a prece vai mais além,
Para aqueles que amámos e que nos queriam bem.
Aos que ergueram o Cubal, pedra sobre pedra,
Com a força de quem sonha e o amor que não medra.
Aos que partiram cedo, deixando um lugar vago,
Mas cuja memória é hoje o nosso afago.

Lembramos os amigos deste nosso cantinho,
Que ajudaram o blogue a trilhar o caminho.
Vozes que se calaram, sorrisos que não vejo,
Mas que brilham no céu, num eterno desejo.
A falta que nos fazem, na mesa e na vida,
É ferida de saudade, mas nunca perdida.

Pois enquanto houver um de nós a recordar,
Eles estarão vivos, no brilho do olhar.
Na consoada sagrada, erguemos o pensamento,
Abraçando a ausência com todo o sentimento.

Santo Natal, Cubalenses, perto ou distante,
Aos que estão na Terra, e aos que são luz radiante.
Que a paz nos envolva, num laço que não cansa,
Unidos pela saudade, firmes na esperança.

Um Santo Natal, com muita paz e saúde para todos.
Aos que partiram, a nossa eterna gratidão e saudade.

Ruca

💬 Comentários e Memórias