29 outubro 2025

Homenagem a José Arménio de Almeida Fontoura - Meno Fontoura : O guardião das memórias do Cubal

 

14 anos após a sua mensagem, um tributo à paixão e ao inesgotável espírito de partilha.

Em 4 de novembro de 2010, no nosso blogue, José Arménio de Almeida Fontoura – o "Meno Fontoura" – deixou uma mensagem que transcende o tempo. Mais do que um post, é um documento vivo, uma declaração de amor incondicional à sua terra natal.

Hoje, prestamos homenagem a Meno Fontoura pela sua generosidade e pelo seu apelo à união, que não só mobilizou uma comunidade, mas também nos legou um retrato detalhado e comovente da vida em Cubal.


I. O VIBRANTE APELO À AÇÃO

A essência da mensagem de Meno Fontoura foi um chamamento fervoroso à participação. Ele reconheceu a oportunidade que a plataforma digital oferecia e insistiu para que os Cubalenses a aproveitassem:

"Gostaria de pedir a todos os Cubalenses que aproveitemos esta oportunidade para nos MANIFESTARMOS, escrevendo uma pequena mensagem, enviando fotos e também consultando o site..."

O seu respeito estendeu-se aos que mantinham viva a memória, como José Luís Pena, que o apelou a não se "deixar desencorajar", e nomes como Henrique Faria e Tomané. O seu pedido era claro e apaixonado: "NÃO ABANDONEM" e colaborem, enriquecendo o espaço online com documentos que recordassem o Cubal. Esta é a prova de um homem que via na partilha o único caminho para preservar a história coletiva.


II. AS RAÍZES PROFUNDAS: O TESTEMUNHO PESSOAL

Para Meno Fontoura, o apelo era indissociável da sua identidade. Ele apresenta-se com a precisão de quem conhece e ama profundamente as suas origens, alicerçando a sua mensagem em factos biográficos que o ligam intrinsecamente à vila:

  • Nascimento e Família: Nasceu no Cubal a 14 de julho de 1959. Os seus pais, Francisco e Aurora Fontoura, eram comerciantes na Camunda, na rua Diogo Cão. A menção da casa e loja, "feitas pelo senhor Fonseca", localiza a memória na arquitetura e no quotidiano da vila.

  • Percurso Educacional: Do seu tempo de estudante, descreve um percurso que moldou a sua juventude: a Escola Primária n°40 (perto do quartel da tropa portuguesa), a Escola Preparatória (Trindade Coelho) e a Escola Industrial e Comercial D. João II (curso geral de eletricidade). Recorda professores icónicos como o Carracho, o Engenheiro Falcão, o Maia (matemática) e o falecido Leonel, lembrado pela sua "famosa sabatina".


III. O LÉXICO DA SAUDADE: A Galeria de Cubalenses

O clímax desta homenagem reside na torrente de nomes que Meno Fontoura evoca, transformando a mensagem numa espécie de censos afetivo. Ele tece uma tapeçaria social da vila, lembrando amigos, vizinhos, colegas, comerciantes e figuras públicas, um testemunho inigualável da vida comunitária:

  • Vizinhos e empresários: Menciona quem ficou no Cubal até 1981 e depois, como o tio João Alberto Fontoura(do Chissongo), D. Júlia (comerciante da Camunda), o Nascimento da Camunda, o Raul mecânico, pai do Ruca e a Elsa cabeleireira.

  • Os Amigos de sempre: Recorda o Luis Alberto Benites de Sousa (do boteco e discoteca "Rebita"), Alzira Guedes Resende (seu par na dança "a barra da minha saia"), e o grupo que ia apanhar esquilos na estrada da Ganda.

  • As Instituições locais: Os pontos de referência social e comercial são eternizados: o Tipoia (onde comprava o alpino), o Chiputia (onde se jogava matraquilhos), o Horacio da moagem (onde brincava às escondidas), a Peixaria dos Canavezes, o Bar João, e o Carrasqueiro e seu minimercado.

  • Figuras Notáveis: Desde a D. Cândida parteira (que ele e Benites de Sousa foram chamar de urgência), ao Pratas do cinema, ou o China ("campeão de motocrosse e orgulho dos jovens").

O seu rol de memórias estende-se ainda aos momentos de lazer: as Mini-Hondas, os piqueniques na lagoa do Johne e no Chissongo, os clubes Recreativo e Ferrovia, e até as "caçadas de crianças" de rolas e pombos-verdes, com fisgas e pressão de ar.


IV. O Legado da Esperança

A mensagem de José Arménio de Almeida Fontoura é um ato de profunda generosidade. Ao nomear e descrever, ele assegura que estas pessoas, estes lugares e estes momentos não serão esquecidos.

A sua voz, que ressoou em 2010, permanece como um farol para a comunidade Cubalense espalhada pelo mundo. A sua conclusão, inspirada em Olga Valadas, é o epitáfio perfeito para o seu espírito:

"um cubalense nunca desiste! de encontrar mais cubalenses conhecidos."

Meno Fontoura cumpriu o seu papel de contador de histórias e mobilizador de afetos. A sua partilha, repleta de "Ai que saudades !!!", é a mais sentida homenagem que se pode fazer à força e resiliência da identidade de Cubal. O seu texto é, e continuará a ser, um abraço à distância para todos os que partilham esta saudade.

Abraço Meno e obrigado pela tua dedicação e apoio ao blogue , ao nosso blogue

Ruca


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🗞️ Tesouros do passado: Cubal, a "Sisalândia", rumo a sede de Concelho e ao progresso!



Apesar da baixa qualidade da imagem disponibilizada, é com grande entusiasmo que partilhamos hoje um documento histórico notável, cedido gentilmente pelo António Freitas de Oliveira. Trata-se de um artigo de revista, com o título expressivo "CUBAL vai ser sede de concelho e deseja também uma agência do BANCO DE ANGOLA", que nos transporta diretamente para um momento crucial na história do nosso vibrante  Cubal.

Uma época de otimismo e evolução

O texto, provavelmente publicado num período de pré-elevação ou pouco depois da crise do preço do sisal, capta na perfeição o espírito de luta e a ambição dos habitantes de Cubal. A "aspiração máxima" da povoação era clara: ascender à categoria de vila e sede de concelho.

🌿 Cubal, a “Sisalândia”: O artigo destaca o papel de Cubal como um dos maiores produtores de sisal de Angola – uma designação que a ligava intrinsecamente à sua economia agro-pecuária e aos seus "férteis terrenos".

A luta pelo reconhecimento

O artigo enfatiza que a elevação a sede de concelho seria a "efectivação de um sonho" alicerçado na sua crescente importância. A data de 1959 é mencionada como um ano de promessa para este passo em frente – um sonho que viria a concretizar-se. Para o registo histórico, o Cubal foi elevado à categoria de vila e sede de concelho em 14 de junho de 1961.

Os pilares do progresso desejado:

  • Infraestruturas: Construção de edifícios para a sede da Administração, Comissão Municipal, Fazenda, Correios, e a ampliação do Hospital.

  • Economia: O desejo de novas indústrias e a consolidação do setor do sisal, incluindo oficinas e armazéns.

  • Serviços Bancários: A necessidade urgente de uma agência do Banco de Angola, devido aos 200 km de distância até à agência mais próxima (em Benguela), demonstrando o crescente volume de transações comerciais, industriais e agrícolas.

O texto conclui com uma nota de forte confiança no futuro: "Só assim é que se compreende o progresso e só assim é que Angola caminhará para o futuro."


🏛️ Uma viagem no tempo

As fotografias que acompanham o artigo são um tesouro à parte, mostrando:

  • "Modernas construções" (a parte superior da imagem).

  • Uma "casa de arquitectura original" no Cubal (no centro).

  • Um edifício em construção.

Estes registos visuais são um testemunho tangível da arquitetura e do ímpeto de desenvolvimento urbano da época.

Agradecemos profundamente ao António Freitas de Oliveira por partilhar connosco esta peça de incalculável valor para a memória de Cubal. Ela recorda-nos que as cidades são feitas de sonhos e de esforços que, tal como o Cubal, procuraram e mereceram o seu lugar de destaque no mapa.


Convidamos os nossos leitores: Têm memórias, histórias ou mais informações sobre esta época do Cubal? Partilhem connosco nos comentários! Seria ótimo enriquecer esta narrativa.

Obrigado

Ruca


 

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28 outubro 2025

A bagagem invisível do retorno


 

Imagem extraída da internet

Chegar a Lisboa, vindo do caos de Luanda em Outubro de 1975, não foi um regresso, foi uma aventura de sobrevivência que começou muito antes da Ponte Aérea.

Eu nasci no Cubal, uma pequena cidade angolana que se tornou, de um momento para o outro, no epicentro de sonhos desfeitos. Os meus pais, Raúl e Júlia, tiveram de deixar para trás a vida que construíram ali. Carregámos umas poucas malas e a esperança de nos safarmos.

Lembro-me daquele tempo como uma sucessão de despedidas sem adeus. Deixei para trás os amigos da infância, companheiros de aventura que, de repente, foram varridos do meu horizonte. A guerra civil alastrava e, na pressa, não houve tempo para promessas de reencontro. Há amigos que se perderam para sempre naquele êxodo, irmãos de brincadeira que nunca mais encontrei, cujos destinos me assombram até hoje. Eles são a parte invisível da minha bagagem.

A vida na província e, depois, em Luanda, transformou-se num jogo de sobrevivência onde o terror era o som de fundo. Antes da fuga final, vivi as horas intermináveis refugiado em casa, debaixo do receio constante, enquanto lá fora se degladiavam em fortes confrontos militares o MPLA, a FNLA e a UNITA. Ouvíamos ao longe o ribombar, e depois, o silêncio tenso.

Lembro-me da primeira vez que senti o forte cheiro da pólvora dos morteiros e bazucas – uma realidade crua, bem diferente dos filmes. A guerra que se degladiava entre os movimentos de "libertação" não era espetáculo; era a realidade violenta que nos envolvia e nos expunha a efeitos que uma criança nunca deveria conhecer. O medo entrava-nos pelas janelas e obrigava-nos a encolher, dependentes unicamente da proteção e coragem do meu pai Raúl e da minha mãe Júlia.

A viagem até Luanda, onde fomos parar, foi o primeiro pesadelo. De Benguela e do Lobito, embarcámos num frágil barco pesqueiro, o Kalua. Éramos gente a mais para uma embarcação que dançava perigosamente ao sabor das ondas.

Chegámos a Luanda, uma cidade sitiada, e a nossa paragem foi um quartel militar. As filas para o sustento eram intermináveis, a incerteza corroía o espírito.

Finalmente, conseguimos um lugar naquela que ficou conhecida como a grande Ponte Aérea. A fotografia do aeroporto, com o seu caos de pessoas e bagagens, é um espelho desse dia: milhares de desalojados, à espera de um avião que nos levasse para a capital do Império que se desmoronava. Fomos num avião da Swissair, voando sobre um passado que ficava para trás, rumo a um futuro incerto.

A aterragem em Lisboa marcou o fim da fuga, mas o início de uma nova e árdua batalha. Fomos acolhidos por familiares – anjos que nos deram teto e a ajuda necessária para recomeçar.

Olho para trás e percebo o preço dessa transição. Aqueles desassossegos marcaram-me para a vida. Mas as cicatrizes mais profundas ficaram na minha querida mãe, Júlia. A ansiedade da guerra e do retorno deixou nela uma marca que nunca desapareceu, o custo invisível da sobrevivência.

Os meus pais foram lutadores e empreendedores. Com resiliência e a vontade de viver que traziam, refizeram a vida.

Em 2020, quando a vida finalmente parecia mais ou menos equilibrada, o meu querido pai, Raúl, partiu. Partiu sem ter a oportunidade de desfrutar plenamente do tempo que merecia, depois de tanto lutar.

Restam-me as memórias: a força do Kalua, o cheiro da pólvora, o abraço dos meus pais e as faces dos amigos perdidos. São histórias difíceis, por vezes duras de lembrar, mas são a base de quem sou: um filho do Cubal, feito em Portugal. Honro o sacrifício e a resiliência do Raúl e da Júlia. A nossa bagagem mais importante nunca foram as malas; foi a vontade de viver.

Rui (Ruca)

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27 outubro 2025

📣 Tesouros do Passado no Cubal: Que segredos guarda a mala de porão? 🚢



1. Imagem cedida por Carlos Monteiro
2. Imagem restaurada por Ruca (Cubal Angola Terra Amada!


Hoje temos uma partilha muito especial do nosso amigo Carlos Monteiro, que nos traz um pedacinho da história de família ligada ao nosso Cubal.

O Carlos encontrou esta etiqueta colada numa mala de porão dos seus pais, numa época em que o seu pai era funcionário do prestigiado Banco Totta-Standard no Cubal, antes de ser transferido para Cabinda.

A etiqueta original, como se pode ver na primeira imagem, mostra os efeitos do tempo, mas graças ao nosso esforço de restauro (vejam a segunda imagem!), conseguimos trazer de volta a clareza deste documento!


O Documento restaurado: UNITRANSPORTES CUBAL

  • Original: [Imagem da etiqueta original, desbotada]

  • Restaurada: [Imagem da etiqueta restaurada com UNITRANSPORTES CUBAL nítido]

No documento, lemos:

  • UNITRANSPORTES (em destaque)

  • Um emblema de bandeira com o nome "UNIT" ou semelhante.

  • CAUTELA N.º 9809 (com o número manuscrito)

  • VOLUMES 5 (com o número manuscrito)

  • CUBAL

O que seria a UNITRANSPORTES?

Pelo nome e pelo contexto de ser uma etiqueta de bagagem/carga para uma viagem de transferência (do Cubal para Cabinda), tudo indica que a UNITRANSPORTES seria uma empresa de transportes ou de transitários que operava na Angola da época. Estes serviços eram essenciais para movimentar bens e pertences pessoais de funcionários e colonos através das longas distâncias, provavelmente utilizando o Caminho de Ferro de Benguela (CFB), que atravessa o Cubal, e a ligação marítima.

A "Cautela" e os "Volumes" eram, certamente, o número de registo da encomenda e a quantidade de malas ou caixotes confiados à empresa para serem levados até ao destino.


🗣️ A nossa comunidade Cubalense é chamada a participar!

Esta pequena etiqueta é um grande testemunho da vida e da logística do Cubal noutros tempos.

Cubalenses e amigos de Angola Terra Amada, ajudem-nos a decifrar mais esta história!

  1. Alguém se lembra ou conhece a UNITRANSPORTES? Que tipo de serviços prestava esta empresa no Cubal?

  2. Banco Totta-Standard é uma memória forte! Que histórias têm sobre o banco e o seu papel na vida económica do Cubal?

  3. Reconhecem o emblema da bandeira ao centro? Que organização, clube ou empresa representaria?

Comentem e partilhem as vossas memórias! Juntos, mantemos viva a história da nossa Terra Amada!

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27 julho 2025

A perda de uma amiga e colaboradora participativa do nosso blogue: uma homenagem à nossa Ondina - "Diny Querido"

 

O nosso coração está pesado. Nestes últimos dias, a nossa comunidade ficou mais pobre com a partida de várias pessoas queridas, e a notícia do falecimento da nossa Diny Querido é, sem dúvida, um golpe duro. Diny, a nossa querida cubalense, deixou-nos fisicamente, mas a sua memória e o seu espírito de comunidade ficarão para sempre connosco.

Para quem a conheceu, a Diny era uma senhora no trato, com um coração enorme e uma energia contagiante. Foi uma das grandes e mais ativas colaboradoras do nosso blogue, entre 2008 e 2011. Sempre atenta, partilhou connosco muitas imagens e histórias do Cubal, ajudando a manter viva a nossa memória coletiva.

Mas talvez o seu papel mais importante tenha sido como a grande mentora e articuladora dos encontros de cubalenses. Com a sua simpatia e dedicação, a Diny foi incansável na tarefa de reunir as pessoas. Recordamos, com saudade, os e-mails que me enviou em 2011 e noutros anos, numa altura em que as redes sociais ainda davam os primeiros passos, a pedir ajuda para atualizar contactos e organizar o 23º Encontro. A sua proatividade, a sua educação e a sua vontade de ligar as pessoas foram uma inspiração para todos nós.

Agradecemos profundamente à Miló Carrasqueiro e  à prima da Diny a Any Querido Mendes, por nos ter dado a notícia e por ter partilhado connosco a dor da família. O funeral da nossa querida Diny já se realizou  (neste sábado 26.07.2025) na Covilhã e, tal como a sua prima referiu, agora o que mais importa é que ela esteja em paz.

Deixamos um grande beijo e um abraço forte a todos os familiares e amigos. Que Deus conforte os vossos corações neste momento de imensa dor. Ficam as boas memórias de uma mulher que foi fundamental para a nossa comunidade.

Se quiserem rever as contribuições da Diny, podem consultar este link: https://cubal-angola.blogspot.com/search/label/Ced.%20Diny%20Querido


Ruca

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21 julho 2025

Uma sentida homenagem a Carlos Canais - colaborador participativo do nosso blogue


É com profunda dor e consternação que recebemos a notícia do falecimento de Carlos Canais, um nome que ficará para sempre gravado na memória de todos os cubalenses e daqueles que, como a nossa família, tiveram a sorte de privar com a sua amizade genuína e incondicional.

O Carlos era mais do que um amigo; era uma ponte viva para as nossas memórias, um guardião de histórias e um participante ativo na preservação da nossa história coletiva, conforme tão bem demonstrou nas suas valiosas contribuições para o nosso blogue. A sua partida deixa um vazio imenso, um silêncio onde antes ressoavam as suas memórias, o seu carinho e a sua sabedoria.

Neste momento de luto e saudade, os nossos pensamentos e mais sentidos pêsames dirigem-se a Ofélia Canais, seu amor e companheira de tantos anos, pilar da sua vida e parte inseparável da sua história. Que a força do amor que vos uniu possa ampará-la e confortá-la nesta hora tão difícil.

Estendemos também as nossas sinceras condolências a todos os seus amigos e familiares. Que encontrem na união e nas recordações dos momentos vividos com o Carlos a força para superar esta perda irreparável.

A sua memória permanecerá viva em cada canto do Cubal, em cada história partilhada, em cada lembrança das suas palavras e do seu sorriso.

Eterna Saudade, Carlos Canais.

Com o mais profundo pesar,

Ruca - amigo e admirador de Carlos Canais


Links para alguns momentos com o Carlos . Obrigado Carlos  pelo enorme contributo neste nosso blogue cubalense. 

Outras histórias Cubalenses - por Carlos Canais

https://cubal-angola.blogspot.com/2010/12/nocoes-reais-natal-de-2010-por-eduardo.html

https://cubal-angola.blogspot.com/2010/12/resposta-ao-eduardo-florido-nocoes.html

https://cubal-angola.blogspot.com/2011/02/estorias-do-cubal-ao-senhor-fernando.html

Equipa maravilha do Cubal com Carlos Canais 

Recordações dos bons velhos tempos , por Nanda Valadas 

E a "bomba" estoirou no Cubal...




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14 julho 2025

Um batizado no Cubal: Memórias, fé e a marca do tempo nas nossas tradições - 15-01-1966



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Duas fotografias preciosas, partilhadas pela nossa  Nanda Valadas, que nos transportam para um dia de celebração e convívio no Cubal: um batizado, repleto daquela juventude que tanto animava a nossa vila.

Estas imagens não são apenas registos de um evento religioso; são retratos de pessoas, de laços e de uma cultura. A protagonista deste dia especial, a bebé Maria José, a Zezinha, que fará 60 anos em agosto próximo, tinha apenas quatro meses quando foi batizada. É fascinante ver como o tempo passa e estas fotos nos permitem regressar àquele momento de inocência e alegria.

Na primeira foto, a Nanda ajuda-nos a identificar um grupo de pessoas queridas. Vemos o Fernando Santana ( Santanita), e o António Maia. Ali está também o Fernando Van der Kellen (Cabolas), e claro, a própria Nanda Valadas com a sua afilhada bebé Maria José. Reconhecemos ainda a Locas Almeida e a saudosa Cidália, que infelizmente já nos deixou. O Padre Zé está presente a celebrar o sacramento, e podemos ver o pai da bebé, o Juca Branco, de costas, e também a irmã do Padre Zé, Mariazinha, ali mais atrás. É uma fotografia que irradia a atmosfera familiar e de comunidade.

Depois, na segunda foto, a Nanda continua a trazer-nos os nomes: o Vítor Rodrigues "Algarvio", novamente o Cabolas, a bebé e a Nanda Valadas, a Locas Almeida, a Anabela Faustino, o Padre Zé e o Juca Branco, o pai. Como sublinha a Nanda, "a foto não é somente  o batizado que interessa, mas também,   as pessoas que lá estão". E que pessoas! Um verdadeiro mosaico da nossa comunidade de então.

Há uma particularidade que a Nanda faz questão de realçar e que nos remete para as tradições daquele tempo: a forma como "nós, Mulheres, usávamos o véu, a mantilha". Ela explica que, apesar de o Papa Paulo VI ter abolido o uso do véu em 1965, foi difícil largar esse costume, tanto que a própria Nanda se recorda de usar o véu na Igreja ainda em 1968. Como ela refere, hoje em dia, as gerações mais novas "nem sabem o que isto é, porque é que usam o véu", mas para nós, era um sinal de respeito e fazia parte da nossa cultura. A mulher, ao entrar na igreja, tinha de usar a mantilha.

Todo este batizado se deu numa grande festa na casa do Juca Branco, onde "os jovens estavam lá todos". Dá para sentir a alegria e a energia que emanava daquele convívio.

Um agradecimento enorme à Nanda Valadas por partilhar estas preciosidades e por nos guiar através delas com as suas memórias tão detalhadas. São estas partilhas que nos permitem reviver e compreender melhor o Cubal de antigamente.

Ruca

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13 julho 2025

Uma janela para o nosso passado: O Sisal do Cubal -Angola nos Anos 50

1950 - Fazenda Caviva ou Fazenda Elisa - confirmada que é Fazenda Elisa (vidé adenda infra)

Esta imagem que a Nanda Valadas tão generosamente nos oferece é mais do que uma simples fotografia; para mim, é um portal para a Angola dos anos 50, uma época de intensa atividade agrícola e tantas transformações sociais. Ela captura um momento crucial na plantação de sisal – a fase do corte das folhas –, e o mistério em torno da sua localização exata, seja a Fazenda Caviva ou a Fazenda Elisa, apenas acrescenta um charme instigante a esta peça histórica. Aquele(s) monte(s) ao fundo é um elemento identificador que certamente provocará a memória e o conhecimento de muitos de vocês, despertando um debate rico e participativo.

O sisal, introduzido em Angola no início do século XX, ganhou uma relevância económica enorme, especialmente a partir da década de 1940. A sua fibra, resistente e versátil, era amplamente utilizada na produção de cordas, sacos, tapetes e outros produtos essenciais para a indústria e o comércio mundial. Fazendas como a que vemos aqui eram, sem dúvida, verdadeiros pilares da economia colonial, empregando centenas, por vezes milhares, de trabalhadores e moldando paisagens e comunidades.

Consultando o estudo "A Agricultura Tradicional em Angola nos anos 60 do século XX" da Alexandra Guillemin de Matos e Silva Neves, que encontrei por pesquisa, compreende-se melhor  o contexto desta atividade. Embora o estudo se foque nos anos 60, ele oferece uma visão abrangente da estrutura e da importância da agricultura no período colonial, para além da agricultura tradicional. A monocultura do sisal, embora economicamente pujante, trouxe consigo desafios e complexidades sociais, económicas e ambientais, temas que merecem a nossa reflexão histórica.

Esta imagem, com os seus trabalhadores curvados sobre as plantas, o esforço visível e a paisagem ao fundo, convida-me a uma viagem no tempo. Desperta não só a curiosidade sobre a técnica de corte do sisal – um trabalho árduo e manual – mas também sobre as vidas daqueles que dedicavam os seus dias a esta laboriosa tarefa. Que histórias teriam aquelas pessoas? Que sonhos acalentavam?

Para muitos de nós, tenho a certeza, esta fotografia será um gatilho para a "saudade" – a palavra tão portuguesa que encapsula um misto de nostalgia, afeto e um certo anseio por um tempo que já não existe. Saudade das paisagens, dos cheiros, dos sons das fazendas, da convivência, e de um Cubal/Angola que, embora distante no tempo, permanece viva na nossa memória e nos nossos corações.

Por isso, convido todos vocês, meus amigos leitores cubalenses e não só, a partilhar as vossas memórias, conhecimentos e, quem sabe, a desvendar o mistério da localização desta fazenda. Que este debate enriqueça ainda mais a já tão valiosa missão do nosso blogue, de preservar e divulgar a rica história de Cubal e de Angola.

Muito obrigado, Nanda Valadas, por partilhares mais esta relíquia. E a todos vocês, por fazerem parte desta comunidade tão especial!

Saudações

Ruca

[INÍCIO DA ADENDA/NOTA]

Atualização e Confirmação de Localização: A Fazenda Elisa

É com grande satisfação que podemos agora confirmar e detalhar o local exato desta histórica fotografia! Graças à valiosa contribuição do João Abreu, um dos nossos atentos e conhecedores leitores , ficamos a saber que esta plantação de sisal é, de facto, na Fazenda Elisa.

Para quem conhece a zona, o João Abreu elucida que a fazenda se localiza "antes de chegar à sede quando se desce a reta que vem do Cubal e fica do lado direito." E o tal morro que procurávamos identificar, aquele elemento que pensámos que poderia ser uma boa pista, é precisamente o que "divide a fazenda do Sr. Matos (Membassoko ou Marco de Canaveses) e a Fazenda Elisa", onde o próprio João Abreu nasceu, e onde também viveram o Chico Valadas e muitas outras pessoas. Ficamos a saber que esta foto foi tirada precisamente na época do corte da folha, o que reforça o momento de trabalho intenso que já tínhamos destacado.

A estas palavras juntam-se as memórias do Armando Cardoso, que em 1966 trabalhou algum tempo na Fazenda do Sr. Matos, Membassoko, mostrando como estas terras estavam interligadas pelo labor do sisal.

E a São Prates reforça a dimensão da presença do sisal na região do Cubal, mencionando as fazendas Ramieira, Fazenda Elisa, Caviva e Malongo. As suas palavras ressoam com uma verdade inegável: "O Sisal, era dono e senhor dessas belas terras.... Eram extensões de plantações de Sisal que se perdiam de vista, e que davam emprego a centenas de trabalhadores. O Sisal, era uma das riquezas do País". A sua frase final, "E tudo o vento levou.....", traz um tom melancólico, mas profundamente real, sobre as mudanças que o tempo trouxe a estas paisagens e a esta atividade que foi tão vital.

Com estas achegas, a nossa imagem ganha ainda mais profundidade e contexto, permitindo-nos "visitar" este pedaço de Angola com um mapa mais completo nas mãos. A todos os que contribuíram, o meu mais sincero obrigado! A vossa participação é o que torna o nosso blogue um verdadeiro arquivo vivo de memórias.

[FIM DA ADENDA/NOTA]

Ruca

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10 julho 2025

Cubal em festa e emoção – Um retrato da nossa gente - 6 de Fevereiro de 1966

vamos identificar?

 

No dia 6 de Fevereiro de 1966, o Cubal foi palco de uma verdadeira celebração – um dia em que o coração da nossa terra se uniu para se despedir de um homem que representava a ordem e a tradição militar do Cubal, o Alferes Barros. Esta imagem que hoje partilhamos no blogue “Cubal Angola Terra Amada” vai muito além de um simples registo fotográfico; é um testemunho vivo de um capítulo marcante na história da nossa comunidade.

A fotografia, conforme a mensagem carinhosa recebida da Fernanda Valadas, eterniza um momento de emoção e festa no Clube Ferrovia do Cubal. Ali reuniram-se dezenas de cubalenses, pessoas que ao longo dos anos se tornaram família, amigos e vizinhos. Entre os que se destacam estão nomes que hoje permanecem na memória colectiva e que fazem parte do nosso quotidiano, demonstrando a forte identidade e coesão dos nossos valores.

Naquele dia, a despedida não foi apenas do Alferes Barros, o comandante do destacamento militar, mas também de outros militares que, cumprindo a sua missão, se preparavam para regressar ao continente Português. O ambiente no Clube Ferrovia era de uma energia inconfundível – uma mistura de orgulho, nostalgia e esperança, onde cada rosto contava uma história e cada sorriso era uma promessa de recomeço.

Os ecos dessa festa permanecem vivos na memória dos que estiveram presentes e nos relatos de quem, como a Fernanda, guarda com carinho os detalhes de cada instante. A imagem capta o movimento de um grupo tão numeroso e diverso que os nomes se perdem na multidão, mas a essência desta despedida permanece gravada na alma do Cubal: a certeza de que cada adeus é também um novo começo, e que a nossa terra amada está sempre em movimento, rumo ao futuro.

Partilhamos esta narrativa com o propósito de preservar a história e a identidade do Cubal, num tributo à memória daqueles que construíram, com coragem e determinação, os alicerces da nossa comunidade. Que esta recordação seja uma ponte entre o passado e o presente, inspirando-nos a continuar a trilhar o mesmo caminho de fé, união e progresso que sempre caracterizou o nosso Cubal.


NB: tantos amigos /conhecidos. Quem identifica? Vamos lá puxar por essa memória coletiva


Ruca


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Sabores do Cubal: Uma manga, dois sorrisos, 1968

Nanda e Vítor Rodrigues ( algarvio )

 🍃 Uma manhã como poucas, daquelas que parecem parar o tempo. Em pleno Cubal, a 4 de agosto de 1968, Nanda Valadas partilha este instante especial — colhido direto da árvore, uma manga que diz tudo sem precisar de palavras. Ao lado, o Vítor Rodrigues (algarvio), cúmplice de sorrisos e memórias que o tempo não apaga.

👒 Vestidos de leveza e alegria, os dois parecem saborear  o fruto tropical, envoltos na paisagem que marcou gerações. 

📸 Mais que uma foto, este registo é um tributo à simplicidade e à beleza dos momentos vividos em Cubal — uma terra amada, onde cada manhã tem sabor próprio e cada rosto conta um pedaço da nossa história.

Ruca

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04 julho 2025

14 de agosto de 1966: Amizade e despedida na Barragem do John, Cubal

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As imagens que hoje a Nanda Valadas nos traz são um testemunho vibrante de um dia inesquecível na Barragem do John, no Cubal, a 14 de agosto de 1966. Mais do que simples fotografias, são fragmentos de um tempo onde a amizade e o convívio se entrelaçavam com a imponência da paisagem local.

Na primeira fotografia, somos brindados com a presença carismática da Teresa, da própria Nanda ,  Locas Almeida e o Coelho, irmão das  Alexandrina e Esmeralda Coelho. Posam junto a um enigmático painel, cujas inscrições, embora desgastadas pelo tempo, nos dão uma ideia de avisos ou diretrizes daquele local – provavelmente algo relacionado com as "instalações hidroelétricas" e a "autorização da gerência". Há um ar de cumplicidade entre eles, um sorriso que nos diz que estavam a viver um momento especial. A Barragem do John era um ponto de encontro, um local emblemático para passeios e convívio, e esta imagem capta essa atmosfera.

A segunda imagem complementa na perfeição a primeira, focando-se na Nanda Valadas. Sentada descontraidamente sobre uma rocha, com a grandiosidade da Barragem do John como pano de fundo. A água a cair em cascata, a força da natureza em contraste com a tranquilidade da pose da Nanda. É uma fotografia que respira a leveza e a beleza da juventude, e que ao mesmo tempo nos recorda a beleza natural do Cubal.

Sabemos que este dia marcou a despedida do Inspetor Marques Monteiro, o que adiciona uma camada de emoção a estes registos. Momentos como estes, de convívio e adeus, ficam gravados na memória e, felizmente, nestas preciosas fotografias. São mais do que apenas rostos e lugares; são memórias que nos ligam a um passado partilhado, a uma "Terra Amada" que nunca esquecemos.

Muito obrigado, Nanda, por continuares a partilhar estas pérolas que tanto enriquecem o nosso blogue e as nossas recordações!

Ruca

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02 julho 2025

Cubal antigo: Uma janela para as décadas de 40 e 50, do Quintal dos Valadas

Ah, Nanda, mais uma vez me brindas com uma imagem que é um verdadeiro portal no tempo! E que privilégio poder espreitar o nosso Cubal através dos teus olhos e memórias.

Esta fotografia, tirada do quintal da tua família Valadas, é daquelas que nos faz parar e pensar. Olhem só para a cena: aquela carroça, puxada por uma junta de bois, com um homem a guiá-los e outro ali ao lado. É o dia a dia, a vida a acontecer, num ritmo que hoje nos parece quase de outro mundo. Faz-nos lembrar de como as coisas funcionavam, de como a força animal era tão essencial, de um tempo mais lento, mais ligado à terra. É a essência do Cubal daquelas décadas de 40 e 50 a manifestar-se ali, à nossa frente.

E ao fundo, meus amigos, lá está ele, o edifício que foi ponto de referência! A residência e o comércio do Senhor Emídio de Lemos, o pai do nosso Zé Lemos, um nome que tantos de nós conhecemos e respeitamos. E depois, como a vida muda, aquele espaço transformou-se na Gardénia de Rodrigues e Viana. É incrível como um único enquadramento nos pode contar tantas histórias, tantas transições de um mesmo lugar.

É por isto que adoro estas partilhas, Nanda. Não é só uma foto antiga; é um pedaço da nossa história, da nossa infância, das ruas que pisámos. É o Cubal que temos no coração, ali, vivo e presente. Muito obrigado por nos continuares a dar estes presentes visuais!

NB. caso verifiquem alguma incorreção, datas etc. avisem-me . Obrigado

Ruca

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26 junho 2025

Recordações de 1962: Um Picnic na Fazenda Elisa com os rapazes do Instituto Liceal

 

Hugo Ricardo Xavier (infelizmente já falecido), seguido por José Luís Pena. Ao centro, com uma postura mais descontraída, temos José Simões e Vítor Rodrigues, o nosso algarvio. E a completar o quinteto, com uma presença marcante, Rui Candeias, oriundo da Ganda.

Esta fotografia, embora com a passagem do tempo a deixar a sua marca na qualidade, é mais uma joia partilhada pela Nanda Valadas que nos leva diretamente ao ano de 1962. A cena? Um animado picnic na Fazenda Elisa, um local que certamente guardava muitas histórias e risos para estes jovens.

Nela, vemos um grupo de estudantes do Instituto Liceal, num momento descontraído e cheio de espírito de aventura, típico daquela época. Da esquerda para a direita, reconhecemos o sorriso do Hugo Ricardo Xavier (infelizmente já falecido), seguido por José Luís Pena. Ao centro, com uma postura mais descontraída, temos José Simões e Vítor Rodrigues, o nosso algarvio. E a completar o quinteto, com uma presença marcante, Rui Candeias, oriundo da Ganda.

A presença de um clássico "carocha" na imagem adiciona um charme especial, evocando a atmosfera daquela década. É fácil imaginar as conversas animadas, as gargalhadas e a camaradagem que preenchiam o ar naquele dia. Cada rosto conta uma parte de uma história, de uma juventude vivida no Cubal, longe, mas tão presente nas nossas memórias.

Esta imagem não é apenas um registo; é um convite a recordar os tempos de outrora, os laços de amizade que se formavam e as paisagens que serviram de palco a tantas vivências inesquecíveis. Um verdadeiro tesouro.

Ruca

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Um vislumbre dos meados dos anos 50: Jovens mulheres no Ferrovia do Cubal

Da esquerda para a direita, reconhecemos: Mizé, Mimi Mota, Lurdes Machado, Lila Pais, Olinda Suzano, Emilia Machado, e ??? (uma cujo nome se perdeu no tempo) Quem ajuda?. À frente, uma menina pequena, também não identificada.

Esta bela fotografia, gentilmente partilhada pela Nanda Valadas, transporta-nos para meados da década de 1950, capturando um momento de elegância juvenil no campo de jogos do Ferrovia do Cubal.

Vemos um grupo encantador de jovens mulheres, cujos sorrisos sugerem camaradagem e memórias partilhadas. Da esquerda para a direita, reconhecemos: Mizé, Mimi Mota, Lurdes Machado, Lila Pais, Olinda Suzano, Emilia Machado, e uma cujo nome se perdeu no tempo. À frente, uma menina pequena, também não identificada, adiciona um toque encantador à cena.

Os seus vestidos, característicos da época, falam de um tempo de graça e simplicidade. A presença da rede de voleibol em segundo plano posiciona-as firmemente na atmosfera vibrante do campo de jogos, sugerindo talvez uma pausa entre jogos ou um encontro social.

Esta imagem é mais do que apenas uma fotografia; é uma janela para o passado, oferecendo um vislumbre precioso das vidas destas jovens mulheres no Cubal durante uma era que já passou. É um testemunho do poder duradouro das fotografias para preservar momentos e ligar-nos à história.

Ruca

NB: P.F. AJUDEM NA IDENTIFICAÇÃO DAS 2 PESSOAS EM FALTA.

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23 junho 2025

Uma noite de variedades inesquecível no Cubal: O Brilho dos Palcos em 1962

Hoje, abrimos o nosso baú de memórias para revisitar uma noite de puro brilho e entretenimento no nosso querido Cubal. Estas imagens, que presumo serem de um Espectáculo de Variedades, realizado em 11 de julho de 1962, trazem-nos a vivacidade e o glamour dos palcos que, por vezes, visitavam a nossa vila.

Ao observar as fotografias, somos transportados para a atmosfera efervescente daquele dia. Vemos artistas com figurinos elaborados e cheios de brilho, em palco, a atuar para o público cubalense. A presença das bandeiras nacionais de Portugal e do Brasil visíveis numa das imagens leva-nos a crer que se trataria de artistas brasileiras/os.

E foi precisamente o nosso querido Rodrigo "Bibito" Guerra que, com a sua memória prodigiosa, nos lançou mais luz sobre este evento! Segundo o Bibito, "Pelo jeito, são fotos de um 'teatro de revista' que o Giusepe Bastos levava do Brasil para Angola, com grande sucesso. Era uma apresentação de quadros soltos, com piadas, músicas e muitas mulheres.".

Este esclarecimento do Bibito é fundamental e faz todo o sentido, pois Giuseppe Bastos (Lisboa, 8 de dezembro de 1911 — Lisboa, 11 de abril de 1975) foi, de facto, um notável empresário e produtor teatral português. Dedicou a sua vida ao teatro, explorando diversos espaços em Portugal, como o Parque Mayer, o cine-teatro Capitólio, e em sociedade com Vasco Morgado, os teatros Variedades e Maria Vitória. A sua atividade teatral estendeu-se para além-mar, com produções em locais tão diversos como os Açores, Moçambique, África do Sul, Brasil e, claro, Angola. Foi responsável pela vinda a Portugal de grandes artistas estrangeiros, incluindo muitos do Brasil, o que reforça a ideia da presença de artistas brasileiros no Cubal, como sugerido pelas bandeiras.

Este espetáculo terá sido, sem dúvida, um momento alto na vida social do Cubal, trazendo um pouco do glamour dos grandes palcos para a nossa vila.

Um agradecimento muito especial à Olga Viana pela generosa partilha destes documentos históricos tão vívidos, que nos permitem revisitar momentos importantes vividos pelo seu saudoso marido, José Martins Viana, e por toda a comunidade. Agradecemos a quem nos ajuda a manter estas memórias vivas.

Peço a todos os cubalenses que se lembrem deste espetáculo – ou de outros do género – que partilhem as suas recordações e comentários. As vossas memórias são essenciais para enriquecer a nossa história coletiva.

Obrigado, Ruca

1.
Estas imagens, presumo que sejam de um Espectáculo de Variedades
realizado no Cubal em 11 de Julho de 1962.
Pelas 2 bandeiras Nacionais visíveis na imagem acima (Portugal - Brasil) serão artistas brasileira/os?
Peço aos cubalenses que se lembrem deste espectáculo façam os seus comentários.
Obrigado
Ruca
2.
"Pelo jeito, são fotos de um "teatro de revista" que o Giusepe Bastos levava do Brasil para Angola, com grande sucesso. Era uma apresentação de quadros soltos, com piadas, músicas e muitas mulheres."
Comentário de Rodrigo (Bibito) Guerra
3.

No seguimento do comentário do Bibito, relembra-se quem foi:

Giuseppe Bastos (Lisboa, 8 de Dezembro de 1911 — Lisboa, 11 de Abril de 1975) foi um empresário e produtor teatral português.

Dedicou toda a sua vida à causa teatral e explorou, no Parque Mayer, um teatro desmontável no recinto onde mais tarde foi criado o Estádio Mayer para a actividade desportiva de luta e boxe.

Também explorou o cine-teatro Capitólio e de seguida, em sociedade com o seu colega Vasco Morgado, os teatros Variedades e Maria Vitória. Quando explorava este último teatro, a morte veio-o a surpreender.

Teve enorme actividade teatral, com produções no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no Teatro Avenida de Lisboa e em diversos Teatros nos Açores, Angola, Moçambique, África do Sul e Brasil. Foi responsável pela vinda a Portugal de grandes artistas estrangeiros, nomeadamente do Brasil, de Espanha e França. Com Eugénio Salvador, produziu grandes espectáculos de revista no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.. in Wikipédia

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Casamento de Alberto Baptista e Maria Peixoto Baptista da Fazenda Chimbasse e da Elisa em 29/10/1949.

Casamento Pai Alberto e Mãe Maria.



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Cubalenses

Pai Alberto, Abreu e amigos no Cubal




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A Escola Industrial e Comercial do Cubal – D. João II: Forjar o futuro através do conhecimento

É com imenso orgulho e um profundo sentido de gratidão que hoje partilhamos no nosso blogue um conjunto de imagens e documentos históricos que nos transportam para um pilar fundamental do desenvolvimento e progresso do nosso Cubal: a Escola Industrial e Comercial – D. João II. Mais do que um mero edifício, esta escola foi um verdadeiro motor de oportunidades, forjando profissões e preparando gerações para os desafios do futuro.

 

A Escola Industrial e Comercial do Cubal era um centro vital onde a teoria se aliava à prática, capacitando os jovens com as competências necessárias para as mais diversas áreas.

 

As fotografias dos interiores da escola são um testemunho vivo desse ambiente de aprendizagem e trabalho. Observamos as bancadas robustas e as ferramentas organizadas nas oficinas da Escola Industrial e Comercial , onde rapazes e raparigas (embora nestas fotos vejamos principalmente homens) aprendiam o ofício. Estas imagens de trabalho prático – seja na serralharia, na mecânica ou na eletricidade (como podemos vislumbrar , que mostram alunos dedicados aos circuitos elétricos e outros ofícios) – são a prova da seriedade e da qualidade do ensino técnico daquele tempo. Ali, as mãos dos alunos tornavam-se experientes, e as mentes aguçavam-se para resolver problemas reais.

 

E a importância desta escola não é apenas uma memória; é um facto documentado. A imagem da Portaria do Boletim Oficial de Angola, confirma o investimento significativo nesta instituição. Vemos que, em 1967, foram atribuídos 350.000$00 e em 1968, 550.000$00, totalizando 900.000$00. Estes valores, consideráveis para a época, demonstram o compromisso das autoridades com a promoção do ensino industrial e comercial no Cubal, reconhecendo o seu papel estratégico no desenvolvimento regional. Este tipo de apoios financeiros permitiram equipar as oficinas, contratar  professores e oferecer uma formação de excelência.

 

A Escola Industrial e Comercial – D. João II, à semelhança do Colégio Eça de Queirós, Instituto Liceal , Escola Primaria 40 de outras instituições , representavam um investimento no capital humano do Cubal. Formava-se não apenas trabalhadores qualificados, mas também cidadãos conscientes do seu papel na construção de uma sociedade mais próspera.

 

Estas imagens e documentos são um tributo a todos os alunos, professores e funcionários que fizeram parte da Escola Industrial e Comercial – D. João II e das restantes Instituições de ensino. Foram eles que, com o seu trabalho e dedicação, ajudaram a construir o futuro do Cubal, deixando um legado de conhecimento e competência que ainda hoje se faz sentir.

 

Convidamos os nossos leitores a partilhar nos comentários as suas memórias, histórias ou fotografias relacionadas com a Escola Industrial e Comercial do Cubal. Ajuda-nos a enriquecer ainda mais este registo histórico! Caso verifiquem alguma incoerência no texto, agradeço que me informem para que possamos corrigir e manter a nossa história o mais fidedigna possível.

 

Ruca






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22 junho 2025

10 de Junho de 1966 no Cubal: Juventude, Futuro e a nossa Bandeira Liceal

Da esquerda para a direita, temos a Eugénia, a Marília, Nanda Valadas e a Anabela Espinha.


Que grande tesouro a Nanda Valadas partilha connosco hoje no nosso blogue! Esta imagem é mais do que uma fotografia; é um pedaço da nossa história, capturado no dia 10 de junho de 1966 (há 59 anos!), um dia que hoje celebramos como Dia de Portugal. E para nós, cubalenses, esta data ganhava um significado muito particular, especialmente através da nossa juventude.

Ao olhar para esta fotografia, sente-se um orgulho imenso. Vemos ali, de pé, quatro jovens que representam o futuro, a esperança e a dedicação do nosso Cubal. Da esquerda para a direita, temos a Eugénia, a Marília, Nanda Valadas (que nos brinda com esta recordação!) e a saudosa Anabela Espinha. As suas posturas, os seus uniformes impecáveis e os seus olhares sérios e focados mostram a importância do momento e o respeito que tinham por ele.

Mas há um elemento que, para mim, se destaca e que, como mostro no pormenor, tem um significado profundo: Bandeira do Instituto Liceal do Cubal. Esta bandeira não era apenas um pedaço de tecido com um emblema; era o símbolo da nossa educação, do nosso crescimento, dos nossos sonhos e das oportunidades que o ensino liceal trazia para a nossa terra. O lema "In Labore Falamus" (No Trabalho Falamos/Nos Expressamos pelo Trabalho) resumia bem o espírito de dedicação e esforço que se esperava de nós, estudantes.

Ver esta bandeira, erguida com tanto aprumo, nas mãos da Marília e da Nanda Valadas, é ver o reconhecimento da importância da instrução no Cubal. O Instituto Liceal era um pilar fundamental da nossa comunidade, formando gerações e abrindo portas para um futuro mais promissor. Esta imagem é, portanto, uma homenagem à educação, ao esforço coletivo e à juventude que se preparava para os desafios da vida, com o orgulho de pertencerem à sua terra e à sua escola.

É fascinante pensar nos pensamentos e aspirações que passavam pela mente destas jovens naquele dia, enquanto celebravam uma data tão marcante e representavam o seu Instituto. Esta fotografia é um testemunho da seriedade e do compromisso com que a nossa juventude encarava o seu papel na sociedade.

Um agradecimento muito especial à Nanda Valadas por nos dar a oportunidade de revisitar este momento tão significativo. Estas são as memórias que enriquecem o nosso património afetivo e nos permitem manter viva a chama do passado do Cubal e arredores. Fico à espera de mais memórias assim!


Ruca

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