01 janeiro 2026

📚 Homenagem aos Professores do Cubal (até 1975)

 

📚 Homenagem aos Professores do Cubal (até 1975)

Escola Primária 40, Colégio Eça de Queiróz, Escola Industrial e Comercial D. João II e Instituto Liceal do Cubal

Começamos o ano com o coração virado ao passado. Ao Cubal que fomos. À infância que nos construiu. À escola que nos ensinou a ser gente.

Nos últimos dias vivi algo bonito, que merece ficar escrito — reencontrei duas professoras que marcaram a minha vida: Anizabel Cabral, que me ensinou aos 6 anos, e Marta Carmo, minha professora mais tarde. Palavras trocadas após tantos anos reacenderam memórias guardadas. O tempo passou, mas o afecto ficou.

E porque a memória não é só minha, mas de todos nós, nasce este espaço.


🏫 As nossas escolas — onde muitos deram os primeiros passos

📍 Escola Primária nº 40
Lugar das primeiras letras, tabuada e Hino Nacional.
Onde começavam histórias que ainda hoje nos acompanham.

📍 Colégio Eça de Queiróz
Caminho entre a infância e o futuro.

📍 Escola Industrial e Comercial D. João II
Porta de entrada para o ofício. Formação técnica e comercial.

📍 Instituto Liceal do Cubal
O salto para o mundo. Estudos liceais que moldaram gerações.

📍 Explicadoras/es
Também eles tiveram um papel essencial, ajudando-nos quando as dificuldades cresciam e a matéria pedia reforço. Quantos de nós devem notas, confiança e disciplina a essas tardes extra?

Foram centenas de alunos. Foram dezenas de professores, educadores e explicadores.


👩‍🏫 Professores que guardamos na memória

(lista viva e em construção — acrescentaremos com a vossa ajuda)

  • Anizabel Cabral
  • Marta Carmo
  • Olga Santos
  • Olívia Abreu
  • Leonel Neves
  • Maria Joaquina Melo Martins (anos 40 – foto e memória cedida por António Pedro)
  • Acrescentaremos todos os que forem lembrados

📸 Memória já partilhada

Nesta imagem antiga aparecem alunos da Escola Primária do Cubal nos anos 40 (c. 1940), orientados pela professora Maria Joaquina de Melo Martins. São rostos que carregam história — crianças que cresceram, partiram, criaram famílias e que hoje revivem nesta fotografia manuscrita.

Turma antiga do Cubal (anos 40). Foto cedida por António Pedro.



Se reconheceres alguém — um colega, um professor(a) ou souber o ano exacto — deixe nos comentários.

Cada informação ajuda a reconstruir o passado.

📝 Nomes identificados até agora

Professora:
• Maria Joaquina de Melo Martins

Alunos identificados (zona superior da foto):
• Tetinha Querido
• João Abel
• Irmã da Edite
• Tóneca P. Lemos
• Ratinho
• Zeca P. Lemos

Alunos identificados (zona inferior):
• Mª (Maria) Adelaide
• Mª (Maria) Helena
• Hortência
• Natália
• Maria José
• Edite
• Mª Adelaide Querido

Lista em atualização contínua com a ajuda dos leitores.

🔗 Memória relacionada:
➡ Memórias de Família — Linhagem do Cubal (post anterior)


🤝 Contribuição dos Leitores

Queremos reunir neste espaço o máximo de memórias possível.
Se tiver fotografias, histórias, nomes de professores, datas ou simples recordações — partilhe connosco.

📩 Enviar memória / fotografia para o arquivo

📬 Tens recordações, fotos ou nomes para acrescentar?
👉 Partilha — este arquivo vive das vossas memórias!

Há memórias que não envelhecem. Envelhecemos nós — elas não.
Um professor é para sempre o primeiro farol.

Ruca
CUBAL Angola – Terra Amada


🧩 Memórias dos leitores (atualização contínua)

Contributos recolhidos através dos comentários do Facebook:

📍 Escola Primária Nº 40
• Professora Olga / Olguita — recordada com carinho (Constança Moniz)
• Professor Leonel Teixeira — referido por Rui Menino
• Professora D. Carmelina — década de 1950 (Fernando Matoso)
• Professora Sofia — “uma grande professora, muito boa pessoa” (Guilherme Oliveira)
• Professora D. Custódia (José Manuel Laranjeira)
• Professora Alice Sousa (José Manuel Laranjeira)
• Professora Laidita Carrasqueiro (José Manuel Laranjeira)

📍 Colégio Eça de Queiroz
• Professora Olga / Olguita (Constança Moniz)
• D. Cecília (Zé Fraga / Rui Menino / Fernando Matoso)
• Dr. Faria / Dr. Aurelino Faria (Zé Fraga / Fernando Matoso)
• Professora Maria Augusta Queirós (Carla Marta Neves)
• Professora Maria de Lourdes Marta (Carla Marta Neves)
• Rui Menino estudou aqui o início do percurso escolar
• Amélia Barbêdo estudou até 1965 antes de ir para Sá da Bandeira

📍 Outros professores recordados / explicadores
• Prof. Maia (Mimi Fraga)
• Prof. Marta — já presente no texto (Rui e Mimi Fraga)
• D. Cecília — muito marcada na memória colectiva
• Olga (Olguita) — presença que gerou emoção e reencontros

Se tiveres mais nomes, conta nos comentários ou envia por email. A lista continuará a crescer.

💬 Comentários e Memórias

31 dezembro 2025

Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1959

 

Dora Vilar, Lisete, Sebastiana, Chico e Olga Valadas.

Chegamos ao último capítulo desta série de memórias partilhadas pela nossa querida Fernanda Valadas. Após os registos de 1956, 1957 e 1958, fechamos a década com esta imagem de 1959, ainda no ambiente festivo do Antigo Recreativo do Cubal, quando o Ferrovia ainda não existia e as passagens de ano se viviam com simplicidade e encanto.

Nesta fotografia identificam-se, conforme indicação da Fernanda:
Dora Vilar, Lisete, Sebastiana, Chico e Olga Valadas.

Os vestidos claros, o sorriso tímido, o ar descontraído do Chico — são detalhes que nos transportam para um Cubal de música, de família e de festa. As fotografias desta série não são apenas registos; são fragmentos vivos da nossa memória colectiva.

Com esta publicação, concluímos a sequência oferecida pela Fernanda Valadas (1956-1959), que tão generosamente partilhou estas imagens preciosas. Que fiquem guardadas aqui como testemunho de um tempo que marcou vidas e deixou saudade.

Que o brinde de 1959 ecoe hoje também em nós. 🥂✨

Feliz Ano Novo!!!

Ruca


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno1959 #MemóriasDoCubal #ArquivoHistórico

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Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1958

Damos mais um passo nesta viagem pelas memórias familiares enviadas pela nossa amiga Nanda, que tem sido uma ponte preciosa entre o Cubal que foi e o que preservamos hoje. Depois dos registos de 1956 e 1957, chegamos ao Réveillon de 1958, ainda no Antigo Recreativo do Cubal, numa época em que o Clube Ferrovia ainda não existia.

A cada fotografia sentimos que o tempo regressa. Os vestidos a condizer, as flores ao peito, a alegria discreta e elegante das festas de fim de ano. A infância, a juventude, a família – tudo respira vida.


📷 Imagem 1


Olga, Lisete, ??, António Valadas e ??
Hernâni Cabral, disse: 
Olga, Lisete, Albano (irmão do barbeiro Moura), António Valadas e António Querido (pai da falecida Ondina Querido).

Posada e serena, destaca-se a elegância simples do vestir e o ar orgulhoso de quem marca presença na grande festa de fim de ano. 

📷 Imagem 2


Ilda, Matos, Olga, Garruço (encoberto), Nanda e Chico Valadas

Cenário festivo, copos erguidos e cumplicidade à volta da mesa. As expressões vivas e espontâneas fazem desta imagem um fragmento rico em emoções.

📷 Imagem 3


Olga, Augusta Mota e Lisete

Um retrato feminino que espelha moda, juventude e alegria. As flores nos vestidos e o olhar confiante reforçam o espírito da época.

De seguida, partilharemos o registo de 1959, encerrando este ciclo de memória oferecido pela Fernanda. Que estas imagens continuem a unir quem viveu, quem recorda e quem deseja conhecer a história afectiva do Cubal.

Ao Cubal, ao passado e a quem o mantém vivo. 🥂✨

Ruca


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno1958 #MemóriasDoCubal #ArquivoHistórico

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30 dezembro 2025

📜 Mensagem de Ano Novo - Para todos os Cubalenses espalhados pelo mundo

 


📜 Mensagem de Ano Novo

Para todos os Cubalenses espalhados pelo mundo

Chega o fim do ano e, como sempre, o coração volta ao Cubal. Basta uma fotografia antiga, o cheiro da terra depois da primeira chuva, o som da desfibra do sisal ou o brilho dourado das tardes quentes para que tudo regresse – como se nunca tivéssemos partido.

Depois de 1975, muitos seguiram caminhos diferentes. Uns ficaram em Angola, outros partiram para Portugal, Brasil, Estados Unidos, Holanda, Canadá, Alemanha, França e muitos mais destinos. Espalhámo-nos pelo mundo, mas continuamos unidos pela saudade e pela memória.

Hoje o blogue recebe visitas dos quatro cantos do planeta. Onde há um cubalense, há um pedaço da nossa história.

Este espaço existe para que o Cubal não desapareça nos baús do tempo. Para que fotografias, cartas, bilhetes e histórias não permaneçam escondidas, mas regressem à luz através de quem as viveu.

Se tens memórias do Cubal, ajuda-nos a preservá-las:

  • 📌 Procura fotografias antigas guardadas em casa;
  • 📌 Fala com familiares mais velhos enquanto podemos ouvi-los;
  • 📌 Envia-nos fotos, datas, relatos e nomes — tudo importa.
Envia as tuas memórias para o nosso arquivo histórico do Cubal!
Com um simples clique podes partilhar fotografias, documentos ou histórias.

📩 Enviar Memória / Fotografia

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Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1957

Caros amigos cubalenses e amigos do Cubal,

Prosseguindo esta viagem pela década de memórias enviada pela nossa sempre presente Fernanda Valadas, chegamos ao ano de 1957, onde a passagem de ano surge em ambiente de festa, sorrisos e brilho juvenil. Depois do registo publicado referente a 1956, hoje partilhamos duas fotografias que nos aproximam ainda mais da vida familiar cubalense daquela época.

É reconfortante observar como o tempo permanece guardado em pequenos gestos: os vestidos engomados, os laços cuidadosamente colocados, o olhar curioso das crianças e o brinde levantado com esperança num novo ciclo. As imagens falam, e o Cubal volta a viver nelas.

No Antigo Recreativo do Cubal, numa época anterior à existência do Clube Ferrovia.

📷 Foto 1 – O Brinde

Na primeira imagem, segundo indicação da Fernanda, reconhecemos:
António Valadas, Idalina Mendes, Lisete Valadas e Maria Sampaio.
Os copos erguem-se, os sorrisos surgem e o ambiente de festa é evidente. Cada olhar é um testemunho silencioso de um tempo em que celebrar significava reunir família e amigos, partilhar mesa, música e alegria simples.

📷 Foto 2 – Em Família


Na segunda imagem identificam-se:

António Valadas, Vitorino, Olga, Anita e o primo Vítor, ainda menino, com o olhar atento de quem absorvia tudo à sua volta. As garrafas e copos distribuídos pela mesa remetem-nos para o ritual festivo tão típico da época — onde os adultos brindavam e as crianças espreitavam o futuro com olhos grandes.

Estas imagens representam mais do que um registo fotográfico. São parte da nossa história coletiva — afetos preservados no tempo pela Fernanda, agora partilhados com todos nós. Assim seguimos, ano após ano, reconstruindo memórias do Cubal.

Em breve partilharemos as fotografias de 1958 — três registos que mostram novos momentos desta mesma família e deste mesmo Cubal que não se apaga.

Que estas memórias continuem a unir quem viveu, quem recorda e quem hoje deseja conhecer a história afetiva desta terra que tanto amamos. 🥂✨


#CubalAngolaTerraAmada #MemóriasDoCubal #PassagemDeAno1957 #ArquivoHistórico

💬 Comentários e Memórias

Passagem de Ano no Cubal – 31/12/1956

Passagem de Ano no Cubal – 31 de Dezembro de 1956

Caros amigos cubalenses e amigos do Cubal,

Ontem foi dia de tristeza, com a partida do nosso corredor e amigo João Carona. Não é simples escrever sobre festas quando o coração ainda está apertado, mas a memória tem esta forma de consolar – recordando-nos que também houve alegria, música, família e encontros que nos continuam a definir. Honrar quem parte é continuar a cuidar do que permanece.

Hoje iniciamos uma nova viagem ao passado, graças à generosidade da Fernanda Valadas, que, mesmo vivendo longe, nas terras escocesas que agora chama casa, tem sido presença próxima. O seu carinho pelo Cubal e o empenho em preservar recordações fazem dela um apoio essencial para mantermos este blogue vivo e atualizado. Os documentos e fotografias que nos envia não são apenas imagens – são pontes, afetos e tempo recuperado. Por isso, o meu sincero obrigado.

A fotografia que hoje partilhamos é da Passagem de Ano de 1956, e, como refere a Fernanda, realizada no Antigo Recreativo do Cubal, numa época anterior à existência do Clube Ferrovia. Identificam-se na imagem:

António Valadas (pai), Ilda lá atrás,  Mendes, D. Olinda, Olga Valadas, Nanda e Anita.

Um registo que nos devolve um Cubal familiar e sereno: vestidos engomados, laços cuidadosamente colocados, expressões sérias para a câmara e a elegância discreta de quem celebrava com simplicidade e união. Um retrato que atravessou quase sete décadas para chegar até nós intacto na emoção.

Este será o primeiro de quatro anos que iremos partilhar em série, com mais imagens enviadas pela Fernanda:

  • 📌 1956 – 1 fotografia
  • 📌 1957 – 2 fotografias
  • 📌 1958 – 3 fotografias
  • 📌 1959 – 1 fotografia

Cada imagem, uma memória.
Cada memória, uma história.
Cada história, um pedaço do Cubal que não deixamos morrer.

Que este brinde de 1956 seja o início de uma bela viagem através da década que se seguiu.
💛 Ao Cubal que fomos, ao Cubal que guardamos.


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno #MemóriasDoCubal #ArquivoFotográfico

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28 dezembro 2025

Passagem de Ano no Cubal — Memórias de Amizade e Juventude, por Vanda Alves

 

Passagem de Ano no Cubal — Memórias de Amizade e Juventude
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Fotografia gentilmente cedida por Vanda Alves

Na continuidade desta série dedicada às memórias de Réveillon no Cubal, revisitamos hoje um registo especial — uma fotografia carregada de espírito, amizade e boa disposição. Partilhada em 2017 por Vanda Alves, mostra-nos o seu pai, Alves, rodeado de amigos numa noite de Passagem de Ano em ambiente descontraído e festivo.

Na imagem identificam-se ainda Luís Lousa, Toneco Lousa, Raimundo e dois rodesianos, técnicos ligados à fazenda do Sr. Laranjeira — figuras que muitos recordarão da vida social cubalense.

Os fatos bem alinhados, os gestos soltos e os sorrisos abertos revelam muito do que eram estas celebrações: encontros de amizade sincera, música, alegria e o entusiasmo típico de quem brindava a um novo ano com esperança e confiança.

Se algum leitor reconhecer mais rostos, histórias ou episódios relacionados com esta noite, convidamos a partilhar nos comentários — cada contributo ajuda a enriquecer o património de memória viva do nosso Cubal.

Que estas imagens continuem a unir quem viveu, quem recorda e quem quer conhecer a história afetiva desta terra que tanto amamos. 🥂✨


#CubalAngolaTerraAmada #MemóriasDoCubal #PassagemDeAno #HistóriaDoCubal

💬 Comentários e Memórias

Conjunto Ferrovia do Cubal – Passagem de Ano 1965/66


Conjunto Ferrovia do Cubal – Passagem de Ano 1965/66

Fotografia cedida por Hernâni Cabral (publicada originalmente em 26/04/2009)

Hernani Cabral, disse:Passagem de Ano no Ferrovia que durou até ás 9 da manhã. Eu à esquerda no contra baixo, António nas maracas, Dudo Corte Real na bateria, Guei vocalista, Pato no acordeon e Miguel na viola. Neste ano o Recreativo não organizou o fim de ano e daí o facto de aparecer em primeiro plano o sr, António Valadas com o genro Mourão à frente dele. Recordo isto como se fosse hoje.

Hoje voltamos ao baú das memórias para reencontrar um momento especial das nossas passagens de ano no Cubal. Esta fotografia, partilhada pelo Hernâni Cabral, mostra o Conjunto Ferrovia em plena atuação na noite de Réveillon entre 1965 e 1966. Um palco simples mas cheio de vida, decorado com estrelas e motivos festivos, que nos transporta de imediato para o ambiente caloroso dos bailes daquela época.

Vemos instrumentos alinhados – acordeão, guitarra, contrabaixo, bateria – e músicos que deram ritmo às danças, aos abraços de meia-noite e às promessas de um novo ano. São rostos que pedem identificação, histórias que aguardam voz, memórias que queremos reconstruir juntos.

Reconhece alguém nesta fotografia?
Se souber nomes, alcunhas, histórias ou curiosidades relacionadas com os músicos retratados, deixe o seu comentário ou envie mensagem. Cada contributo ajuda-nos a ampliar o arquivo vivo do nosso Cubal.

Celebrar esta imagem é celebrar uma geração que fez do Ferrovia um palco de alegria, festa e convivência. Que este registo de 65/66 nos lembre que o Cubal vive em cada recordação que preservamos e partilhamos.

Que estas memórias continuem a iluminar o nosso presente e a inspirar o futuro. 🥂✨


#CubalAngolaTerraAmada #MemóriasDoCubal #Ferrovia #PassagemDeAno

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Passagem de Ano de 1966/67 – Memórias em palco, imagem gentilmente cedida por Fernando Machado


Passagem de Ano de 1966/67 – Memórias em palco

Imagem gentilmente cedida por Fernando Machado

Caros amigos cubalenses e amigos do Cubal,

No rescaldo de mais um ano que se encerra, regressamos ao Cubal que vive em nós. Desta vez, viajamos até à viragem de 1966 para 1967, quando a música e o brilho das estrelas decorativas enchiam o salão e inauguravam com alegria um novo ciclo. A fotografia, partilhada com amizade pelo Fernando Machado em 2012, mostra-nos a banda que animou aquela noite – um momento congelado no tempo, mas vivo na memória coletiva.

Ao centro, reconhecemos o saudoso Júlio, vocalista que tantos recordarão pela presença em palco e pela forma como dava alma às noites do Ferrovia e do Recreativo. Os restantes elementos aguardam ainda identificação, e deixamos aqui o apelo à memória dos leitores: quem reconhece estes músicos?
Quem quiser partilhar nomes, histórias ou curiosidades será muito bem-vindo nos comentários. Cada detalhe ajuda-nos a reconstruir o arquivo vivo do Cubal.

O pano de fundo com luas e estrelas, a inscrição do ano em grande destaque, o acordeão, o contrabaixo, os metais e a energia própria da juventude dão-nos a dimensão do que estas festas representavam: celebração, comunidade e promessa de futuro. Era assim que o Cubal recebia o novo ano — com música, amizade, convívio e esperança.

Que esta fotografia seja mais uma centelha de memória a iluminar o presente, e que possamos continuar a juntar peças da história que é de todos nós. ✨


#CubalAngolaTerraAmada #PassagemDeAno #MemóriasDoCubal

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As memórias de António Freitas de Oliveira: Visitas na Nossa Terra -partes IV, V e VI - (fim)

 

Visitas na Nossa Terra: Do Cubal ao Coração de Lisboa (IV, V e VI)

Concluímos hoje a partilha das memórias de António Freitas de Oliveira. Um percurso que nos leva da tranquilidade das fazendas do Cubal ao céu de Angola, terminando numas férias inesquecíveis na metrópole. Se perdeu os capítulos anteriores, pode ler aqui a Parte I e as Partes II e III.

___________ Visitas na Nossa Terra - IV "Noites de luar e a lagoa: Silêncios da Fazenda"


No regresso Estela acompanhou-me ao Cubal para uma semana de ‘arranjos caseiros’ pequenas obras e arrumos da casa da fazenda. D. Margarida, senhora bailunda, governanta desde os tempos da mãe, é quem melhor domina a dialética caseira, sabe de cor os esconderijos de todas as formigas...com Estela são como peixe na água, relação familiar mesmo!

No silêncio da varanda com ‘polonaise’ a girar longe, deliciamo-nos com chá e biscoitos da tia da Estela trazidos de Nova-Lisboa...

- O ananás da Ganda está esplendido, prova Té...
- Não me apetece, vamos aproveitar este luar e dar uma volta até à lagoa

No Willys descapotável fazemos os dez quilómetros a passo, o capim dourado pelos faróis, a coruja Mariana a levantar da picada, lebres e coelhos em rápidos desafios ao jeep, um olhar esverdado, onça?... No silêncio africano contemplamos a lagoa espelhada pelo brilho lunar, nunses e gulungos sôfregos por água invadem o lado sul.

- Não sei se conseguiria viver noutro continente que não África, sobretudo nesta de lagoas brilhantes e estrelas grandes, onde os animais guardam em segredo os nossos beijos e afagos...
- Té, a nossa paixão por esta terra arde mais que as queimadas no cacimbo, crepita, não tem explicação...

- Concordo!... Estes pirilampos, o olhar doce das gazelas, os pingos gordos da chuva, o som que chega de longe, das aldeias, as gentes que nos saúdam seguindo com o olhar até desaparecermos na poeira...
- Ya Estela, as crianças de arco de barril, brinquedos de galhos decorados com lata...sempre com o alvo sorriso e brilho no olhar...

Restolho junto ao jeep, aponto a Winchester de quatro pilhas, visita já esperada do Picante, porco-espinho ‘voyeur’ que sempre nos saúda...
- Está a arrefecer, vamos Estela?
- O meu beijo de despedida?

@ntonioFreitasdeOliveira (texto/foto)


___________ Visitas na Nossa Terra - V "Entre o sisal e o céu: Voos de Cessna sobre o Cubal"


Vão chegando noticias que a luta nacionalista tem intensificado as investidas a norte de Luanda... gerando desconfiança nas fazendas e bairros periféricos. Com a coordenação do chefe de posto começam a ser formadas e preparadas melícias... a preocupação e angústia, sobretudo com as crianças, trazem as gentes em desassossego.

- Marcolino, tem havido alguma movimentação estranha no teu bairro? pessoal de fora?
- Por lá está muito calmo, só a doença do senhor Salupeto traz confusão... mais só onça me levou dois cabritos, isto é que me chateou mesmo!

Vou com a D.Estela passar uns dias na fazenda do nosso amigo Sr. Vicente... Chegados à Luena, fazenda rica em sisal e produtos hortícolas, somos recebidos na varanda com a mesa supinamente composta: sumo de laranja sem rival, pão quente da fornalha, geleia de morangos, camarões chegados de Benguela e umas Cucas perdidas de geladas.

Vicente cuidava com muito amor o Cessna, o hangar e a pista de terra batida que terminava no começo do mar verde de sisal.
- Meus queridos, tenho a avioneta preparada, à tarde vamos sobrevoar a região do Cubal...

Deixamos o Willys e partimos, Estela na parte de trás lindíssima no seu lenço de cabeça em tons de azul, envolvente nos Persol à Silvye Vartan. Paisagens deslumbrantes, filas de sisal alinhadas milimetricamente, crianças acenando à passagem...

- Té, aquele bando de carraceiras junto à asa direita, em baixo a nossa fazenda, a Margarida a estender a roupa.

Já em terra e com o sol a cair, assistimos na pista a uma espectacular dança de chinganges... muito bonitas as máscaras, os fatos, os pés bem batidos de levantar poeira...
- Té, vamos selar este dia com um abraço longo e aquele beijo só teu?
- Meu não, nosso!

@ntonioFreitasdeOliveira


________Visitas na Nossa Terra - VI  "Lisboa em Agosto: saudades e sonhos de regresso"


Agosto de 1973, partimos de férias para a Metrópole. Chegados a Lisboa dirigimo-nos de táxi para o hotel do costume, Miraparque. Estela abre as janelas do quarto:

- Antes do banho quero repousar a vista nos tons do parque florido... adoro o verde frondoso, este Eduardo VII, pena serem tão curtas as férias.

- Estela, não achas que faz falta um Metro no Huambo? Ligar a baixa desde S. João à alta? Estações na Escola, Liceu, Aeroporto...
- Os teus intermináveis sonhos... como dizia o poeta, ‘o sonho comanda a vida’...

Entramos nos Porfírios, sacos repletos de novidades para a Té... Os dias voam, fomos cear ao Faia, ouvimos a Lucília do Carmo, o Alfredo Marceneiro, sentados, não muito longe, do Ary dos Santos... os encantos da noite Lisboeta.

Fomos à Feira Popular almoçar umas sardinhas pingadas de gordura de-broa-das...
- Faz-me impressão como consegues acompanhar sardinhas com Laranjina C...
- A mim faz-me impressão comeres as bifanas dos Restauradores acompanhadas a Pála-Pála...

Passeamos por Alfama, Mouraria, Castelo e Feira da Ladra, levamos o aroma a cera de madeira, o Tejo na viagem de comboio a Cascais, as queijadas em Sintra, os pastéis de Belém, o caldo verde do Galito. Deixamos Lisboa com muita vontade de mergulhar dos esporões no Lobito.

Em pleno voo:
- Férias maravilhosas, adorei, as melhores de todas, quando voltamos?
- Deixa-me pensar... Agosto de 75, que te parece?
- Parece-me bem, puxa a manta para cima para te dar aquele beijo, o nosso...

@ntonioFreitasdeOliveira (texto)


Nota do Blogue: Um agradecimento especial ao António por este testemunho tão vivo e emocionante. Ficam as memórias de um tempo e de uma terra que nunca esquecemos. Ruca

💬 Comentários e Memórias

A filha nasceu no Cubal em 1963 — memórias da Maria Laura

A filha nasceu no Cubal em 1963 — memórias da Maria Laura 

Clube da Vila, chifon cor-de-rosa e vida na Fazenda Fernando Alberto

Algumas mensagens chegam como abraços do passado. A Maria Laura, prestes a celebrar 90 anos, deixou-nos um testemunho simples, mas cheio de luz — de quando o Cubal era casa, festa, escola e terra que guarda memórias vivas. Pedi autorização para eternizar as suas palavras no nosso arquivo do Cubal Angola Terra Amada.

Aqui ficam, com carinho.


📖 A memória contada pela própria Maria Laura

"Bom dia. Gostei muito de ler. A minha filha nasceu no Cubal em 1963. Fomos para Benguela logo a seguir e ela diz que nasceu em Benguela. Assisti à inauguração do Clube da Vila. Depois o Cubal foi elevado a cidade. Voltei lá muito mais tarde, colocada como professora um ano lectivo. Fui pelo Estado, mas a escola era na Fazenda Fernando Alberto que pertencia ao Sebastião das Neves. A minha filha tinha 4 anos e recorda-se de algumas coisas, especialmente da onça que lá foi criada. Um dia destes entrarei em contacto consigo para contar mais coisas, mas hoje estou muito ocupada com a família. E já farei dia 4 a idade de 90 anos. Bom Ano Novo para si. NB: Passei um fim de ano no Clube do Cubal com amigos. Mesas fartas, lindos vestidos. O meu era de 'chifon' cor-de-rosa."

Maria Laura, muito obrigado pela tua partilha. Quando quiseres, regressa com mais histórias. Este espaço é teu, e será uma alegria continuar esta janela aberta ao passado contigo.


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Ruca

💬 Comentários e Memórias

Memórias de Família: A linhagem do Cubal contada por António Pedro Almeida


Há comentários que são mais do que comentários — são janelas abertas para o passado, fios que ligam pessoas, histórias e afectos a um Cubal que vive ainda no coração de muita gente. O António Pedro Almeida deixou-nos um testemunho precioso, cheio de nomes, memórias e caminhos familiares que atravessam gerações. Pela riqueza das suas palavras, merece ser guardado aqui, no nosso arquivo de afectos cubalenses. 


📜 A memória que o António partilhou connosco

A mãe, Maria Natália, hoje com 94 anos se fosse viva, falava-lhe das festas no Cubal. O avô, Joaquim Espírito Santo Ferreira (138 anos faria hoje), foi chefe de posto no tempo em que se ergueu a igreja do Cubal, se abriu a escola onde lecionava a avó, Maria Joaquina Melo Martins (125 anos de memória). Eram dias da estrada Cubal-Ganda, das árvores alinhadas, do tempo do boi cavalo, das fazendas de sisal dos alemães — entre eles, talvez Kiskerof — e das caçadas na época da II Guerra Mundial.

O tio, João Abel Correia Martins (95 anos teria hoje), cresceu no Cubal, viria mais tarde a ser engenheiro no Banco de Crédito em Luanda e conduziu as obras para a abertura do Banco de Crédito no Cubal, onde estava o Sr. Vitor Alves. Pelo relato, conviviam famílias ligadas aos Caminhos-de-Ferro, recordando-se os Cristina, entre outros nomes que florescem como ecos de uma época de festa, amizade e construção.

Histórias que o tempo levou nos braços, mas não apagou — porque alguém as recordou. E porque agora ficam aqui escritas.


✨ Gratidão e homenagem

Ao António, o nosso profundo agradecimento pelas palavras que nos deixou, pela generosidade de memória e pelo carinho pelo CUBAL Angola Terra Amada.

Disse ele, com verdade que nos atravessa:

“Nada consegue apagar as boas memórias de uma gente digna e honrada... A amizade essa é imortal.”

Que estas páginas sejam casa para todas as histórias que merecem não cair no silêncio. Se também guarda memórias do Cubal, este é o lugar para as partilhar.

Ruca
CUBAL Angola Terra Amada

🔗 Memória relacionada: ver neste link (clicar aqui tema relacionado) 


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27 dezembro 2025

Histórias da Família Cubalense - Por Fernando Marta Neves


Em 2008, o nosso conterrâneo Fernando Marta Neves brindou o CUBAL Angola Terra Amada com uma das mais saborosas e vivas crónicas que passaram pelo nosso Livro de Visitas. Entre memórias de escola, quedas de bicicleta, escapadinhas ao Colégio Eça para espreitar as miúdas à janela, cuidados do Sr. Tomé no Hospital do Cubal e o inesquecível temperamento do Dr. Largo, Fernando desenha-nos um retrato terno e divertido da juventude no Cubal.

Quinze anos depois, voltamos a partilhar este texto magnífico, agora acompanhado por uma imagem criada especialmente para a ocasião, para que a história não se perca e continue a viajar entre gerações.

A todos os cubalenses – de ontem, de hoje e do coração – deixamos o convite para revisitar estas memórias e também deixar as vossas.

📖 Livro de Visitas: Clique aqui para ler e deixar a sua memória


Do Dr. Largo, quem não se lembra? Foi meu professor de Física, Química e creio que também de Matemática. Era um crânio e um doce de pessoa. Foi pena sermos tão jovens e inconscientes e não aproveitarmos (falo por mim) todo manancial de informação e conhecimento que aquele homem, apesar da sua gaguez, nos transmitia, ultrapassando esta limitação escrevendo tudo o que dizia, no quadro, com uma incrível rapidez. Uma vez por outra quando a aula estava, o que era raro, mais monótona, pedíamos ao Dr. Largo, alegando uma hipotética indisposição, para sair. De imediato consentia dando-nos autorização para irmos ao hospital. Aproveitávamos então esse tempo, para em poucos minutos, nos deslocarmos de bicicleta, normalmente eu e o Campanhã, ao Colégio (Eça), a fim de vermos as “miúdas” que, naquele momento, à janela da sala de aulas, que algum tempo antes também tinha sido minha, desfrutavam do merecido intervalo, nem sempre coincidente com o da Escola, onde já havia um intervalo qualquer com cerca de 20 minutos, a permitir-nos mais uma passagem pelo colégio.

Nem sempre estas viagens corriam pelo melhor, houve uma vez, que ao dar a curva, ali no cruzamento da Singer, virando para o Tipóia, com as miúdas a assistir de camarote da tal janela, a velocidade era tal, que dei um malhanço, que me levou a ter mesmo que passar pelo hospital e, logicamente, de enfrentar o Sr. Tomé a quem dávamos, para justificar as quedas com a consequente ausência de pele em vária partes do corpo, a eterna desculpa do cão, “aquele malfadado cão que se atravessava sempre e na pior altura na nossa frente”, para suavizar a “coisa” com medo de levar algum tratamento de choque (uma generosa dose de tintura ou outra coisa qualquer que mais parecia o inferno em contacto com a pele ou com a parte donde esta se tinha ausentado), acrescido de um raspanete, que era o que mais se adivinhava naquele homem de aspecto “franzino, pequeno e delicado” e que afinal nos tratava como se fossemos seus filhos (só não nos dava, graças a Deus, uns merecidos cascudos).

Nas minha idas ao hospital que não foram muitas, mas não foram tão poucas assim, o senhor Tomé (que Deus tenha em descanso), nosso amigo, fazia questão de, e sempre que lhe era possível, ser ele a tratar-nos (o que na altura não representava lá um grande alívio…), demonstrando dessa forma, o carinho e a amizade que na verdade sentia por nós, e o seu inegável profissionalismo.

Lembrei-me agora daquela vez que fui com o Zé Silveira, ao hospital, para este arrancar um dente… Quem nos aparece para cumprir essa delicada operação? O senhor Tomé que amavelmente me permitiu a entrada para assistir à penosa intervenção, a pedido do Silveira, que me tinha mostrado, enquanto nos dirigíamos para o hospital o indesejado dente, abanando-o com a língua. O Silveira lá se sentou na cadeira de dentista existente no hospital, e mal o Sr. Tomé lhe diz para abrir a boca, ele abre-a realmente mas para começar a chorar e logo de seguida entre dentes, pois de imediato os cerrou.

Aí, eu como amigo do Silveira e custando-me tanto ver todo aquele sofrimento disse ao senhor Tomé que pacientemente aguardava o acesso ao condenado dente. - Ó senhor Tomé o dente já abana… e muito! Ai é! E agarrando com a mão esquerda a cabeça do pobre do Silveira que agora berrava que nem um condenado, possibilitando assim, com o alicate que segurava na direita, a extracção, num abrir e fechar de olhos, do motivo de tanta angústia. Creio que o Zé ficou um pouco zangado comigo, coisa que depressa passou, mal nos apanhámos fora do hospital e do alcance do senhor Tomé.

Mas, estava aqui eu a falar do Dr. Largo e desviei-me desse objectivo, falando de alguém que recordo, também e com muito carinho… o Sr. Tomé, enfermeiro do hospital do Cubal.

Voltando então ao Dr. Largo, que vi pela última vez pelo verão, em 76 ou 77 em Vila Real, perto da estação, imaginem, com uma melancia debaixo do braço… Chamei-o de longe, até para tirar dúvidas, pois já não o via há já alguns anos, ele olhou-me, aponta-me dedo e diz: - Do Luso ou do Cubal! E eu lá respondo: - Do Cubal Sr. Doutor, do Cubal! - Ah! O Cubal... gostei muito do Cubal… as feijoadas… o Hotel Rodrigues… O Abreu… Dava naquele ano aulas em Bragança, onde também gostava muito de estar.

O Dr. Largo além de um grande professor era, aparentemente, uma pessoa muito calma, mas quando lhe chegava a mostarda ao nariz… Lembram-se daquela aula em que sem motivo aparente desata aos murros à secretária e manda uma cadeira até ao fundo da sala, arremessada por cima das nossas cabeças? Foi o evacuar de uma sala, mais rápido que assisti até hoje, num abrir e fechar de olhos o Dr. Largo ficou só, mais a sua fúria...

Após aquela saída algo confusa, de imediato entrámos na sala e evitámos que o furioso Doutor mandasse mais cadeiras pelo ar. O senhor gritava qualquer coisa que de início não entendíamos. Após apurarmos o ouvido conseguimos entender:
“Eu quero ser Livre! O filho da ‘pi’ do Salazar, que vá p’rá ‘pi’ que o pariu! Quero é ser livre! E o ‘cabr..’ do Director, que é que ele quer? Que vá à M…! Vão todos à M…! Que é que eles querem? Eu quero é ser livre!”

Após uns intermináveis minutos, o homem lá acalmou e explicou-nos a razão: tinha sido convidado para leccionar numa Faculdade da Universidade de Luanda, o que o obrigaria a abdicar da liberdade de escolher, ano sim ano não, o destino da sua docência. Era pela Liberdade que ele bradava – alto e bom som – em Angola, nos anos 70. Um professor inesquecível.

Para terminar... Lembro aquela cena hilariante e constrangedora: indo do Liceu, à minha frente seguia a professora de música, quando o Dr. Largo, encostado a uma árvore, aliviava-se despreocupado. A senhora, atrapalhada, cumprimenta-o; ele vira-se, ainda a verter águas, e responde gago: “Mmm… muito bom dia, minha senhora!”. Seguiu depois a caminho da escola, feliz, pingas mal sacudidas e alma livre.

Para todos, um grande abraço.
Fernando Marta Neves


CUBAL Angola Terra Amada • https://cubal-angola.blogspot.com

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Sofia e Adriano Gonçalves — Passagem de Ano no Cubal

Damos hoje mais um passo no resgate das nossas memórias de Réveillon no Cubal. Nesta fotografia gentilmente cedida pela Mariana Carracha Gonçalves, revivemos um daqueles momentos que o tempo não apaga: uma noite de passagem de ano no Clube Recreativo do Cubal, onde elegância, música e amizade caminhavam de mãos dadas. Na imagem, vemos os seus pais — Adriano e Sofia Gonçalves — num daqueles passos de dança que diziam mais do que palavras. O salão cheio, os pares alinhados, os laços pendurados na decoração, a postura firme e feliz de quem aproveitava cada minuto. Eram festas que reuniam famílias, que aproximavam vizinhos e que davam brilho ao virar de cada ano. Recordar é também agradecer. E neste agradecimento cabe toda uma geração que se vestia para celebrar, que entrava no novo ano com esperança no olhar e que deixou em nós memórias dignas de serem preservadas. Ao republicarmos esta fotografia, prestamos homenagem não só ao Adriano e à Sofia, mas a todos os que preencheram as noites de réveillon do nosso Cubal com música, convivência e afeto. Que estas lembranças nos acompanhem enquanto outro ano se prepara para nascer. 🥂✨ Cubal continua vivo enquanto nos lembrarmos — e partilharmos.
Ruca


Os pais de Mariana: Adriano e Sofia Gonçalves,
na passagem de ano no Clube Recreativo do Cubal

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Cubalenses - Passagem de ano Ferrovia em 1969

 Passagem de Ano no Ferrovia, 1969 e outras memórias de António Pedro e Fernanda Guerra, por Selma Picado

Mais uma pérola que o tempo não apagou. Hoje regressamos ao Cubal de 1969, numa noite de Passagem de Ano no C. D. Ferrovia, onde a juventude se encontrava com brilho nos olhos e o futuro parecia caber inteiro num novo calendário que se abria.

Esta imagem, partilhada pela Selma Picado, mostra-nos três jovens alinhados e confiantes para a fotografia — António Augusto Pedro, Gil e Pessera — num daqueles registos simples, mas cheios de vida, que tantas vezes guardamos sem imaginar que, décadas mais tarde, seriam memória colectiva.

Havia elegância no vestir, camaradagem no abraço e aquela energia própria da idade em que o mundo ainda era vasto e possível. A música ecoava, os brindes cruzavam-se, e cada ano iniciado no Ferrovia trazia promessas de encontros, namoros, danças e histórias que muitos ainda recordam com um sorriso no canto da boca.

Republicar esta fotografia é celebrar a geração que cresceu entre bailes, amizade e esperança — e que hoje reencontra aqui, neste espaço, parte do que viveu intensamente.

Que 1969 nos inspire, uma vez mais, a brindar ao que fomos e ao que nunca deixaremos de ser. ✨🥂

1

Passagem de ano no Ferrovia -1969

António Augusto Pedro, Gil e Pessera.

2.
Cubal, 09 de Agosto de 1975
Casamento de Fernanda Guerra e António Pedro

3.
António Pedro
aos 17-18 anos de idade 4.
Fernanda Guerra
com 15 anos, no Ferrovia5.
Fernanda Guerra

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Passagem de ano cubalense

À medida que outro ano se despede, o coração leva-nos de regresso às noites de gala que moldaram a nossa juventude no Cubal. Eram tempos de brilho simples, de música bem escolhida e de sonhos que cabiam num salão cheio de luz. Hoje, recuperamos mais um fragmento desse passado dourado — uma fotografia cedida com amizade e generosidade por Ivo Sérgio, companheiro de infância e memória viva da nossa terra.

O registo, feito durante uma Passagem de Ano no C. D. Ferrovia, mostra-nos uma mesa onde reinavam a boa disposição e o charme de uma época que soubemos viver com intensidade. Ali reconhecemos os pais do Ivo, Maria do Socorro e Augusto Pessoa, ladeados por Alexandre Fonseca (ao fundo) e pelo Enf.º Matos, num ambiente de festa e distinção que só o Ferrovia sabia oferecer.

Repare-se nos pormenores — a toalha de renda imaculada, as garrafas prontas para o brinde, o olhar confiante de quem recebe o futuro com serenidade. O Ferrovia era mais do que clube; era ponto de encontro, palco de amizades que atravessaram oceanos e décadas, e que continuam, como esta fotografia prova, a resistir ao tempo.

Republicar esta imagem não é apenas olhar para trás. É prestar homenagem a uma geração que edificou identidade, comunidade e afeto. Que este brinde captado no passado nos inspire a receber o novo ano com igual esperança, elegância e gratidão.

Um abraço fraterno para todos os que guardam o Cubal no coração. 🤍

Ruca


1.Alexandre Fonseca (ao fundo), Mª do Socorro, A. Pessoa e Enfº Matos no
C. D. Ferrovia – Passagem Ano

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22 dezembro 2025

Memórias de um tempo partilhado ... no Cubal ou noutro qualquer lugar .

 

(Memórias de um tempo partilhado)

Para este Natal, já tenho a minha mensagem tradicional pronta para vocês. Mas, de repente, tropecei nesta fotografia.

Não sei se foi tirada no Cubal, mas sei que podia ter sido. Ela retrata perfeitamente um pedaço da nossa história e das nossas memórias. Ao olhá-la, sou invadido por uma nostalgia imensa da felicidade simples que tínhamos nas nossas brincadeiras, naquela multiculturalidade que, para nós crianças, era natural.

Sabemos hoje, com olhos de adulto, que nem tudo era perfeito naquele tempo. O mundo ainda não o é hoje e provavelmente nunca será. Mas esta imagem faz-me bem à alma e relembra-me que a alegria genuína existiu.

Deixo-vos este pequeno poema que a foto me inspirou:

Retrato sépia de um sol antigo,
Onde a cor da pele não era perigo.
Pés na terra, na poeira quente,
Um passado que hoje se faz presente.

Sabemos que o mundo não era perfeito,
Mas guardamos no peito, com jeito,
A memória daquela brincadeira
Que parecia, então, a vida inteira.

Neste Natal, que a imagem nos traga,
Uma luz de esperança que não se apaga.

Feliz Natal a todos os amigos do Cubal!

Ruca

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20 dezembro 2025

Naquele tempo: As memórias de 1936 e o "milagre" da simplicidade no Cubal .Por Rodrigo (Bibito) Guerra

 


Naquele tempo: As memórias de 1936 e o "milagre" da simplicidade no Cubal

Por Rodrigo (Bibito) Guerra


Mais uma vez, o nosso querido Rodrigo "Bibito" Guerra abre o seu baú de memórias para nos presentear com um texto de uma riqueza incalculável. Desta vez, viajamos até 1936, ao ano do seu nascimento, para redescobrir um Cubal que poucos conheceram: um povoado de terra batida, iluminado a petróleo, onde a medicina era prática e a vizinhança era, verdadeiramente, uma família.

O Cubal era um pequeno povoado com ruas de terra batida, com poucos habitantes que conviviam como se de uma grande família se tratasse.

Em criança, jogávamos futebol na rua com toda a tranquilidade. Quando vinha um carro, buzinava e nós saíamos para lhe dar passagem. E não era difícil saber quem era, pois havia apenas três carros na povoação:

  • O do Luís da Silva (um Willys Overland do tempo dos dinossauros);
  • O do Zé Ilhéu (um belo Ford V8 modelo 1935);
  • E o do João de Oliveira (penso que um Nash).

Havia ainda um pequeno camião de carga de 5 toneladas, também do Zé Ilhéu, que viajava sempre com o seu cachorrão "Fiel" de pé no tejadilho — uma imagem que nunca esqueci.

As brincadeiras tinham os seus riscos, claro. Quando no calor do jogo chutávamos uma pedra em vez da bola e a unha do dedão se levantava a sangrar, a "farmácia" era imediata: colocávamos terra ou areia sobre o ferimento ou, método infalível da época, urinávamos sobre ele. Se o ferido não tivesse vontade de urinar, logo apareciam vários companheiros a oferecerem-se alegremente para o fazer! O curioso é que nunca houve casos de infeções graves com este "tratamento" de choque.

Foi neste cenário, no final do ano de 1936, em plena véspera de Natal, que eu nasci.

A minha parteira foi a Dona Maria Rodrigues, uma pessoa pouco letrada, que sabia assinar o seu nome e pouco mais, mas que possuía uma sabedoria imensa nas mãos. A sua ferramenta de trabalho? Uma tesoura, uma toalha, uma bacia destinada a água quente, um litro de álcool, algodão e gaze. Nada mais.

A povoação não tinha eletricidade nem água canalizada. A Dona Maria trabalhava à fraca luz de um candeeiro de petróleo — ainda nem tinham inventado o Petromax, que mais tarde daria uma luz parecida com a elétrica —, e utilizava água da cacimba (poço) que bebíamos sem medo.

Pois, nestas condições que hoje chamaríamos de "mais que precárias", ela conseguiu assistir todas as parturientes com sucesso, nas suas próprias casas. Eram todos partos naturais e todos resultavam em bebés saudáveis, como foi o caso da minha irmã (de quem a Dona Maria foi Madrinha), do meu irmão e o meu próprio.

Bem mais tarde, quando o Cubal já tinha evoluído e possuía duas Casas de Saúde com médicos e enfermeiros onde as parturientes eram atendidas, a Dona Maria costumava dizer, com a sua sabedoria antiga:

"Valha-me Deus, tanta complicação de coisa tão simples!"


Nota do Blogue/ Ruca: Esta história do Bibito deixa-nos a pensar na resistência e no desenrascanço daquelas gentes. Entre mezinhas de miúdos na rua e nascimentos à luz da candeia, o Cubal cresceu forte e saudável. Uma homenagem sentida à Dona Maria Rodrigues e a todas as parteiras que, com "quase nada", fizeram tanto pela vida na nossa terra.

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19 dezembro 2025

A Memória como guardiã da nossa História: O Cubal vive em cada um de nós


A Memória como guardiã da nossa História: O Cubal vive em cada um de nós

Muitas vezes pensamos que a História é apenas aquilo que está escrito nos livros, datado em documentos oficiais ou guardado em arquivos poeirentos. Mas a verdade, meus caros amigos e conterrâneos, é muito mais viva e vibrante. A verdadeira história do nosso Cubal é feita de memória.

A nossa memória, a história do Cubal 

Como vimos recentemente através das partilhas e vivências de António Freitas de Oliveira, Bibito Guerra,  a memória individual é a centelha que ilumina o passado. As recordações dele não são apenas dele; são um pedaço do puzzle que compõe a nossa terra.

A memória preserva a história porque ela é o veículo das nossas emoções e experiências. Ela atua em quatro frentes essenciais que mantêm o Cubal vivo, independentemente da distância física que nos separe:

  • 1. A Memória Individual: Cada um de vós guarda um Cubal único. O cheiro da terra molhada, o som do comboio a chegar, aquela brincadeira específica no quintal de casa. Estas pequenas peças formam o grande mosaico da nossa história local.
  • 2. A Memória Coletiva: É aquilo que nos une como "Cubalenses". São os eventos que vivemos juntos, as festas, as dificuldades superadas e as alegrias partilhadas. Esta memória cria a nossa identidade comum.
  • 3. Os Tesouros Visuais: Aquelas fotografias a preto e branco ou sépia que possuem nas gavetas, os documentos antigos, os vídeos tremidos... tudo isso são janelas para o passado que precisamos de preservar para as gerações futuras.
  • 4. A Tradição Oral: As lendas, os "causos" e as histórias que os nossos avós contavam à varanda. A palavra dita tem uma força inigualável na preservação da cultura de um povo.

🌍 O Desafio à Comunidade Cubalense

O blogue CUBAL ANGOLA TERRA AMADA! é mais do que uma página na internet; é o nosso ponto de encontro digital. Por isso, lanço-vos um desafio carinhoso: não deixem as vossas memórias adormecidas.

Tal como,  recentemente,  o António Freitas de Oliveira, Bibito Guerra  entre tantos partilharam os seus testemunhos, convidamo-vos a fazer o mesmo. Têm uma foto antiga? Uma história sobre um professor, um comerciante, ou um vizinho que marcou a vossa infância? Uma lenda que ouviram contar?

Partilhem connosco!

Enviem os vossos testemunhos e fotografias para o e-mail:
cubal.ruca@gmail.com

Vamos transformar as vossas memórias individuais na nossa História Coletiva. Porque enquanto houver alguém para recordar, o Cubal jamais será esquecido.

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As memórias de António Freitas de Oliveira: Visitas na Nossa Terra -partes II e III - (continua)

 

As Memórias de António Freitas de Oliveira: Partes II e III

Damos continuidade à belíssima partilha do nosso conterra António Freitas de Oliveira. Depois do impacto do primeiro texto (clicar aqui - parte 1) , mergulhamos agora numa viagem de comboio pelo CFB, entre o nevoeiro da madrugada e o calor dos reencontros em Nova Lisboa (Huambo).

___________ Visitas na Nossa Terra - II  "O som do vapor: viagens no Mala e aromas da Babaera" 

Desço as escadas do Mala na Babaera... Noite avançada, o sopro do vapor cortado pelo frio da madrugada abraça o meu corpo numa sensação única, mistura de sentimentos próprios de atravessar África...

A parca iluminação amarela, harmonia dos cânticos dos grilos e coaxar das rãs, o latido do rafeiro na estrada de terra batida, ali o neon da Fina esbatido pelo voo do salalé, longe o guarda-freios acompanhado a petromax...

Surges do alpendre de face escondia pelo desluar, sinto a fragância e logo o esboço do sorriso que antecede o infinito beijo da ausência...o teu coração batia forte no demorado abraço.

- Sempre linda Estela, conheço o teu rosto mesmo sem te olhar, único.
- Continuas o eterno charmoso, desafiante, subimos ou ficamos pela Babaera?
- Claro que subimos, Nova Lisboa aguarda-nos.

Em silêncio o lento partir, força extraordinária da negra máquina que ambos admirávamos... iniciava o ritmo compassado das travessas, som extraordinário igualável ao doce beijar das ondas no Compão.

De mãos dadas acompanhávamos o esvoaçar atordoado das fagulhas misturadas com as estrelas do planalto, também me focava nas fotografias da construção do C.F.B. que ornamentavam a confortável cabine de madeira lustrosa.

O som distante da campainha leva-nos ao wagon restaurante, o culminar da viagem que tantas vezes fazíamos assim em jeito de amadurecer o amor, de o tornar eterno. A papaia vermelha, o sumo das laranjas de Cambambe, ovos mexidos bem de galinha da aldeia, as compotas nos frascos ingleses tinham o sabor dos teus lábios, o pão quente seria da fornalha? E o café Estela? O cheiro do café?

- Este café acompanha-me sempre, esteja em Lisboa, Paris ou Berlim, não há sabor e odor igual no mundo.
- Estela, Caála, quase a chegar, vamos?



@ntonioFreitasdeOliveira

___________ Visitas na Nossa Terra - III "Vivências no planalto: entre o Ruacaná e a Kambu"

Sempre diferentes os dias passados no Ruacaná. Estela contempla da janela do quarto o amanhecer de vida no cuidado quarteirão da baixa, abertura das lojas, quitandeiras, chegada de militares de passagem para o Luso, a esplanada da Kambu nos primeiros cafés da manhã.

Antes de iniciarmos o dia, passo os olhos pelo Planalto entregue pelo paquete...
- Vamos?

No hall, o cumprimento de sempre ao amigo Brandão. Estela tinha hora marcado na cabeleireira, aproveito e vou ao Vaz alinhar o ‘corte francês’. Na esquina da Farmácia Colonial encontro o ‘velho’ amigo Figueiredo, ’Pinguinhas’, acabado de estacionar a sempre impecável Chevrolet, ali trocamos as ultimas das famílias - Então esse Cubal? Progredindo meu caro amigo... mais um aceno ao Marta da Cruz que nos mira do outro lado do passeio.

Nesta cidade tão especial, ganhamos muito do tempo perdido, há sempre minutos para a troca de um abraço com os amigos, dois dedos de conversa... como se tivéssemos nascido todos ali...

Antes de me encontrar com Estela passo pela Lello, para o gira-discos o ultimo LP do Fausto Papetti e outro dos Platters, para leitura levo o Papillon de Henry Charrière. Almoçamos na Kambu - Manel, para mim o incomparável ‘filet mignon’, peça por favor ao Sr. Mário a garrafa de vinho do jantar... no privado animadamente os amigos Kai, Almeida Campos e Pinto Leite.

- Estela, estes são os meus melhores momentos, as viagens contigo no mala, este respirar na cidade vida, os passeios nocturnos no silêncio da noite após o cinema... por falar em cinema já tenho bilhetes para o Ruacaná, o tão desejado filme, ‘Un homme et une femme’.
- É sobre nós? Ou inspiração futura de uma vida a dois?
- Como gosto desse teu olhar brilhante, o movimento dos lábios no quase sorriso... se estivéssemos sozinhos... 



(Continua brevemente)

@ntonioFreitasdeOliveira

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18 dezembro 2025

PARA A HISTÓRIA DO CUBAL - O ARQUIVO HISTORIAL DA CIDADE (editado)

Mais uma acha para a fogueira.

O ARQUIVO HISTORIAL DA CIDADE



Todas as pátrias, todas as terras e todos os homens, têm a sua génese, na sobrevivência das comunidades em que se inserem e nos imperativos que determinam a identificação do Homem com a sua ecologia. Isto é, os homens nascidos junto ao mar sentem, naturalmente, quando afastados da vibração do movimento das ondas, nostalgia do ambiente que lhes foi negado e o saudosismo dos poentes que deram o colorido cristalino às suas vidas. Da mesma forma, os homens que nasceram no campo, quando separados da paisagem tranquila das serras e dos montes, do verde repousante dos campos e do marulhar das águas dos rios que deram melodia à sua juventude, vivem na alma a angústia do quadro saudosista, do vazio do lar que lhes serviu de berço e o perfume dos pinheiros que crepitam nas lareiras nas longas noites de frios invernos.
Paradoxalmente, na imprecisão de elementos históricos acessíveis, da génese cronológica desta cidade, como terra e como comunidade, temos de nos conformar, valendo-nos de elementos dispersos e perdidos na poeira dos tempos, porque nem sempre existem, com oportunidade, no tempo e no espaço, os historiadores que submersos no silêncio da investigação persistente, escrevam com precisão formativa e honesta, as epopeias humanas, para que se sublimem como exemplo para os tempos fora, as gestas corajosas dos gigantes do passado, cuja memória nos cumpre honrar.
Portanto, paradoxalmente, o Cubal nasceu do ancestral espírito de aventura dos portugueses e, curiosamente, na simbiose de um homem que deixou o mar para se embrenhar na quietude emocionante e misteriosa da selva virgem e do silêncio das savanas agrestes. Mas foi a experiência do mundo que conheceu, da evolução que cuidadosamente estudou, que o dinamizou e inspirou na tentação de ser o primeiro a fixar-se numa terra que mais tarde encontrou a sua razão de ser na agricultura do agave, planta exótica e vinda de longe, que constitui essência de vida e destino de uma cidade, que o é, das mais promissoras na geopolítica e na geoeconomia de Angola.
E é natural inferir-se que foi justamente o denodo do marinheiro na osmose da persistente coragem do homem do campo, onde quase todos temos a nossa origem, que o fez enfrentar corajosamente a agressividade do clima e a dureza da terra, para que anos volvidos na ampulheta do tempo, esta terra fosse o que hoje é, como valor económico, como conjunto social, como povo sempre insatisfeito no anseio de progresso da sua urbe, esta realidade portuguesa que o sabe ser, entre os que mais orgulhosamente sentem, como portugueses de Angola, espanto, surpresa e quase inverosímil presença do luso-tropicalismo, cujas raízes se alimentam da seiva do ecuménico humanismo que os portugueses sempre admiravelmente revelaram ao Mundo.
O Cubal, na versão memorizada daqueles cujas rugas profundas no rosto, fazem adivinhar as canículas vividas nos sucessivos anos de trabalho árduo ao sol dos trópicos, humedecendo a dura terra que desbravaram, com o suor gotejante das suas frontes generosas, salgando as gargantas com as lágrimas que sorviam no saudosismo dos seus lares distantes e mastigavam no delírio febril das doenças, privadas de tudo e no desconforto de um ambiente inóspito e primitivo que só o seu estoicismo conseguia vencer; desses homens, cujos cabelos brancos lembram os cacimbos passados e constituem marcos imperecíveis da gesta humana que aqui foi escrita no passado, do que deles ouvimos em serões confabulatórios, permitir reunir os elementos conotantes da origem do Cubal. Sim. Temos de perguntar: - Como teria nascido o Cubal?
O Cubal nasceu da aventura de um homem cuja coragem e dignidade foi estímulo para a inspiração de muitos outros e que, depois dele, se fixaram e transformaram a terra agreste que era, na urbe prometedora que hoje se ergue para orgulho de todos nós.
O Cubal, que hoje comemora a efeméride do sexto ano, como jovem e das mais aliciantes cidades de Angola , nasceu da presença de um homem chamado Joaquim Francisco Ferreira, o “Yola-Yola”, como lhe chamavam os nativos. Oficial da marinha mercante portuguesa, despediu-se em Luanda, do navio a que pertencia, pelo seu inconformismo em face de decisões que considerou injustas e de que foi vítima, que se opunham a éticas fundamentais e inalienáveis de uma vivência moldada nos princípios da sua honra e dignidade e o levaram a desvincular-se da vida a que se devotara, procurando, longe dos homens que lhe feriram a alma, uma nova vida, onde pudesse realizar o seu sonho de viver tranquilo, no contacto saudável com a natureza mais agreste, mas mais leal, que às vezes compensa até com generosidade, os sacrifícios que se lhe dedicam.
Assim, Joaquim Francisco Ferreira, deixou Luanda e dirigiu-se para o Sul tendo chegado à Hanha a 24 de Junho de 1878, ali se fixando como comerciante e tendo adquirido aos autóctones oito glebas confinantes, fez-se agricultor e instalando uma fazenda que mais tarde se chamou Várzea de São João da Lutira. Fez uma grande plantação de cana sacarina e montou uma indústria que ao tempo tinha uma dimensão surpreendente. E Joaquim Ferreira foi, na Hanha, não só o comerciante, o agricultor, o industrial e até o grande juiz dos diferendos sociais e humanos dos povos da região, tão grande era o seu prestígio, a sua formação moral, a sua dignidade, o humanismo com que se conduzia e o seu elevado espírito de justiça. E de tal modo que facilmente conseguiu junto do Soba da região de nome Catoto, acabar com a pena de morte que então ali vigorava, como castigo para certos crimes, e que os nativos aceitavam com o seu ancestral espírito fatalista. No contexto do seu prestígio granjeado entre o próprio povo insere-se a atitude do Soba Catoto que sempre o procurava para o veredicto final das mais graves questões da sua gente que o Joaquim Ferreira sempre conciliava e resolvia dentro das leis portuguesas, mais humanas e cristãs, que persistentemente ia instilando nas mentalidades primitivas e incultas dos nativos.
Por razões a que já nos referimos, em artigo que assinamos, em “A Província de Angola” de 15 de Agosto de 1967 sobre o Cubal, que não repetimos por ocioso, Joaquim Ferreira, em 1923, veio para o Cubal onde construiu a primeira casa que embora com a traça primitiva alterada, ainda hoje existe à entrada da cidade, à esquerda e próxima da passagem de nível.
O segundo europeu que se instalou no Cubal e aqui construiu a segunda casa, foi Teodoro José da Cruz, pai do saudoso advogado de Benguela e quase lendária figura do seu historial, Dr. Amilcar Barca da Cruz, um dos homens mais cultos que conhecemos e com quem passamos longos e proveitosos serões. Depois, vieram as primeiras brigadas do caminho de ferro que aqui se instalaram provisoriamente.
Mas, como começou o Cubal como região agrícola e portentoso produtor de sisal?
Foi Francisco Severino de Lima, que construiu no Lobito as primeiras casa de madeira para o Estado e que ao Cubal um dia se deslocou enfeitiçando-se pela região e aqui, demarcando um terreno que anos depois deu origem às Fazendas Kiskerhof e Santana e Pires onde inicialmente se fizeram culturas de milho, gergelim e outros produtos característicos da região.
Algum tempo depois, outro advogado de Benguela, o Dr. Baltasar Aguian, avô do brilhante causídico Dr. Paula Azeredo e do grande cirurgião ortopédico do Porto, Dr. Luís Azeredo, procedeu também a importantes demarcações que durante bastantes anos foram dirigidas e desenvolvidas, entre elas a Chimbasse – pelo filho do Dr. Aguian, Paula Azeredo (pai), figura de extraordinária iniciativa e homem de grande humanismo nas suas relações e contactos com os autóctones, que se dedicou ao comércio, agricultura e pecuária e a quem os nativos, pela sua grande actividade e pelo facto de andar sempre de calções de caqui, chamavam o “Kamindumbo”, do “dumbo” com que designavam nesse tempo o caqui.
Em fins de 1913, um ano antes da primeira Grande Guerra, Francisco Severino de Lima, em face do contacto que tinha no Lobito, com os marinheiros dos navios que ali chegavam, teve conhecimento da existência de uma planta que se desenvolvia sem grandes cuidados nas regiões tropicais, o que o entusiasmou, conseguindo que lhe trouxessem das Filipinas, dois sacos de “bolbilhos” que colocou em viveiros e depois plantou em 15 hectares de terreno, no local onde hoje se situa a Administração do Concelho e o prédio de Sebastião das Neves. Foi, portanto, ao que consta, a primeira plantação de sisal da região ou mais propriamente de agave. Todavia, por razões que se perderam no tempo, mas que se deduz e justifica pela falta de conhecimento da industrialização do agave, Francisco de Lima não deu sequência à plantação, que entretanto foi crescendo sem o menor aproveitamento.
Entretanto pouco tempo depois, nasceram as plantações do Cuemba e a Fazenda Aurora, fruto de uma sociedade constituída por portugueses e alemães que fizeram plantações experimentais a partir dos bolbilhos, do Severino de Lima. E em 1927 surgiram no Cubal os alemães Luís e Hanse Spits, com o propósito de fazerem duas plantações, uma na margem esquerda do rio Cubal, onde depois foi a Fazenda Rio-Bom e a segunda no Calenguer.
Em 1929, dois anos depois, fundou-se a “Angola Stats” no Alto Catumbela , que anos depois foi transferida para o Membassoco por se ter reconhecido que este local oferecia melhores condições para o desenvolvimento da planta. Nesse mesmo ano Walter John fundou o “Alto Cubal”, em 1932, Hanse Kisker ergueu a Fazenda Agrícola Kiskerhof. Três anos decorridos, Hernest Marshall iniciou as plantações de sisal no Lompungo (Ganda); em 1937, Sebastião das Neves, esse eterno jovem do Cubal, e que além de pioneiro tem sido dos mais vibrantes entusiastas pelo seu progresso, fundou no Mungué-Cubal, a Fazenda Elisa.
Depois, a história contemporânea e portanto dos nossos dias, que todos conhecemos, cujos pormenores nos abstemos de enunciar para não tornar a descrição fastidiosa, por extensa, mas que fazem parte da gesta humana desta terra que um dia deverá ser escrita por um estudioso, pela justiça que todos devemos ao passado e ao magnífico exemplo dos homens e das mulheres que fizeram do Cubal e onde, uma vez mais, se revelou a sublimidade do espírito fraterno, ecuménico e cristão dos portugueses que souberam viver em paz com os autóctones, com os ingleses que por aqui passaram, e com os alemães cuja colónia ainda hoje aqui permanece, constituindo exemplo de organização as suas fazendas, permanentemente de comportamento cívico, de trabalho e convivência saudável. Isto demonstra, à saciedade, que houve sempre nesta terra, lugar para todos fosse qual fosse a sua origem raça ou credo.
Em 14 de Junho de 1961, é oficialmente fundado o Concelho do Cubal, sendo seu primeiro Administrador Horácio Lusitano Nunes e, ao tempo, Governador de Benguela, essa portentosa figura do escol administrativo, Hortêncio de Sousa. Em Dezembro desse mesmo ano, a Junta local transforma-se em Câmara Municipal e, em 23 de Janeiro de 1968, há precisamente seis anos, a então Vila do Cubal, é elevada por mérito próprio e desejo da sua gente à categoria de cidade de Angola, em cerimónia a que presidiu o então Governador-geral Rebocho Vaz.
E assim entramos no tempo da actual cidade do Cubal e da sua realidade como comunidade humana, perante as suas potencialidades económicas presentes e futuras e bem merece, pela sua expressão significativa no contexto angolano e pelo mais elementar espírito de justiça, que nos debrucemos sobre a sua História, que é a história da grei que tornou férteis os campos e ergueu cidades numa autêntica epopeia de sacrifício e trabalho, como causa determinante dos seus parâmetros económico-sociais.
Cubal, nasceu portanto, da epopeia da permanente luta do homem sobre a terra e da gesta da sua determinação, consciente da autenticidade portuguesa e da sua maneira de estar no mundo, num mundo onde quase sempre os outros nunca tinham chegado. E se assim nasceu, assim terá de continuar, agora com mais responsabilidades, não só porque é cidade, como terá de começar a pensar conscientemente na verdadeira programática do seu futuro, que não poderá continuar circunscrito às flutuações das cotações internacionais do sisal.
O Cubal necessita de estruturar o seu amanhã, a partir de hoje, diversificando culturas, organizando a pecuária e inserindo-se no contexto dos centros industriais de produção. É evidente que isso se não consegue de repente, com o simples toque de uma varinha mágica, principalmente quando não abundam os recursos e falta a coragem e a capacidade de iniciativa. Mas, certos estamos, que o actual Governo lhes não negará as hipóteses possíveis de realização a que tem juz, desde que os problemas sejam equacionados com o realismo indispensável à sua prossecução. Isto é, facultando-lhe no que compete ao Estado, a experiência e nível dos técnicos oficiais e da própria Universidade – pois é para isso que eles existem – instalando parques de máquinas de que todos equanimemente possam beneficiar, principalmente os de mais modestos recursos, organizando convenientemente os Serviços de Veterinária, para apoio a uma pecuária que deve ser olhada com o maior interesse, facilitando e estimulando a criação de indústrias adaptadas às suas condições ecológicas e climáticas, curando com a urgência que se impõe, da Comarca que necessita, melhorando os níveis de ensino e olhando objectivamente para uma eficiente Escola de Artes e Ofícios dirigida ao apoio das Fazendas e à própria agricultura e tudo o mais que constitui o conjunto básico das infra-estruturas que o Cubal necessita para prosseguir como merece, na sua senda evolutiva.
A Câmara Municipal, presidida hoje por um dos seus filhos, com tradições paternas de verdadeiro pioneirismo e por uma pleiade de homens de boa vontade que constituem a sua vereação, tem revelado um dinamismo relevante e saudável e cedo nascerão os frutos da sua honesta dedicação. Que os munícipes os estimulem com o seu apoio e os ajudem nas suas dificuldades.
Muitas são efectivamente as dificuldades, para atender com a oportunidade desejada, aos imperativos de uma jovem cidade onde muita coisa falta e das mais dramáticas e evidentes, as instalações hoteleiras que aliciem visitantes e homens de negócios que aqui se têm de deslocar. Mas, certos estamos, que isso e o mais que é manifesto, virá com o tempo.
Do municipalismo, disse recentemente o Governador deste Estado, Santos e Castro com a coragem do Governador moderno que é, do político inteligente que se tem revelado e na autenticidade do homem de Angola que estratifica a acção sobrepondo-a às ultrapassadas dialécticas que faziam ganhar tempo mas que a nada conduziam disse Santos e Castro, dizíamos nós que “grandes ou pequenas, as cidades não são apenas amontoados de edifícios que se multiplicam sem regras, nem campo para árbitros ou ganâncias especulativas. Nada nelas pertence a um só. A legitimidade indispensável da propriedade privada não pode ir além do que fira ou diminua o que pertence ao foro do bem comum e é património de todos e da cidade em si própria. Viver em sociedade – e a sociedade urbana é bem complexa – exige regras que defendam todos e cada um, e fazê-las cumprir é o primeiro dever dos municípios (...). Têm as Câmaras Municipais de ser persistentes e generosas. Fazer uma grande cidade é missão de tão altos e globais objectivos humanos e sociais que não consente abdicações. (...Que as Câmaras não sejam mesquinhas em nenhuma das suas realizações”.
Estas palavras, estes conceitos, enunciados por quem exerceu funções cimeiras no municipalismo metropolitano e onde deixou obra de grande valia, devem constituir estímulo e autêntica doutrina para quem tem, como a Vereação do Cubal, a responsabilidade de a transformar numa grande cidade.
Alegra-nos saber, que vai ser finalmente instalada no Cubal, uma fábrica para o aproveitamento do seu principal produto, unidade que será instalada com máquinas novas, depois de cuidado estudo técnico-económico para a produção principal de um artigo que Angola importa com dispêndio de preciosas divisas: os sacos, justo é que felicitemos o Governo de Santos e Castro por tão útil como feliz decisão, pois desta vez, instala-se em local próprio e dentro de racionais regras tecnológicas, uma unidade própria e o dinheiro do contribuinte é, felizmente neste caso e nesta unidade industrial, aplicado com gestão inteligente e meritória. E dizemos isto, porque continuamos a condenar, por prejudicial a Angola a instalação de indústrias novas com máquinas velhas e, principalmente que o estado, mal avisado ou menos identificado, auxilie com o dinheiro do contribuinte, sociedades anónimas, com provas negativas de gestão e erros primários de estruturação. Felizmente desta vez fez-se – ou vai fazer-se – o que é racional e inteligente.
Mas o Cubal necessita de mais indústrias e carece, como também preconizou Santos e Castro, que a empresa produtora de energia eléctrica processe rapidamente a ampliação das suas linhas de alta tensão, de forma a alimentar a maior parte das povoações e fazendas desta região, com energia acessível e a preços comportáveis, evitando-se cada vez mais, o dispêndio com importações de motores diesel, com manutenções dispendiosas e o consumo de gasóleo que temos de importar.
Mas, nem só ao Estado se devem pedir as ajudas de que se carece porque ele não pode, por si só, nesta corrida contra o tempo em que todos estamos empenhados, resolver tudo o que é necessário dentro dos imperativos das prioridades a que nenhuma planificação se pode eximir.
Tudo leva a crer, para os que acompanham, lendo e ouvindo o que se passa no Mundo, que os preços do sisal se manterão na alta por bastante mais tempo, pois as fibras sintéticas, seu principal concorrente, derivadas do petróleo, serão cada vez mais caras, porque o preço do petróleo, já não voltará a ser o que foi. É que, por muito estranho que pareça, foi a Venezuela quem primeiro provocou a alta dos preços e não os árabes, como agora se revela. Ora, é preciso abjurar a ideia e tomarmos consciência de que não devemos continuar a ser um país colonizável, que exporta mão de obra e matérias primas. Temos consequentemente, de começar a fabricar os nossos próprios produtos para os valorizar e para isso temos de criar indústrias. E quando dizemos indústrias, não nos referimos a “fabriquetas” utopicamente transformadoras, que servem quase sempre – e apenas – para que alguns pseudo-industriais, transfiram para a Metrópole, em sobrevalorizações de facturas de máquinas e matérias primas que importam, acabadas ou quase acabadas, que apenas servem para provocar o hiperbólico aumento do custo de vida, acabando por venderem pelo dobro o que mais economicamente se poderia importar por metade do seu preço.
Precisamos, isso sim, de indústrias com I maiúsculo, que produzam artigos baratos, que criem lugares de trabalho e que programem obras sociais, porque o trabalhador tem de ser olhado como elemento humano, produtivo e indispensável.
Portanto, não podendo o Estado atender a tudo, compete àqueles que devem ao Cubal a sua independência económica, o bem estar que desfrutam, terem uma visão realista do futuro da terra e das suas próprias fazendas, retribuindo em gratidão o muito que lhe deve. Isto é, têm de começar a pensar em investir na indústria, na construção civil, em melhorar as condições técnicas e produtivas das suas próprias fazendas, estruturando-as racionalmente e beneficiando-as tanto no aspecto tecnológico como nas condições sociais e humanas do trabalhar. Inclusivamente, tentando novas experiências de diversificação de produtos e não esquecendo que é hoje mais do que nunca, necessário promover socialmente o mais válido elemento da comunidade, o Homem.
Ter ideias, defendê-las e lutar por elas, só dignifica o Homem, dando-lhe personalidade e tornando-o cidadão à altura dos seus deveres e direitos. E está suficientemente provado que não há povo evoluído e progressivo, se for atrasado, pouco desenvolvido, se despersonalizados forem os seus cidadãos. Esta é uma verdade incontroversa, tanto mais evidente quanto mais difícil for a crise que nos atormente e nos avassale. Mas ser cidadão evoluído e consciente significa estar atento e intervir com todos os recursos ao seu alcance. Que possa agir e pensar com discernimento e acerto na solução de quantas situações difíceis e problemas intrincados nos assoberbem. Assim, o homem de ideias é, pressupostamente, uma pessoa responsável e sempre que a noção de responsabilidade exista em consciência, não nos desamparará o dever das obrigações que nos são impostas tanto pelas nossas necessárias exigências, como pela nossa tributação social.
As grandes crises sociais são sempre precedidas por actos insólitos e ideias extraviadas e foram sempre conjuntos de irregulares propósitos que desvairaram os homens e o mundo para a consumação de grandes calamidades. Há assim, fenómenos cíclicos que temos de recordar e muitos dos dramas humanos foram precisamente provocados pelos que apenas pensavam com egoísmo, tudo exigindo em seu proveito e nada querendo dar em troca na redistribuição das riquezas para que todos contribuem no contexto da economia de uma Nação ou comunidade.
É isso que queremos recordar, no aspecto social, político e humano aos homens desta terra – e de tantas outras – que a elas tudo devem da sua realização.
O Concelho do Cubal caminha a passos largos para as 100.000 almas e necessita consolidar no presente o futuro que deseja e não só como região agrícola e produtora de sisal, mas enraizando-se na pecuária e na indústria. O sisal não deverá continuar a constituir só por si, a sua única razão de ser. Que se faça pois, o “ponto da situação” e se pense no futuro para que os homens de hoje não tenham de merecer amanhã, dos seus filhos, o julgamento minimizado da sua falta de visão, a crítica pela mesquinhez do seu espírito e o julgamento que a História lhes não perdoará. Que o Cubal seja, pois, com as suas potencialidades materiais e humanas, orgulho de todos nós, como afirmação imperecível da gesta portuguesa num continente que grandes nações abandonaram ao primeiro sopro dos desencantados ventos da História e onde nós ficamos e permanecemos, pelos imperativos conscientes da civilização que trouxemos, pela humanização do trabalho a que nos devotamos, pelo sentimento do valor da pessoa humana e pela convivência cristã, admirável e surpreendente da realidade da nossa maneira de estar no Mundo.
Humberto Lopes
Cubal, 1974


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